Brasil tem Superavit de us$ 2 bilhões com paises Árabe


Saldo é resultado de exportações de US$ 13,4 bilhões e importações de US$ 11,4 bilhões no ano passado. Receita das vendas à região recuou, mas volume comercializado aumentou.

O Brasil faturou US$ 13,405 bilhões com exportações aos países árabes no ano passado, um recuo de 4,5% em relação a 2013, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A queda, no entanto, foi menor do que a observada nas vendas externas do País como um todo, de 7%.

Na outra mão, as importações brasileiras de produtos árabes somaram US$ 11,427 bilhões no ano passado, um aumento de 0,24% em relação a 2013. O diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, destacou que com estes resultados o Brasil obteve um superávit de quase US$ 2 bilhões com os países do Oriente Médio e do Norte da África.

Embora o saldo seja menor do que o registrado em 2013, o executivo lembrou que a balança comercial brasileira como um todo teve déficit de US$ 3,93 bilhões em 2014, o primeiro saldo negativo desde o ano 2000.

A receita das exportações caiu, mas os volumes embarcados ao mundo árabe aumentaram 3% em 2014, o que aponta para uma redução dos preços das mercadorias exportadas, especialmente commodities. “Caíram praticamente todos os preços das commodities”, observou Alaby.


Nesse sentido, recuaram as receitas com as vendas de açúcar, carne de frango, minério de ferro e milho, que são alguns dos principais itens exportados pelo Brasil às nações árabes. Por outro lado, avançou de forma significativa o faturamento com os embarques de soja e de carne bovina.

Segundo Alaby, a exportação de soja para a região foi recorde, e no caso da carne bovina, ao contrário de outros produtos básicos, houve aumento de preço em função do aumento da demanda na Rússia. Os embarques de carne bovina ao Oriente Médio e Norte da África cresceram em volumes e em receitas mesmo com a manutenção do embargo ao produto brasileiro pela Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Bahrein e Líbano.

Destaque também para as vendas de lácteos, que somaram US$ 82,7 milhões no ano passado, três vezes mais do que em 2013; de arroz, que totalizaram US$ 22,7 milhões em 2014, contra quase nada no ano anterior; de produtos químicos e conexos, que renderam US$ 544 milhões, um avanço de 118% sobre 2013; de veículos, inclusive tratores, que chegaram a US$ 256 milhões, um acréscimo de 226% na mesma comparação; e de aeronaves, que atingiram US$ 226,7 milhões, ante exportações apenas de peças de reposição em 2013.

Com a redução dos preços de commodities e o aumento das vendas de itens como veículos terrestres e aviões, as exportações de produtos industrializados ganharam peso na balança comercial do Brasil com os árabes. Enquanto o faturamento com os embarques de itens básicos recuou 13,45% e o de semimanufaturados, 4,22%, as receitas com os manufaturados avançaram 22,84%.

Outros itens que tiveram avanço significativo nas exportações aos árabes em 2014 foram tubos de aço, e combustíveis e lubrificantes para aeronaves na modalidade de consumo de bordo. Este último grupo reflete o aumento dos voos diretos entre o Brasil e países árabes, rotas hoje servidas pelas empresas Royal Air Maroc, Etihad Airways, Emirates Airline e Qatar Airways.

Entre os destinos, os Emirados Árabes Unidos ocuparam a primeira posição em 2014, com importações do Brasil no valor de US$ 2,847 bilhões, um crescimento de 10% sobre 2013. A Arábia Saudita caiu do primeiro lugar em 2013 para o segundo em 2014 com compras de US$ 2,542 bilhões, um recuo de 10%. O Egito aparece em terceiro lugar com aquisições equivalentes a US$ 2,315 bilhões, um aumento de 5%. Argélia, Omã e Marrocos vêm em seguida.

Na mão contrária, houve crescimento das importações pelo Brasil de fertilizantes, produtos químicos, plásticos, naftas e óleo diesel. Caiu, no entanto, a compra de óleo bruto.

A Arábia Saudita manteve a posição de principal fornecedor do Brasil entre os árabes, com negócios no valor de US$ 3,3 bilhões, um crescimento de 3,3% sobre 2013; seguida da Argélia, com US$ 2,92 bilhões, uma queda de 5% na mesma comparação; além de Marrocos, Kuwait, Iraque e Catar.

Cenário

Alaby ressaltou que a desvalorização do real frente ao dólar pode aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado árabe em 2015, principalmente de manufaturados, contribuindo para o aumento das receitas.

Na outra ponta, porém, há a questão da queda nas cotações do petróleo, o que pode, em tese, reduzir a capacidade importadora de países produtores da commodity. Alaby avalia, no entanto, que isso não deve afetar a comercialização de itens de primeira necessidade, como alimentos, que respondem por boa parte do que o Brasil vende aos árabes. “O que tende a cair é a importação de produtos mais supérfluos”, declarou.

Entre os grandes produtores e exportadores de petróleo do Golfo, o executivo observa que estes países têm grande volume de reservas em moeda forte, além de fundos soberanos, que podem servir para garantir as importações e os investimentos. A situação, entretanto, varia de país a país, sendo que a Arábia Saudita, em tese, é um dos que correm menos riscos, dado o tamanho de sua produção da commodity e o baixo custo de extração.

No lado dos países árabes que são importadores de petróleo e que também são grandes parceiros comerciais do Brasil, como Egito e Marrocos, a queda do preço na commodity pode liberar recursos para a importação de outras mercadorias.

Fonte: www.anba.com.br
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