BASSIL X BUTEC

Foto: DailyStar-
A BUTEC, uma empresa privada, especializada em construção de obras gerais e projetos de infraestrutura, instalações industriais, de petróleo, Gás, além de serviços e manutenções, pretende mover uma ação judicial contra o Ministério de Energias, por violação de uma convenção anterior, para permitir a sua empresa de construir uma usina de energia em Deir Ammar, perto de Trípoli. "Estamos planejando arquivar este processo com o Conselho Shura e remeter o caso para o tribunal internacional. Nós não vamos ficar em silêncio sobre esta questão", disse Nizar Younis, presidente da BUTEC. 

Na quarta-feira (19), o Gabinete do Ministro das Energias anunciou que vai lançar outro concurso para a construção de novas usinas elétricas, para permitir que outras empresas internacionais façam seus lances. Esta medida irritou a BUTEC e seu parceiro espanhol Abener, que se recusam a participar de um novo concurso. "Isso é um abuso de poder. Nós oficialmente ganhamos o primeiro concurso e agora querem voltar para baixo de seu compromisso anterior da Administração de Concurso Público, que pertence ao escritório do primeiro-ministro", disse Younis. 

Ele acrescentou que o preço econômico oferecido por sua empresa em parceria com a Abener, foi o menor entre os licitantes, eles ofereceram $ 0,092 por quilowatt com a utilização de gás, ou $ 0,136 para cada quilowatt se outro combustível for utilizado na execução da planta, e que há dois fornecedores de turbinas a gás, a Siemens e a General Electric, que deveriam construir as turbinas a gás em Deir Ammar. "Se o governo decidiu construir uma usina de energia em 450 MW, a Siemens vai construir o projeto, mas se o Estado decidiu construir a usina com capacidade de mais de 500 MW, a General Electric fará o trabalho", disse ele, acrescentando que o custo total do projeto, de acordo com a Lei 181, é de 625 milhões dólares para a planta de 500 MW, e que a sua empresa ofereceu 565 MW por apenas R $ 600 milhões. "Nosso custo megawatt foi ainda mais barato do que a estimativa do Ministério da Energia", disse Younis. 

O chefe da BUTEC rejeitou as alegações do Ministério de Energia que eles têm recursos limitados para o projeto. "Em cinco parágrafos do plano do Ministério da Energia, o governo alocou US $ 1,6 bilhão para a produção e transferência de 700 MW", disse Younis.  

Segundo o presidente da BUTEC, o Banco Mundial aprovou as especificações anteriores elaboradas por uma empresa suíça, mas admite que o ministro das Energias e Águas Gebran Bassil, não assinou o contrato com sua empresa, embora tenha garantido que a empresa havia ganhado o concurso. Ele se recusou a dizer se a empresa espanhola vai também abrir um processo contra o Ministério da Energia. 

"A Espanha está frustrada com o comportamento do Estado libanês sobre este assunto, e parece que eles não querem se envolver mais em projetos futuros no país após essa experiência", disse Nizar. 

Bassil declarou que a BUTEC não está legalmente autorizada a processar o Estado libanês, ou recorrer à arbitragem internacional, porque de fato, ambos não assinaram nenhum contrato, e explica que as empresas venceram o concurso com base no custo de operação por quilowatt, e não no custo da construção. Segundo o ministro, ele pediu a BUTEC e Abener para baixar a primeira oferta que fez para 502 milhões de dólares, ou ele seria obrigado a abrir um novo concurso, nos próximos dois meses. 

O custo da planta foi de 160 milhões dólares, além dos do 502 milhões dólares ofertados para a construção, e Bassil pediu à BUTEC e Abener para abandonar os planos para a construção de estruturas desnecessárias em torno da planta, para reduzir custos. As negociações foram bem sucedidas em garantir uma redução de US $ 76 milhões, porém, na última quarta-feira (19) o ministro optou em lançar um novo concurso após rejeitar a possibilidade de alocar mais recursos para o projeto da BUTEC. Bassil disse ainda, que as empresas que perderam o concurso manifestaram a disponibilidade de baixar os preços abaixo do 502 milhões dólares disponíveis para o projeto. 

Younis alertou que o novo concurso vai demorar pelo menos 12 meses para ser concluído, e isso significa que o trabalho não vai começar antes de dois anos. Bassil disse que o Líbano terá 24 horas de eletricidade por dia, se todas as partes de seu plano original forem aprovadas para aumentar a produção. No plano original de Bassil ele pede um aumento da produção de energia elétrica a 5.000 MW ao longo dos próximos cinco anos, a um custo de US $ 5 bilhões. 

O Líbano receberá dois navios geradores de energia, da Turquia, dentro de quatro meses; os dois navios  têm 270 MW de capacidade e só isso permitiria a Electricité du Liban reduzir o racionamento de energia por uma a duas horas. Mas alguns especialistas em energia acreditam que esses navios são perda de tempo e dinheiro, em vista que o governo poderia economizar milhões de dólares se construísse duas usinas com mais de 900MW de capacidade.

O racionamento de energia no Líbano ocorre desde Líbano 1998 e isto deve piorar nos próximos anos, o aumento de consumo do país. Atualmente, as plantas de energia do país geraram menos de 1.400 MW, enquanto a necessidade excede 2.500 MW.

GazetadeBeirute
CLAUDINHA RAHME
24-12-2012

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