As irmas brasileirinhas talentosas no Líbano


                                  
Yasmin e Rayan Mussallam al Masri, 14 e 9 anos respectivamente, são duas crianças brasileiras que competem e participam de diversas atividades culturais e esportivas no Líbano. 

Ambas estudam na Deutsche Schule Beirut a 8 anos onde aprendem 4 línguas na escola: inglês, alemão , árabe e francês, as pequenas grandes brasileiras também tem uma noção de russo. Além destas línguas elas falam com fluência o português por causa da mãe que insiste em preservar o idioma. 

“Aprender tantas línguas é uma das vantagens de viver no Líbano. Yasmin esta na nona serie  do Programa Internacional, isto é, um preparatório para o IB-International Baccalaureate. A Rayan está na quinta série. E graças a Deus, as duas são responsáveis e ótimas alunas.”Diz a mãe. 

Muito incentivadas pelos pais Yehia Al Masri e Carla Mussallam Al Masri as duas também fazem parte do grupo de dança do Centro Cultural Russo e do time de Ginástica  Artística do Notre Dame de Jahmour Club.  As duas praticam ginástica rítmica e participam de concertos de dança e ginástica. 

Yasmin pratica este esporte a 9 anos. Neste  ano de 2012 , foi  Campeã libanesa individual de Ginástica Artística  e Vice-campeã  de times, junto com sua irma Rayan. 


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É ela mesma que escolhe suas músicas e prepara suas coreografias para os exercícios de solo e barra(balance bean).  

“Tanto Yasmin e Rayan gostariam de se profissionalizar e se destacar mais nessa área, mas infelizmente aqui o esporte não é valorizado pelo governo e poucas instituições esportivas levam o esporte a sério como deve ser." Diz a mãe. 

Yasmin e Rayan tem fotos com Daniele Hipolito, Daiane dos Santos, Jade Barbosa e Diego Hipolito. As fotos foram tiradas no Campeonato brasileiro de ginástica.  

 A  Rayan, este ano resolveu participar do  III Concurso  Brasileirinhos no Mundo, por incentivo de sua mãe. O tema  foi História do Brasil, porém um  detalhe, Rayan nunca estudou História do Brasil para descrever um de seus episódios e só conhece alguns detalhes de certos acontecimentos através de sua mãe.  

Era preciso de algo que associaria o conhecimento da  Rayan com o tema e o trabalho artístico que deveria ser efetuado. 

Rayan aprendeu na escola sobre racismo; adorou o filme “The Help“ e  entendeu perfeitamente  o conceito do filme  “To kill a Mockingbird“, foi resolvido então que o tema deste trabalho seria sobre os escravos.  

Sua mãe deu algumas noções desde como os escravos viviam e eram torturados nos troncos até sua libertação pela Princesa Isabel, além de pesquisarem juntas sobre a escravidão no Brasil na Internet. 

Foi então que surgiu o “Escravo Livre“, o trabalho que se classificou em décimo  lugar  entre 481  desenhos de outros brasileirinhos talentosos do mundo todo.   

O desenho mostra o verde das plantações, o dia lindo de sol  um tronco  com uma corrente presa, mas sem escravo, o que representava a libertação. 



Foi um trabalho que exigiu muito de Rayan, porque a idéia e  a técnica deveriam ser desenvolvidas por ela, mas com um dom natural e o apoio contínuo da mãe tudo se tornou mais fácil. 

Rayan, também se divertiu fazendo este desenho porque foi uma  novidade e desafio para ela de estar participando em uma competição internacional. Ela também percebeu que com determinados materiais é possível fazer uma obra-prima. 

Apesar das duas nunca terem morado no Brasil, e não visitarem o país com frequência, a mãe faz questão de trazer muitas informações sobre o país, através de leituras, filmes e a internet também tem seu grande papel. 

As duas são unânimes, adoram o Brasil, apesar de conhecerem apenas a cidade de São Paulo e arredores. Gostam muito da organização no trânsito, das linhas brancas de pedestres, andar de metrô e ir na Av. Paulista. 

“Passear nos parques, Ibirapuera e Parque do povo  é muito bom. Comer pão de queijo e pizza  é melhor ainda.  Adoram os cachorrinhos que passeiam nas ruas com seus donos  e principalmente levar o cachorrinho do tio para passear”. Diz a mãe. 

 “E o melhor de tudo, no Brasil tem eletricidade 24 horas, além do que elas mais gostam de fazer, as  aulas de ginástica Artística no Brasil são bem profissionais, elas simplesmente adoraram ter aula com excelentes professores. Também amam a turma da Mônica.E apesar de serem ainda crianças acham os biquínis brasileiros muito pequenos”. Acrescentou a mãe. 

As duas ainda querem conhecer muitos lugares do Brasil, a Rayan quer conhecer o Amazonas e Rio de Janeiro ,Yasmin ,ficaria muito feliz  se fosse conhecer o Cristo Redentor. 

Mas por outro lado, elas também são unânimes em dizer sobre a violência em São Paulo, porque quando andavam nas ruas com a mãe, era sempre informado a elas o que é perigoso. Inclusive elas viram em plena luz do dia um carro sendo roubado no Guarujá, em frente a praia. 

Sobre o Líbano, elas acham que morar aqui  é bom e ruim, de um lado a família está aqui e o pai trabalha aqui. No Líbano não há tanta violência, na escola aprendem mais de duas línguas, e há também comida gostosa. Mas por outro lado, elas gostariam que o Líbano fosse mais organizado, gostariam que não houvesse guerras, porque em 2006, lembram que saíram daqui as pressas através do Consulado e a Força Aérea Brasileira. 

As pequenas também gostariam que no Líbano existisse mais parques para andar de bicicleta e curtir a natureza. E apesar da pouca idade, dizem que gostariam que o povo libanês  mudasse um pouco o modo de ver a vida, vendo mais a parte humana e espiritual do que a parte material. 

“O pai de Yasmin e Rayan não fala português, mas elas  falam o português muito bem e sem sotaque, com pouquíssimos erros de gramática. No Brasil, ninguém poderia dizer que elas moram no exterior, porque conversavam com as pessoas normalmente sem problemas”. Com tudo isso, me orgulho muito porque consegui transmitir  mais conhecimento para elas além de mais cultura". Diz a mãe, Carla Mussallam Al Masri. 

“Também  mais uma prova de que eu não paro de falar", diz Carla sorrindo. 
Com toda razão a mãe das pequenas grandes brasileiras só tem motivo para se orgulhar e não apenas ela, todo o Brasil, com o brilho das três estrelas no Oriente Médio, as duas filhas e a grande mãe. 

Gazeta de Beirute
Colaboração especial -Carla Mussallam Al Masri
Edição- Chadia Kobeissi

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