OSCAR NIEMEYER GENIO CENTENÁRIO



OSCAR NIEMEYER GÊNIO CENTENÁRIO 
DA ARQUITETURA CURVILÍNEA

Oscar Niemeyer nasceu na Rua Passos Manuel, no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907. Filho do tipógrafo Oscar de Niemeyer Soares e de Delfina Ribeiro de Almeida, e neto de Ribeiro de Almeida, ministro do Supremo Tribunal Federal. Devido ao status do avô, Niemeyer assistia na infância à realização de missas na casa da família. Porém, cedo, ele descobriu-se ateu. Quando garoto, queria ser jogador de futebol, mas não passou do juvenil do Fluminense, onde atuava como meia-direita. O histórico escolar de Niemeyer, não indicava que nasceria um profissional de destaque, ele mesmo se classificava como um aluno "irregular", no ensino fundamental e médio.

                                                  (Niemeyer e a esposa Annita Baldo)

Em 1928, aos 21 anos, Niemeyer se casa com Annita Baldo, na época com 18 anos, uma moça bonita e modesta, filha de imigrantes italianos da província de Pádua, próximo a Veneza. Nessa época, Niemeyer tinha um destino incerto, sem perspectiva de uma profissão certa, ele atravessa noites em companhia dos amigos boêmios. Casado, porém, ele trocou a vida boêmia pelo trabalho na tipografia do pai, e retomou os estudos.
Niemeyer ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, no ano seguinte, e já durante o curso ele sonhava em projetar e procurava um mestre para introduzi-lo na profissão. Lucio Costa (1902-1998), um jovem arquiteto que mantinha um escritório com Carlos Leão, e impulsionou a carreira de Niemeyer, aceitou o aprendiz, mas no início não lhe pagaria remuneração pelo trabalho.  Ao receber pela primeira vez em seu escritório o aspirante a arquiteto, Lucio Costa teria dito: "Esse rapaz tem cara de malandro. Mas enfim... vamos ver no que vai dar". Lucio Costa mal podia imaginar que quase duas décadas depois, eles trabalhariam juntos na construção de Brasília. Em 1934, ele enfim, se formou como arquiteto e engenheiro, e definiu o que era Arquitetura para ele: "Arquitetura é a arte de construir. Fazer abrigos para o homem, dar conforto e ambiente adequado às suas atividades: eis a sua função específica. Se atinge nível superior, se é bela e criadora, a arquitetura passa a constituir obra de arte."


                                     (Edifício do Ministério da Educação e Obra do Berço)

Em 1936, o escritório onde Niemeyer trabalhava como estagiário, foi contratado pelo Ministro da Educação e Saúde, para projetar o novo edifício do Ministério da Educação (atual Palácio Capanema, no Rio), obra que foi iniciada em 1937, mas inaugurada em 1945. Le Corbusier (1887-1965), arquiteto franco-suíço, um dos mestres da arquitetura moderna mundial, e grande influência de Niemeyer, ao comentar as criações cheias de curvas do jovem arquiteto disse: "Você tem as montanhas do Rio dentro dos olhos".
Seu primeiro projeto individual a ser construído foi a Obra do Berço, em 1937, no bairro da Lagoa, Rio de Janeiro. O arquiteto não cobrou pelo projeto, que era destinado a uma instituição de caridade. Durante a execução, Niemeyer percebeu que parte do projeto havia sido alterada: o quebra-sol feito com placas verticais inclinadas. Para manter a ideia original, Niemeyer bancou a correção do próprio bolso. 
Em 1939, Niemeyer viaja com Lúcio Costa aos Estados Unidos, para projetar o Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova York. 


