TRICÔ NO SUL DO LÍBANO



                                                                              Foto: Daily Star
TRICÔ NO SUL DO LÍBANO

A tricoteira Jeanne D’arc, tricota há 60 anos e está correndo contra o tempo para terminar um suéter vermelho antes do Natal para dar de presente para a filha de sua amiga. "É uma pena que pouquíssimas pessoas da nova geração sabem como tricotar com agulhas e ganchos", diz ela. A Sociedade Sagrada Família, um instituto em Qana, sul do Líbano, tem o objetivo de preservar o artesanato local, e dar às mulheres a oportunidade de garantir as necessidades cada vez maiores de suas famílias. 


Jeanne e outras mulheres de sua idade trabalham nesta instituiçao, e se reúnem nos grupos de tricô, ou trabalham sozinhas, para produzirem uma variedade de peças de vestuário. Majida Boutros, uma das mulheres que dirige a Sociedade Sagrada Família, fala sobre a missão da organização: "Nós somos uma instituição que se concentra na revitalização do artesanato das mulheres em aldeias, para proteger a herança antiga, nós escolhemos as mulheres que trabalham conosco de acordo com a sua paciência no trabalho e seu gosto artístico”. 

Segundo ela, as mulheres trabalham duro na organização de exposições e divulgações de seus produtos, e na divulgação da iniciativa da instituição também. Elas já expuseram na sede das Forças Interinas da ONU, na Comunidade Italiana da aldeia de Shamaa, em Tiro, e na sede das Forças de Paz em Naqoura, onde venderam vários produtos para soldados das boinas azuis presentearem suas famílias. A maioria aprendeu a tricotar com as mães quando ainda eram meninas.

 Georgette Doro diz que usava pregos longos, ou paus de junco, como agulhas de tricô, e que o hobby é sua melhor companhia, além de sua obrigação cultural. Ela ainda guarda blusas que foram tricotadas há mais de 20 anos, e guarda também tristes lembranças; como a ofensiva de Israel em 1996 no sul do Líbano, onde ela teve que buscar refúgio com outras pessoas na sede da unidade de Fiji, na UNIFIL, quando estava tricotando um suéter e o massacre de Qana aconteceu. Ela terminou aquele suéter anos depois, e ainda o guarda. 

Ela relembra também os anos de pobreza que reinaram na região e as mulheres tinham que trabalhar longas noites à luz de lanterna antes do Natal, para terminar as roupas das crianças, além de cuidar diariamente de todas as tarefas da casa, durante o dia. 

“Essas mesmas crianças, só conhecem seu patrimônio artesanal através de exposições, e que eles deveriam voltar as suas raízes e tradições, para reviver o amor e a harmonia dos velhos tempos”, diz Boutros. Não há crise no tricô, assegura Sawsan, vendedora numa loja especializada em artigos para tricô. 

“Muitas famílias ainda vivem disso e nós oferecermos a elas tudo o que elas necessitam para trabalhar”. Em uma região conhecida por sua comunidade de pescadores, blusas de lã é uma obrigação em todos os lares. Mohammad Bouji, um pescador de Sidon diz: "Minha esposa tricota todas as minhas roupas de noite, ela faz chapéus, meias e xales, eu a saúdo por seu trabalho duro". 

GazetadeBeirute
CLAUDINHA RAHME

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1 comments:

  1. Maravilhoso,será que eu não poderia obter algo tricotado por essa senhora?Eu amo tricô,bem que aqyela blusa que trouxe dai chamava tanto atenção era um ponto desconhecido feito por agulhas especiais.Este mundo é das mil e uma noite mesmo

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