ABUSO DE AUTORIDADE EM BATROUN



Foto: Naharnet

O ex-candidato às eleições parlamentes, e artista independente de rap, Pierre Hachach, foi espancado e preso na ultima quarta-feira (21) por soldados da inteligência do exército, em Batroun, ao norte do Líbano. Segundo informações, o motivo teria sido uma crítica feita por Pierre em seu perfil do Facebook, sobre uma rotatória com o nome do comandante do exército, na cidade de Batroun que estava causando muito trânsito.
O exército enviou um comunicado na sexta-feira (23), alegando que tais comentários ofendiam a instituição militar e seus membros e por isso ele foi preso. Foi dito ainda, que Pierre tem vários processos judiciais contra ele, incluindo incitamento contra os militares. 
“O comando do Exército está interessado em preservar a liberdade de expressão, mas não vai tolerar qualquer violação servindo indivíduos em detrimento do superior interesse nacional. Hachach foi trazido sob investigação, por suas posições contra o exército na véspera do Dia da Independência, o que prejudicou a reputação da instituição, e a moral da corporação”, dizia o comunicado do exército. 
Sob a lei libanesa, o Exército pode deter alguém sem acusação por 48 horas e também prolongar o tempo de detenção, com a aprovação do Ministério Público. Pierre foi transferido para a sede da polícia militar em Trípoli na quinta-feira (22), e depois transferido para o Tribunal Civil de Baabda, onde ele é considerado uma testemunha em um caso civil, mas provavelmente ele será julgado no Tribunal Militar.
De acordo com seu advogado, Basem al-Aam, Pierre foi detido em plena luz do dia, e severamente espancado por homens de uniforme civil depois que estes o forçaram a sair de seu veículo, em Batroun. Uma fonte próxima à Hachach disse que a questão toda era resultado de uma disputa pessoal entre Pierre e o oficial da inteligência do Exército, o general Jean Kahwagi.
Noele Hachach, irmã de Pierre, afirma que viu seu irmão com um saco plástico sobre sua cabeça e sangrando, quando ele estava sendo transferido para Trípoli. "Eles cobriram a cabeça dele, porque estavam batendo muito nele, e ele já estava sangrando. Somos uma família que sempre respeitamos o exército, e essas acusações contra meu irmão foram fabricadas”. 


Emilio al-Zeer, amigo de Hachach disse que Pierre foi espancado, quando ele tentava se defender.
Em seu perfil no Twitter estava escrito: "O Exército é uma linha vermelha... o desfile militar é uma luz vermelha", mas tais comentários foram excluídos de sua conta, bem como o comentário feito no Facebook, que foi substituído por uma foto com gotas de sangue de Hachach nas escadas do Serail de Batroun, além de diversos apelos pedindo a libertação imediata dele. 
Segundo informações próximas a Pierre, ele recebeu um telefonema de um oficial de alta patente do exército neste mês, pedindo-lhe para baixar o tom da sua retórica, mas Hachach rejeitou o pedido, o que certamente resultou em sua prisão.
O tribunal militar ordenou na última segunda-feira (26) a liberação de Pierre, sem quaisquer encargos. "Hachach será liberado na terça-feira", dizia a página oficial protestando contra sua detenção no Facebook.
Pierre Hachach chegou à fama em 2005, quando se lançou candidato às eleições parlamentares de Batroun. Sua campanha de marketing, bem sarcástica, ganhou larga cobertura e atenção da mídia. Além de política e polêmica, Pierre gosta de compor também.
http://www.youtube.com/watch?v=Vk1oCDbrN1c 
http://www.youtube.com/watch?v=ZG2YO3rskn8 
http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=duav0LH8rog&feature=endscreen



CLAUDINHA RAHME 
GazetadeBeirute
02/12/2012

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