                                           (Niemeyer em reunião do projeto da Pampulha)

Em 1940, Niemeyer conheceu Juscelino Kubitschek, na ocasião prefeito de Belo Horizonte, que o convidou a projetar o Conjunto da Pampulha – formado pela igreja de São Francisco, um cassino, a Casa do Baile, um clube e um hotel, não realizado. Nas edificações, aparecem os traços que marcariam a obra do arquiteto carioca, como as linhas curvas em concreto e os amplos espaços públicos. Segundo Niemeyer, as edificações da Pampulha serviram de laboratório para seus futuros projetos. 

                                             (Igreja São Francisco em Belo Horizonte)

A Igreja São Francisco de Assis, última construção do Conjunto da Pampulha, foi a mais polêmica, devido as linhas curvas exibidas em toda sua estrutura, causou um escândalo para os religiosos que estavam acostumados à arquitetura retilínea predominante das igrejas da época. Em 1947, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tombou a igreja para protegê-la dos ataques liderados pelo arcebispo mineiro, que via nas curvas da edificação a materialização do demônio. Através do conjunto da Pampulha, Niemeyer conseguiu sua primeira projeção internacional. Ainda no início dos anos 40, Niemeyer recebeu duas encomendas: a residência de Chico Peixoto e o Colégio Cataguases.
Em 1945, já um arquiteto conhecido, conheceu Luís Carlos Prestes e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro. Em 1946 seu nome já circula internacionalmente, e Niemeyer é convidado a lecionar na Universidade de Yale. Porém, em razão de sua posição política, teve o pedido de visto de entrada negado pelas autoridades dos Estados Unidos. 


                                                      (Sede de ONU em Nova York)

Em 1947, Niemeyer foi um dos dez arquitetos convidados a projetar a futura sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Porem, tal como ocorrera em 1946, ele não poderia entrar nos Estados Unidos, mas dessa vez, sendo membro da equipe internacional do concurso para o projeto da ONU, recebeu autorização para morar sete meses em Nova York. Em três dias, ele formulou o projeto – escolhido vencedor. Depois, porém, os desenhos receberam alterações do franco-suíço Le Corbusier e, enfim, da própria comissão organizadora – o que desagradou o brasileiro. Ainda em 1946, Niemeyer projetou o Edifício do Banco Boa Vista, um de seus projetos mais expressivos no Rio de Janeiro. 
Em 1950, o primeiro livro sobre seu trabalho (The Work of Oscar Niemeyer) é publicado nos Estados Unidos, por Stamo Papadaki, a obra foi traduzida e publicada no Japão dois anos depois. No mesmo ano, ele projeta em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera, que seria então inaugurado quatro anos depois na comemoração dos 400 anos da capital paulista. 


                                                      (Edifício Copan em São Paulo)

Niemeyer projeta em 1951 o edifício Copan (obra que iniciaria em 1957, e seria inaugurada em 1966), implantado no velho Centro de São Paulo, a obra com 115 m de altura, 120.000 m² de área construída, possui 1.160 apartamentos, cuja área varia entre 26 e 350 m². Seu desenho sinuoso e o caráter moderno, o tornariam um dos símbolos da cidade de São Paulo,  e a maior estrutura de concreto armado do Brasil. Na mesma época, Niemeyer também projetou o Edifício Itatiaia, em Campinas. Ainda em 1951, e no ano seguinte, ele constrói sua própria casa no Rio de Janeiro, chamada de a Casa das Canoas, que anos mais tarde se tornou parte da Fundação Oscar Niemeyer.  Em 1953, Niemeyer foi convidado a fazer parte de um grupo de 15 arquitetos encarregados de projetar as habitações do bairro de Hansa, em Berlim Ocidental. No ano seguinte, viajou pela primeira vez à Europa, visitando Portugal, Alemanha, França, Polônia e a União Soviética.
No Rio de Janeiro, projeta em 1954 a Casa Edmundo Cavanelas, em Petrópolis, e projetou sob a encomenda de Juscelino, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, e a Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte, mais conhecida como o Colégio Estadual Central. Em 1955, fundou a Revista Módulo no Rio de Janeiro, uma das mais importantes revistas de arquitetura, urbanismo, arte e cultura da década de 50. 
As curvas de Niemeyer ganharam novo espaço em 1956: o palco do Teatro Municipal do Rio. Estreava a peça Orfeu da Conceição, versão do mito grego convertida em tragédia carioca pelo diplomata e poeta Vinícius de Moraes. Niemeyer, amigo de Vinícius, assinou os cenários. Juscelino Kubitschek, eleito presidente do Brasil em 1956, volta a entrar em contato com Niemeyer, desta vez com um projeto político mais ambicioso: mover a capital nacional para uma região despovoada no centro do país. 


