Entrevista com Um brasileiro no Japão o Acadêmico Edweine Loureiro


O jornal Gazeta de Beirute com seu correspondente no Brasil Anthony Mohammad   entrevista o Acadêmico Edweine Loureiro “ Um brasileiro no Japão”


GB – Saudações grande Acadêmico Edweine Loureiro , conte para nos sobre seus livros já escritos ou trabalhos citados em concursos .

Saudações, amigos e leitores da Gazeta de Beirute. 

Bom, até o momento tenho três livros publicados: Sonhador Sim Senhor! (um conjunto de oito contos, publicado em 2000), Clandestinos (crônicas publicadas em 2011), e, mais recentemente, o livro de minicontos “Em Curto Espaço”. 
Agora, terminei de escrever minha primeira novela, que vou começar a enviar para as editoras. À parte, tenho participado de muitos Concursos Literários, nos quais, graças a Deus, tenho obtido premiaçõoes: por exemplo, o primeiro lugar no Concurso Minicontos para Dickens; o primeiro lugar no Prêmio Ferreira Gullar; a seleção no 3° Concurso de Minicontos de Jundiaí; e no TOC 140 da Fliporto, entre outros certames. 
Muitos E-books contendo meus textos também estão disponíveis em vários sites (Portal Cranik, Sul Info, Pague Menos, Geração Editorial, entre outros), como resultado de minhas participações em concursos literários. Também sou colunista em duas revistas literárias: a Benfazeja e a Samizdat, às quais contribuo com micropoemas e microcontos. Enfim, tentando disseminar minha obra por meio dos mais diversos canais, e, assim, realizar o sonho literário, acalentado desde a infância.

GB- Quais são as academias que o Acadêmico faz parte?

A Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências (em Arrail do Cabo, no Rio de Janeiro, e na qual tenho como um dos confrades este amigo e entrevistador, Dr. Anthony Mohammad). Ocupo a cadeira n. 14, e sou Membro-Correspondente do Japão. A outra Academia a que pertenço é a Academia de Letras de Nordestina, na Bahia.

GB – Gostaríamos de saber  como foi a sua adaptação ao Japão ?

O Japão, decididamente, foi um grande e repentino choque de realidade em minha vida, pois jamais havia saído sequer de minha cidade, Manaus, quando soube que viria para o Oriente. Recebi a bolsa de estudos para  um país sobre o qual minhas ideias eram como as da maior parte dos brasileiros: tecnologia de última geração, mundo das gueixas, samurais etc. Claro que, ao chegar aqui, vi uma sociedade totalmente diferente do que eu imaginava: não acostumada à presença do estrangeiro e que, sim, como tal, apresenta alguma resistência à integração do mesmo. E a primeira barreira é, sem dúvida, o idioma. Esqueça se você fala três ou quatro idiomas de origem europeia. Idiomas orientais apresentam uma forma diferenciada de aprendizado (e, ao final, por mais que você estude, ainda haverá a barreira da comunicação). Quanto a comidas exóticas, estas não mais fazem parte do dia-a-dia do povo japonês, que se ocidentalizou também neste aspecto. Enfim, a maior dificuldade de adaptação que tive foi mesmo o da comunicação. Mas nada que me impeça de viver e amar o Japão.

GB – Como é organizada a comunidade brasileira no Japão e qual é a região que possui mais brasileiros ?

Confesso que, morando em Saitama e trabalhando no centro de Tóquio, vivo distante ds áreas de maior concentração dos brasileiros (Gunma, Hamamatsu, por exemplo). Meu contato maior é através da Revista Alternativa, na qual, por meio de uma coluna quinzenal, dou dicas de RH para a Comunidade. Mas a comunidade parece-me sim forte e organizada, o que percebo através de eventos como o Brazilian Day e o Press Awards (ao qual tive a honra de ser indicado em 2012 como um dos Destaques Literários). Um exemplo do força da comunidade brasileira é Oizumi, em Gunma, onde há até mesmo um lugar conhecido como Little São Paulo, tamanha é a presença de brasileiros no local.
Em termos quantitativos, Hamamatsu, principalmente na prefeitura de Shizuoka, em virtude do maior número de concentração de fábricas e outras oportunidades de emprego, que atraem os brasileiros à região. Hoje, acredito, conta com cerca de 40 mil brasileiros (ainda que tenha registrado uma grande perda neste número, em virtude da crise econômica). Mas em termos de concentração de habitantes brasileiros, digamos, numa mesma localidade, a província de Gunma, que citei na resposta anterior, ainda supera as demais regiões.

GB – Existe centros culturais do Brasil no Japão?
Há, claro, nas cidades de maior concentração da comunidade brasileira. Mas não conheço nenhuma em Saitama, onde resido. Os maiores serviços são mesmo prestados pelo Consulado Geral do Brasil, caso do serviço do Consulado Itinerante – que, como o nome indica, vão até as localidades para prestar os mais variados serviços aos brasileiros (visto, registros de casamento, nascimento etc). Mas quanto à organização de ONGs ou centros culturais, acredito, ainda estamos deficientes.

