LÍBANO: HORA DE OLHAR PARA DENTRO



Faz quase sete anos que moro no Líbano e toda vez eu me deparo com as mesmas frases contra Israel e Estados Unidos. Eu sei que os árabes e eles não tem aquela relação de amizade, no entanto, eu primeiramente culpo o governo libanês por não fazer absolutamente nada pelo seu povo.

Conversando com o Professor Doutor Muhammad Zaiter, ele me especificou alguns dos problemas principais do país:

- Na área da saúde não há hospitais que cubram totalmente os custos, sempre o paciente tem algo a pagar e se ele não tiver condições ele simplesmente vai morrer sem atendimento.
-Não há escolas gratuitas para os alunos do Líbano, sempre há uma taxa que deve ser paga, mesmo em escolas públicas.
- As leis do consumidor não funcionam e muito menos os direitos dos trabalhadores.
-O trânsito não é organizado, semáforos muitas vezes não funcionam, e em diversos pontos náo há semáforos, e sim guardas de trânsito que confundem mais que resolvem. 
-Acidentes de trânsitos contínuos por falta de regras e organização.
- Falta de eletricidade. O governo oferece eletrecidade 6 horas, depois, o cidadão fica sem eletricidade as 6 horas seguintes ou é obrigado a consegui-la com geradores de eletrecidade particulares.
- Água falta muitas vezes e, em muitos bairros, a água é calcária e salgada.
-Não há saneamento básico.
-Suborno é algo que se tornou normal, e muito usado, é o famoso jeitinho. Ou então pessoas usam os conhecidos que têm alguma posição para se beneficiar de algo. O Líbano é um país pequeno, onde alguém sempre conhece alguém de influência.
-Tráfico de Drogas, principalmente nas áreas pobresdo país.  Drogas como cocaína, é muito caro no Líbano comparando com países como o Brasil, os traficantes estão cada vez mais ricos, e com conhecidos na polícia, muitas vezes não vão presos e se tornam mais ricos ainda, e os jovens correndo risco de se tornarem viciados.
- Falta de cuidado com o meio ambiente. Não há muitos trabalhos do governo direcionados a cuidar da parte natural do país. O que existe são ONGs que tentam fazer esse papel.  Até mesmo as ruas, muitas estão sujas, esgoto no chão, algo prejudicial não apenas devido à poluição visual, mas perigoso à saúde das pessoas.
-Idosos não possuem aposentadoria, apenas os que trabalharam em setores públicos e, claro, algo mínimo.
-Taxa de desemprego altíssimo, mesmo com um currículo super qualificado e sofisticado, arranjar um bom emprego não está nada fácil.
-Na área de prestação se serviço, há negligência, arrogância, corrupção com o cidadão libanês, inclusive em órgãos públicos do governo.
-Construções ilegais em áreas sem capacidade são permitidas em bairros do subúrbio de Beirute e em outras regioes.
-Produtos falsificados, inclusive remédios.  Entre eles há produtos vencidos sendo vendidos em grandes farmácias.
- Partidos políticos se confrontando todo tempo, todos com uma boa situação financeira e o povo com dificuldades para suprir as necessidades básicas.
-Não há incentivos culturais, o povo não lê e a maioria dos jovens (homens) não podem estudar, porque desde cedo são obrigados a trabalhar.

No final do dia, ainda ligamos a televisão e estão falando mal de Israel ou mal do Irã. E o povo libanês continua sem nada, sendo vítima e culpado de não poder e de não agir contra seu próprio governo que não faz absolutamente nada.
Não há mais espaços para política no Líbano, não devemos pensar nos partidos e suas divisões religiosas e sim no bem geral do cidadão libanês.
Quando converso com as pessoas, a primeira coisa que eles me dizem é que devo voltar ao Brasil, ter um passaporte brasileiro ou outra nacionalidade é um sonho para eles, pois muitos já perderam a esperança no seu próprio país.

Gazeta de Beirute-
ChadiaKobeissi
Edição: Claudio Cavalcante Junior
02-12-2012

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