                                          (Niemeyer estudando o projeto de Brasília)

Em 1957, Niemeyer abre um concurso público para o Plano Piloto de Brasília, a nova capital. O projeto vencedor é o apresentado por Lúcio Costa, seu amigo e ex-patrão. Niemeyer, arquiteto escolhido por Juscelino, seria responsável pelos projetos dos edifícios, enquanto Lúcio Costa desenvolveria o plano da cidade. Brasília foi um grande desafio, a cidade foi construída na velocidade de um mandato, e Niemeyer teve de planejar uma série de edifícios em poucos meses para configurá-la. Entre os de maior destaque estão à residência do Presidente (Palácio da Alvorada), o Edifício do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios, a sede do governo (Palácio do Planalto) além de prédios residenciais e comerciais. A ambientação de interiores dos Palácios da Alvorada e do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal em Brasília, teve a participação da única filha de Niemeyer, Anna Maria. Em maio de 1958 inaugurou-se o primeiro templo de alvenaria em Brasília, a Igrejinha da 307/308 Sul, construída em 100 dias.
Niemeyer foi nomeado em 1963, como membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos dos Estados Unidos. A nomeação foi consequência da atenção despertada pelas obras do arquiteto brasileiro, em especial às construções públicas de Brasília. Os projetos foram vistos como uma concretização do projeto moderno, e a modernização do Brasil.
Em 1964 durante viagem a Israel, Niemeyer foi surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil, que derrubou o governo do presidente João Goulart. Ao retornar ao país, foi intimado a depor no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), devido às suas ligações comunistas. O comunismo de Niemeyer lhe custou caro, a revista Módulo dirigida por ele, teve a sede destruída, seu escritório foi saqueado, seus projetos passaram a ser recusados, e a clientela a desaparecer. 
Em 1965, 223 professores, entre eles Niemeyer, se demitem da Universidade de Brasília, em protesto contra a política universitária e retaliações do Governo Militar. No mesmo ano Niemeyer viaja para França, para uma exposição sobre sua obra no Museu do Louvre. No ano seguinte, impedido de trabalhar no Brasil, muda-se para Paris. Com o apoio do escritor e ministro André Malraux e do próprio presidente Charles De Gaulle Niemeyer começou a trabalhar na França como arquiteto Frances. Foi uma nova fase de sua vida e obra. Ele abriu um escritório nos Champs Élysées e teve clientes em diversos países, em especial na Argélia. A Argélia havia se separado havia pouco tempo da França e buscava afirmar sua autonomia, inclusive por meio de novas construções. Niemeyer foi convidado a participar da empreitada como consultor da Universidade de Constantine, mas acabou liderando o projeto todo, onde projetou 7 edifícios grandiosos, alguns com 300 metros de comprimento, com biblioteca e auditórios.  

Na França, Niemeyer projetou a sede do Partido Comunista Francês, a Bolsa de Trabalho de Bobigny, o Centro Cultural Le Havre, e na Itália a Editora Mondadori. Em Portugal o arquiteto brasileiro tem apenas uma obra, na cidade de Funchal, o Pestana Casino Park, um projeto composto por três edifícios: um cassino, um centro de congressos, e um hotel cinco estrelas. Em 1966 Niemeyer viajou para o Líbano, para projetar o El Ma'rad, ou Centro Internacional de Exposições, um complexo de 15 edifícios dentro de uma área de aproximadamente 10.000 hectares na cidade de Trípoli.