GB – O Seu contato com a cultura árabe foi em que parte da vida?
Minha madrinha é de ascendência síria e as constantes visitas a sua casa, na infância, foram meu primeiro contato com a cultura árabe, principalmente em relação à culinária (adorava, por exemplo, esfirra de carne, arroz sírio) e as belíssimas histórias das Mil e Uma Noites. Na fase adulta, quando cheguei ao Japão, tive um bom amigo, turco, que me ensinou muitas coisas sobre a religião islâmica – de princípios tão bem mais simples (diria até mesmo que a simplicidade é um dos princípios que mais me atrai no Islamismo). Quanto a convicções, sou sim um aberto simpatizante da Causa Palestina, no que se refere, entre outros aspectos, ao reconhecimento do Estado Palestino – um direito que deve ser garantido, acima de quaisquer interesses político-econômicos dos governos; ao mesmo tempo que defendo que o convívio pacífico entre todas as crenças deve ser sempre respeitada, seja qual for a religião.

GB – Em relação aos terremotos do Japão quais são as medidas tomadas pelo governo japonês?
Houve uma resposta rápida em alguns setores, por exemplo, quanto à providência de abrigos para as vítimas – além de muitas doações vindas principalmente da iniciativa privada. Mas outras áreas, como a reconstrução dos locais devastados pelos terremotos e pelo tsunami, ainda apresentam lentidão no processo de recuperação – por exemplo, meu cunhado agora reside na Prefeitura de Miyagi, uma das regiões mais afetadas (foi transferido justamente pela construtora em que ele trabalha para ajudar nos projetos locais). E, segundo ele, a reconstrução, não somente física, ainda vai demorar. Outro ponto crucial – e aí vejo um maior descaso por parte do governo japonês – é quanto à manutenção das nocivas plantas atômicas, que tantos danos já acarretaram às vítimas dos terremotos de onze de março de 2011.


GB – Como é ser um brasileiro no Japão?

É difícil ser imigrante em qualquer parte do mundo: há obstáculos sociais, preconceitos, dificuldades com o idioma, Mas, no Japão, de uma coisa estou certo: se você trabalhar direito, respeitar a cultura e o povo que o acolheu, com certeza essas dificuldades diminuirão. Infelizmente, no caso dos brasileiros, alguns trazem consigo maus hábitos e comportamentos (fazendo arruaças, colocando música alta em horas inapropriadas etc), criando atritos desnecessários com o povo local. Mas, claro, também há brasileiros (e muitos) que trabalham duro nas fábricas, e que, ainda assim, não possuem o devido reconhecimento na sociedade local. Acho que, ao final, o mais importante é pensar: se estou fazendo um bom trabalho e não perturbando a paz, algum fruto hei de colher, mesmo tão longe da terra natal e com as barreiras enfrentadas.

GB – O gazeta de Beirute é um jornal que leva informação aos brasileiros no Líbano e aos Libaneses no Brasil, 
Qual é sua opinião sobre nosso trabalho e o que achou de nosso Jornal ?

Um veículo de comunicação que contribui para estreitar os laços entre os povos, facilitando a integração de diferentes crenças e culturas, somente merece todo o meu respeito. Assim, aplaudo o trabalho da Gazeta de Beirute, que traz informações com o único propósito de contribuir para a compreensão mútua entre o Ocidente e o Oriente. Conheci o trabalho da Gazeta através do Confrade, Dr. Anthony Mohammad, e adorei os artigos esclarecedores – isentos de elementos tendenciosos que hoje, infelizmente, viciam a grande imprensa brasileira. E, à medida que leio seus artigos, confesso, torno-me cada vez mais um fã da Gazeta.

GB – O Gazeta de Beirute agradece sua entrevista nos dando informações sobre a vida dos Brasileiros no Japão e finalizamos com suas palavras finais sobre  a esperança neste ano de 2013 .

Eu que agradeço esta maravilhoso espaço que me foi proporcionado pela Gazeta de Beirute. Muito obrigado, realmente. Quanto à mensagem final, deixo somente palavras de fé e esperanças de um mundo melhor para todos nós em 2013. Vivemos, claro, um momento de incertezas (econômicas e no que se refere à Paz, por exemplo). Mas acredito na grande capacidade humana de superar as adversidades. Li uma frase atribuída ao Profeta Mohamed (sws), certa vez (e por favor corrijam-me se cometi algum erro histórico), que é linda e verdadeira em sua simplicidade. Diz: “A verdadeira riqueza de um homem é o bem que ele faz neste mundo.” Acredito piamente nisto.

Muito obrigado, amigos e leitores da Gazeta de Beirute. E que 2013 possa ser o ano em que a Bondade e a Paz sejam disseminadas nos quatro cantos da Terra. Sem esquecermos dos livros como instrumentos para nosso aprimoramento rumo a um mundo melhor.
Saudações poéticas a todos.
Deste amigo no Japão


Anthony Mohamad
GazetadeBeirute
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