Moça etíope de 19 anos, foge de estupro e pode acabar cega



A etíope Nasanat, de apenas 19 anos, veio ao Líbano para trabalhar e mandar dinheiro para sua família que vive em condições financeiras difissílimas, seu patrão tentou estupra-la, ao se defender ela foi agredida severamente, e corre o risco de perder a visão definitivamente.

Foi em maio que Nasanat veio ao Líbano, trazida por um escritório clandestino junto com outras mulheres da Etiópia, e logo foi levada à casa do “patrão”. 
Nasanat contou para a Gazeta de Beirute, que seus maltratos, não eram apenas agressões físicas ou abusos, mas também a falta de comida e bebida, a deixaram desnutrida. Ao vê-la no hospital, parecia realmente um caso de “fome na Africa”.
Na tentativa de explicar em inglês, ela dizia o quanto tinha sofrido repetindo as palavras:
“No eat, no drink, no money, and no eye.”
Mas não precisa falar, estava exposto em seu corpo magérrimo, e principalmente em seus olhos, um lacrimejante e o outro cego, as sequelas de sua tortura.
Ao contatar o medico, nem ele mesmo pode nos responder se ela voltará a enxergar.
Ao procurar quem levou Nasanat ao hospital, descobrimos que não foi seu patrão, e nem o escritório clandestino, que ao invés de ajuda-la, a “vendeu” para outra patroa, e esta então a levou dias depois ao Hospital, mas nunca mais apareceu.
O mais estranho é que o Hospital Geral de Beirute, nao avisou o Consulado da Etiópia sobre o caso, que foi somente avisado pela Gazeta de Beirute.
O consulado só verificou o caso depois de duas semanas, após muita insistência. Mas quando foram la, ela ja tinha sido misteriosamente levada.
Além de ter sido vítima de tentativa de estupro, ter passado fome, sede e ter tido um olho atingido e talvez ficará cega de um olho toda sua vida, ela ainda foi detida pelas autoridades libanesas por falta de informações de sua identidade. Quando o Consulado descobriu o fato, continuaram pacíficos, sem fazer absolutamente nada.
Toda vez que nos comunicavamos com  funcionários do consulado, eles pareciam dar uma de desentendidos:
“Quem? Que hospital? Que Nasanat?” 
As vezes se contradiziam: “Nós já vimos ela. Nós ainda não a vimos.”

Uma funcionária tentou expulsar nossa jornalista, por insistência nessa questão, e recusou a revelar o próprio nome. Após tantas conversas, não nos restava nada, a não ser falar com o maior responsável, o Cônsul.

Quando contamos o caso, o Cônsul disse que não havia sido informado, e que essa era uma situação muito séria, e que iria pessoalmente acompanhar o caso, também fez questão de lembrar que a Etiópia proibiu seus cidadãos de virem trabalhar no Líbano, justamente pelo mal- trato, e falta de leis para proteger os trabalhadores estrangeiros. 
A lei existe, mas apesar disso não há campanhas de conscientização suficientes, para que obedeçam a lei. Além disso o governo da Etiópia também não oferece uma vida favorável aos seus cidadãos, deixando essas mulheres, sem muita opção, diz Maria, uma jovem da Etiópia que chegou recentemente no Líbano em busca de trabalho.
No entanto o Cônsul prometeu que iria ver o caso de Nasanat de perto. Após alguns dias, ligamos para o Consulado, e nos informaram que Nasanat, esta hospedada em uma casa, com outra mulher da Etiópia e vai fazer mais uma operação, e se ela não voltar a enxergar um processo contra seu patrão será aberto, afirmou o consulado. 
Mas as demais torturas e sofrimentos vividos foram até agora ignorados e libaneses e etíopes comovidos, cristãos e muçulmanos, estão acompanhando este caso e outros, e pedem por justiça. 
Nasanat foi vítima de seu país Etiópia(por falta de conscientização sobre a situação  e  das condições sociais precárias), também foi vítima de outros países que contribuem nesse tráfico de pessoas, como o Sudão, e o Yêmen, e foi vítima do escritório clandestino, de seu patrão, do Hospital Geral de Beirute, e também foi vítima do governo libanês por não entrar em contato com as autoridades da Etiópia, levando-a diretamente presa sem ao menos se informar do ocorrido, e para finalizar foi vítima do próprio consulado, que demorou para agir, não tomaram nenhuma atitude contra o agressor, e a vítima não foi indenizada.
Esse é apenas um caso, entre centenas de casos parecidos e até piores.

Chadia Kobeissi 08-08-2012
                                          

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