                                                          (Catedral de Brasilia)

A Catedral de Brasília foi a mais complexa entre as edificações de Brasília, embora projetada em 1958, a igreja só foi inaugurada em 1970, devido a uma dificuldade jurídica: por se tratar de uma obra da Cúria, não podia receber recursos oficiais. Para colocar o local de pé, a Catedral teve que ser tombada pelo Patrimônio Histórico. Assim, o governo pôde desembolsar o valor necessário à finalização da obra. O projeto surpreendeu pelo contraste de suas 16 colunas que convergem simetricamente em torno de uma nave circular subterrânea, ligadas por uma cobertura de vidro.
Ainda em 1970, ele projetou a mesquita de Argel, cujo projeto de construção colocaria a mesquita suspensa sobre o mar, ligada à costa por um pontão, que circundaria o templo islâmico, protegendo-o da ação das ondas. Esse também seria o caminho para os pedestres. Embora Houre Boumedienne, ditador da Argélia tenha dito que era um projeto revolucionário, a obra nunca saiu do papel. 
Niemeyer retorna ao Brasil no começo dos anos 80, no início da abertura política e fim da ditadura militar. Na ocasião o antropólogo Darcy Ribeiro, amigo de Niemeyer, encomenda alguns projetos educacionais e culturais, Niemeyer projeta então os CIEPs e o Sambódromo do Rio de Janeiro, que possui salas de aula sob as arquibancadas. Projetou ainda na década de 1980 o Memorial JK, o Edifício Manchete (sede do Grupo Bloch) em 1983. 
Em 1984 projetou a Arena de Rodeios e o Parque do Peão Mussa Calil Neto, na cidade de Barretos, interior de São Paulo. Em 1985 Niemeyer projetou o Panteão da Pátria em Brasília, e o Memorial da Cabanagem, o único monumento de Niemeyer no estado do Pará. Em 1986 ele projeta a Casa do Cantador, em Brasília, e em 1987 o Memorial da América Latina em São Paulo. Em 1988, ele criou a Fundação Oscar Niemeyer com o intuito de preservar o seu acervo com cerca de 500 trabalhos, projetou no Paraná o Terminal Rodoviário de Londrina, e também recebeu o prêmio Pritzker de Arquitetura, da Fundação Hyatt, dos Estados Unidos, que anualmente agracia os melhores profissionais da área. O prêmio é a maior distinção na área de arquitetura mundial e reconhece a contribuição de toda a carreira de Niemeyer. 
Após 45 anos de filiação ao Partido Comunista Brasileiro, Niemeyer, juntamente com Luiz Carlos Prestes desliga-se do partido, em 1990. Essa decisão, porém, mesmo depois da queda do Muro de Berlim, ocorrida um ano antes, e o  fim dos regimes comunistas do Leste Europeu não o convenceram a mudar de posição em seus ideais políticos.


                                            (Museu de Arte Contemporânea de Niterói)

Aos 84 anos, Niemeyer projetou e pagou parte da obra da casa do seu motorista Amaro, no Morro do Vidigal, com quem já trabalhava há mais de 50 anos. O mesmo bairro receberia, em 2002, o projeto de uma biblioteca comunitária, também assinada pelo criador de Brasília. No mesmo ano, ele projetou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, em um terreno que o ele mesmo escolheu, quando andava de carro por Niterói. Considerado uma de suas grandes obras, o projeto integra a arquitetura com o panorama da Baía de Guanabara, a praia de Icaraí, e o relevo do Rio de Janeiro.  Ao término do Museu, em 1996, o prefeito do município, Jorge Roberto Silveira, convidou o arquiteto para um novo projeto, pensando em revitalizar a zona central de Niterói, construindo num terreno de 72.000m² à beira mar, no Aterro da Praia Grande, um complexo arquitetônico voltado para a cultura com várias construções projetadas ao longo da orla, desde o Centro até o bairro de Charitas, passando pelo bairro da Boa Viagem, onde o MAC se juntaria ao conjunto, formando um caminho ao longo da orla, que foi nomeado como o Caminho Niemeyer.


