A Infância perdida das Crianças Sírias


Foto: Daily Star
Hasan Juneid tem oito anos, ele é um dos muitos filhos dos refugiados sírios, que fugiram da violência em Homs e cruzaram perigosamente a fronteira para o Líbano para tentar sobreviver, e tentam com muita dificuldade, e pobreza, se habituar a drástica mudança que sofreram em suas vidas. 
Seu pai saiu de casa, e o destino dele ainda é desconhecido, Juneid estava no terceiro ano na escola, que ele não frequenta mais, e ao chegar ao Líbano, ele aprendeu o ofício de engraxate, a única coisa que um garoto da sua idade poderia fazer para ajudar sua mãe no sustento da família, que está vivendo no bairro de Ain AL-Hilweh, em Taamir, distrito de Tiro. "Eu amo a escola, mas se eu fosse para a escola aqui, quem iria ajudar a minha mãe?

 Nós todos trabalhamos: eu, meu irmão e minha mãe... Eu amo a vida, e não quero esquecer a escola", diz Juneid, que caminha diariamente pelas ruas da cidade, com roupas muito limpas, e timidamente pergunta aos pedestres se ele pode limpar-lhes os sapatos em troca de algum dinheiro (cerca de LL15, 000 por dia).  Sua mãe lhe deixa ficar com LL1, 000, e utiliza o resto para comprar alimentos. 

Em um canteiro de obras também em Sidon, e que agora serve como abrigo para alguns refugiados sírios, um grupo de crianças brinca um jogo diferente, chamado "morte na Síria".
Ali Dabbous, afirma ter visto morte e desespero o suficiente em sua vida, e sonha com uma vida bonita, embora esteja brincando com um modelo de brinquedo, do jato russo MiG-21, enquanto grita: "Os aviões estão bombardeando, há mortos e feridos". 

Seu companheiro, Mohammad al-Bayad, disse que um dia sonhou em se tornar um soldado, mas depois de tudo o que ele viu na Síria, mudou de ideia, e agora sonha em se tornar um jogador de futebol profissional. 
Nafez Qudsi tem 12 anos, e como muitas crianças refugiadas da Síria, aparenta ser muito mais velho do que a idade que tem, ele relata sua fuga de Aleppo rural com muita dor e tristeza, para uma criança da sua cidade: "O presidente Bashar Assad está bombardeando e matando as pessoas, ele é um assassino de crianças. 

Desde que eu vi uma padaria bombardeada, e os corpos das crianças despedaçadas pelo bombardeio, eu não consigo dormir. Ontem vimos na televisão crianças sendo retiradas dos escombros de suas casas bombardeada em Aleppo, se nós ainda estivéssemos lá, essa história, poderia ser a nossa". 

Mais de 750 crianças encontram-se nos campos de refugiados, muitas delas, saíram de campos de refugiados ainda na própria Síria, deixando todos os seus pertences pessoais para trás, e vieram para o Líbano sem roupas e sapatos de inverno. 
Elas vêm recebendo ajuda e doações de algumas ONGs, além de terem recebido recentemente uma delegação de estudantes da Rafik Hariri High School, que esteve visitando o campo para fazer doações de alimentos, que foram comprados com o próprio dinheiro dos estudantes.

CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
30-12-2012

Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

3 comments:

  1. Bela matéria Claudinha, e muito triste tb. Espero que a onda de solidariedade se espalhe, cada vez mais, para que possamos ajudar essas crianças a superarem essa tragédia... Aqui no Bekaa tb estamos em campanha... A cada casa uma triste história. Que a esperança da vida, seja renovada com cuidado, afeto e ação. O problema das crianças sírias, em relação à escola, tb passa pela necessidade de aprenderem inglês, ou francês, para que possam acompanhar os estudos aqui. Espero que Hasan, junto com outras crianças, tenham a infância de volta...E uma vida linda! Obrigada pelo belo trabalho! Bjs Jeane

    ResponderExcluir
  2. Muito triste,ver ainda crianças passando por essas situações no mundo que vivemos.
    Sonhos e famílias destruídas.
    Parabéns,belo trabalho.
    Thaty anna.

    ResponderExcluir
  3. Realmente e muito Triste, e agora que o inverno esta chegando em seu auge no Libano eu nao deixo de pensar diariamente em todos os refugiados em barracas no meio do nada, sem agua, sem luz, sem aquecimento, com ventos fortes e gelidos, neve, chuvas, e me parte o coracao imaginar que essas pessoas estao passando por tudo isso.
    A sensacao de impotencia é grande.... =(
    Obrigada pelo feedback Jeane e Lenira!!!
    Bjssssss Claudinha

    ResponderExcluir