Premiê turco diz que "provocações" de Israel radicalizam mundo muçulmano


O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, acusou seu par israelense, Benjamin Netanyahu, na sexta-feira de terrorismo e disse que as "provocações" de Israel, tais como o bombardeio da Faixa de Gaza, estão contribuindo para a radicalização do mundo muçulmano.

Em uma entrevista à Reuters, Davutoglu disse que a paz no Oriente Médio e a erradicação dos grupos extremistas seriam virtualmente impossíveis sem o estabelecimento de um Estado palestino.

Ele também alertou a comunidade internacional a não se concentrar somente em combater os militantes do Estado Islâmico em seus esforços para encerrar o conflito na Síria, dizendo que a "brutalidade" do presidente sírio, Bashar al-Assad, está na raiz dos problemas no país.

A Turquia, candidata a se tornar membro da União Europeia e da aliança militar Otan, é um aliado oriental importante na luta contra os jihadistas islâmicos. Mas os líderes turcos têm se mostrado cada vez mais preocupados sobre o que percebem como uma crescente islamofobia na Europa, sendo também cada vez mais francos nas críticas a Israel.

"O próprio (Netanyahu) matou, seu Exército matou crianças no playground. Eles mataram nossos cidadãos e um cidadão norte-americano em águas internacionais. Isso é terrorismo", disse Davutoglu, referindo-se ao ataque israelense de 2010 contra uma embarcação turca que tentava furar o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza. 

"Ninguém pode argumentar sobre a agressão israelense em Jerusalém, na mesquita al-Aqsa", acrescentou o premiê turco. "Essas provocações geram frustrações no mundo muçulmano e estão se tornando uma das razões pelas quais essas tendências radicais estão surgindo", disse.

"Se quisermos estabelecer paz e ordem no Oriente Médio, eliminando todas as forças extremistas, temos que resolver a questão palestina."

Na quinta-feira, Davutoglu comparou Netanyahu aos militantes islamistas que mataram 17 pessoas em Paris na semana passada, dizendo que, assim como eles, o premiê israelense cometeu crimes contra a humanidade.

Netanyahu pediu por uma condenação internacional aos comentários de Davutoglu e do presidente turco, Tayyip Erdogan, que criticou o comparecimento do premiê israelense, ao lado de outros líderes internacionais, a uma passeata em solidariedade às vitimas dos ataques em Paris.

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