                                                (Museu Oscar Niemeyer em Curitiba)

Em 2002 ele projetou o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, popularmente chamado de Museu do Olho do Niemeyer, devido a sua forma inusitada. O primeiro prédio foi projetado por Oscar Niemeyer em 1967, fiel ao estilo da época, concebido com um Instituto de Educação, mas foi reformado e adaptado à função de museu, para o qual Niemeyer projetou o anexo, lembrando um olho, imprimindo-lhe uma nova identidade característica. Este edifício possui o segundo maior vão livre do Brasil, com 65m. Ainda em 2002, é concluída a 12ª versão do projeto do Auditório Ibirapuera, projetado para o local desde 1952. 
Em 2003, Niemeyer foi escolhido para projetar seu primeiro edifício na Grã-Bretanha, um anexo provisório na Serpentine Gallery - uma galeria londrina que constrói a cada ano um pavilhão no Jardim do Hyde Park. Apesar de sua preferência pelo concreto, Niemeyer optou pela execução em aço devido ao caráter temporário da obra, que pedia uma arquitetura desmontável. 
Niemeyer recebeu em 2004, o título de cidadão paulistano pelos projetos que criou na cidade. Entre suas principais obras em São Paulo estão a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Edifício Copan e o Memorial da América Latina. Em contrapartida, ele perdeu sua esposa Annita, depois de 76 anos de casamento.
Em 2006, com quase 50 anos de atraso, Niemeyer inaugurou o Museu Nacional Honestino Guimarães e a Biblioteca Nacional Leonel de Moura Brizola, que formam juntas, o maior centro cultural do Brasil, denominado Complexo Cultural da República, na Esplanada dos Ministérios em Brasília, um complexo com 91,8 mil metros quadrados. Ainda em 2006, Niemeyer é homenageado em Goiânia com um complexo que leva o seu nome, o Centro Cultural Oscar Niemeyer, e casa-se aos 98 anos, escondido com sua secretaria  Vera Lucia Cabreira, o que causou oposição em grande parte da família. Ainda em 2006 Niemeyer é submetido a uma cirurgia para reconstrução do quadril, depois de sofrer uma queda ao tropeçar no tapete de sua casa. A operação correu bem, e o arquiteto fez fisioterapia para se recuperar.
Niemeyer completou em 2007 o centésimo aniversário perfeitamente lúcido e ativo. Neste mesmo ano, o arquiteto iniciou as obras do seu primeiro projeto na Espanha, um centro cultural com o seu nome, Centro Niemeyer, em Avilés, Astúrias. Este projeto foi oferecido à Fundação Príncipe das Astúrias como agradecimento pela condecoração que Niemeyer recebeu, em 1989 (Premio Príncipe das Astúrias das Artes). O projeto consta de 5 peças separadas e complementares: praça, auditório, cúpula, torre e um edifício polivalente.  O centenário de arquiteto, também foi homenageado na Holanda e na Espanha com a exposição ‘Oscar Niemeyer: Trajetória e Produção Contemporânea 1936-2008’
Também em 2007, Oscar Niemeyer aceitou ser presidente de honra do Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais CEPPES, um centro de estudos fundado por Luís Carlos Prestes. Em 12 de dezembro de 2007, recebeu a mais alta condecoração do governo francês pelo conjunto de sua obra, o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra  e a medalha do Mérito Cultural, do Brasil. Vladimir Putin, presidente da Rússia, conferiu-lhe a condecoração da Ordem da Amizade, dois dias depois, em 14 de dezembro.
No mesmo mês, foram iniciadas as obras do complexo da Cidade Administrativa de Minas Gerais, no bairro Serra Verde, região norte de Belo Horizonte. O projeto do complexo arquitetônico do Centro Administrativo previa a construção de uma praça cívica e cinco edificações: a Sede do Governo de Minas Gerais, duas torres com 15 andares, um auditório, e um centro de convivência em uma área de 804 mil metros quadrados. Oscar Niemeyer é autor de quinze obras em Belo Horizonte, incluindo esta. Niemeyer fora também em 2007, convidado para redesenhar o prédio do DETRAN, de sua autoria, em São Paulo, que abrigaria o novo Museu de Arte Contemporânea da USP. No entanto, devido à grande intervenção proposta, o projeto foi vetado, a reforma proposta por Niemeyer ficou além da verba disponível. E mais uma vez uma homenagem ao arquiteto carioca aconteceu em 2007,  com a filmografia sobre a sua vida e obra, intitulada "A vida é um sopro", com direção e roteiro de Fabiano Maciel, além de ser eleito o nono gênio mundial vivo em uma lista compilada pela empresa Syntetics.


                                             (Parque de Natal e Estação Cabo Branco)

Em 2008 foi inaugurada a Estação Cabo Branco, em João Pessoa no estado da Paraíba, um complexo, localizado na Ponta do Seixas, extremo oriental das Américas, com uma torre espelhada erguida em forma octogonal, com 43 metros de distância entre lados opostos e apoiados sobre uma parede cilíndrica com 15 metros de diâmetro. 
Niemeyer também inaugurou  na cidade de Natal o parque urbano Dom Nivaldo Monte, um parque com 64 hectares, composto por dois estacionamentos, dois pórticos de entrada, cinco trilhas pavimentadas, quatro unidades de descanso, quatro baterias de banheiros, biblioteca, auditório, centro de educação ambiental, e um monumento com doze andares, constituindo o memorial da cidade e mirantes. O arquiteto apresentou ainda no mesmo ano, um novo projeto, a sede do Centro Cultural Casa das Américas que será na cidade de Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Além de  ter entregado um projeto nada modesto para a construção da Holoteca, em Foz do Iguaçu, uma megabiblioteca com auditório, que custará pelo menos R$ 13 milhões.
No dia 23 de Setembro de 2008, ele foi internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde sofreu uma cirurgia para a retirada da vesícula. Manteve-se lúcido e respirando normalmente.  Em 11 de junho, o arquiteto já tinha sido internado, queixando-se de dores lombares, e fez exames e recebendo alta, com o diagnóstico de uma lombalgia. Na segunda quinzena de setembro, suas obras entraram em exposição na Espanha, em mostra organizada pela Fundação Telefônica de Madri e pelo comissário Lauro Cavalcanti, com a colaboração da Fundação Oscar Niemeyer e da Fundação Cultural Hispano-Brasileira. O evento, com 17 maquetes, 21 desenhos, 50 croquis, dois livros e 25 fotografias, ficaram em exposição até Novembro de 2009. 
Nos últimos anos, Niemeyer apresentou projetos como o Museu Casa Pelé, uma praça em Brasília, um auditório em Ravello, na Itália, um parque aquático em Postdam, na Alemanha, e a Nova sede da União Nacional dos Estudantes. Em setembro de 2009, Niemeyer submeteu-se a uma cirurgia na vesícula, feita por laparoscopia, no Hospital Samaritano, no Rio. Durante a recuperação, demonstrou vitalidade, manifestou inquietação e vontade de voltar a trabalhar em seus projetos. Foi a primeira de uma sequência de internações. 


                                         (Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves)

O arquiteto foi convidado em 2010, a elaborar o projeto do novo centro administrativo do governo de Minas Gerais, chamado de Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, que fica entre a capital mineira e o Aeroporto Internacional de Confins. Este é o projeto mais ousado de Niemeyer.  Dar vida às formas desenhadas por Niemeyer foi um grande desafio conquistado pela a engenharia. O conjunto abriga ao todo cinco edificações, e uma laje de quase 150 metros apoiada em apenas dois pilares. O Palácio Tiradentes, sede do governo, é totalmente suspenso por cabos de aço, formando um vão livre de 147 metros no térreo. Outro projeto ousado do arquiteto, foi o projeto da Universidade de Música de Araraquara com três prédios, sendo duas cúpulas e um extenso bloco, distribuídos numa área de 9 mil m² de construção, ligados por uma enorme rampa que une os três locais.
Em Junho de 2012 morreu aos 82 anos, de enfisema pulmonar, a única filha de Niemeyer com Annita Baldo.  Arquiteta e designer de interiores, ela tinha duas galerias de arte no Rio de Janeiro e participou de vários projetos do pai, e lhe deu 5 netos, 13 bisnetos e 5 trinetos.  O Museu Pelé, que já está em construção, na cidade de Santos no litoral do Estado de São Paulo, também leva a assinatura de Oscar Niemeyer. Segundo Niemeyer, a inspiração do projeto se baseou no famoso pulo do jogador de futebol Pelé, forma como ele costumava comemorar seus gols. Niemeyer também foi o pioneiro no Brasil em design de móveis, ele projetou e produziu diversos móveis, que já foram expostos em diversos museus do Brasil e feiras internacionais, e outros com sua filha nos anos 70, além de ter produzido os móveis do Palácio da Alvorada, e da sede do Partido Comunista Francês. O gênio da arquitetura levou à madeira prensada, as mesmas famosas curvas que já aplicava no concreto, durante toda a sua carreira.  Além de ter projetado e produzido móveis, Niemeyer, também deixou sua assinatura em diversas, esculturas e monumentos, não apenas no Brasil, mas em outros países, e publicou alguns livros.
O arquiteto carioca, que completaria 105 anos em 15 de dezembro, deu entrada no hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, em 2 de novembro, a princípio para tratar de uma desidratação, em sua terceira internação no ano. Mais tarde, porém, Niemeyer apresentou hemorragia digestiva e houve piora em sua função renal.  Em outubro, ele havia ficado duas semanas no hospital também por causa de uma desidratação. Em maio, o arquiteto teve pneumonia e chegou a ficar internado na UTI. Recebeu alta depois de 16 dias. Na terça-feira (4), uma infecção respiratória levou a uma piora no estado clínico de Niemeyer. Na manhã desta quarta, o arquiteto sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele estava ao lado da mulher, Vera Lúcia, 67, de sobrinhos e de netos no momento da morte. Cerca de dez pessoas o acompanhavam em seu quarto. Niemeyer esteve lúcido até manhã de quarta, quando houve piora em seu quadro de infecção respiratória e ele precisou ser sedado e entubado.
A 10 dias de completar 105 anos, o gênio mundial da Arquitetura falece na última quarta-feira (6) de parada cardiorrespiratória. Na quinta (6), o corpo do arquiteto foi levado a Brasília para um velório no Palácio do Planalto. Cerca de 4.000 pessoas passaram pelo funeral, que foi aberto ao público após cerimônia fechada para políticos e autoridades. Oscar Niemeyer foi enterrado às 18h, na sexta-feira (7), no cemitério São João Batista, no Rio. O velório, realizado no Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura da cidade, ficou aberto ao público das 8h às 16h. Também no palácio houve um culto ecumênico em homenagem ao arquiteto.
"Cem anos é uma bobagem. Depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto, e acho que passei bem por ela. A vida é um sopro".
                                               (Oscar Niemeyer - ☆ 1907 † 2012)



                                             (Velório de Oscar Niemeyer em Brasília)


                                      (Velório e enterro de Oscar Niemeyer no Rio)

GazetadeBeirute
CLAUDINHA RAHME





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