Aprendendo as diferenças



Criados por uma empresa americana por volta de 1980, esses alimentos foram lançados no Brasil no final da mesma década. Atualmente estão por toda parte, até nas farmácias. Encontra-se hoje no mercado grande número de produtos especiais. Os mais comuns são os classificados como light, diet e zero, mas há também os chamados free ou low. Os dois últimos, aliás, ainda são raros no Brasil, embora sejam permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e pelo Ministério da Saúde. Os produtos light, diet e zero estão por toda parte, e dentro de 35% dos lares brasileiros, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos (Abiad), e a tendência do consumo é aumentar cada vez mais. Se questionadas, as pessoas com certeza não saberão dizer quem os criou nem o que significa cada um desses termos.

Tais produtos, vale destacar, foram desenvolvidos por volta de 1980 pela empresa americana NutraSweet, a mesma que detectou a necessidade de produzir os primeiros adoçantes artificiais para substituir os açúcares. Os produtos light, diet e zero foram lançados no Brasil no final daquela mesma década. O termo free é sinônimo de zero, e low, de light. Diet, light e zero, vale destacar, às vezes se confundem; existem casos em que um alimento light poderia ter estampado na embalagem o termo zero ou o free.

Ótimo que o Brasil tenha uma legislação específica sobre estes produtos. Foi um avanço. Mas ela tem deficiências e precisa ser aperfeiçoada. Um dos problemas está no fato de os alimentos poderem ser ao mesmo tempo diet, zero e free, por exemplo. Isso confunde os consumidores.

As pessoas, aliás, não devem adotar tais produtos por conta própria. Até porque nunca se fez uma pesquisa científica importante sobre os efeitos dos alimentos especiais nem dos adoçantes no organismo humano. O ideal, então, é solicitarem a orientação de um nutricionista sobre o uso deles. Além disso, é fundamental, antes de ingerir qualquer um dos produtos especiais, lerem as informações constantes na embalagem para saber se a substância que foi retirada ou diminuída é a que precisam evitar.

Uma pesquisa feita pelo PROCON em 2012  encontrou uma variação abusiva de até 168,86% nos preços de produtos diet e light em supermercados. O levantamento foi realizado pelo órgão de defesa do consumidor em cinco lojas, no período entre 1 e 10 de outubro, e foram verificados 142 itens de adoçantes, achocolatados diet, refrigerantes light, geleias diet de diversas marcas, entre outros. A média de variação dos preços foi de 50%, de acordo com a pesquisa, que teve como objetivo orientar os consumidores com diabetes.

A maior diferença apontada, de 168,86%, foi no valor do pacote de 1 quilo de um arroz parboilizado integral. O produto foi encontrado em um supermercado por R$ 2,89, e em outro, chegou a custar R$ 7,77.  O consumidor deve ficar muito atento a isso, e não se deixar ser enganado, e sempre que possível, fazer uma pesquisa dos produtos em vários lugares antes de pagar pecos abusivos. Outra conclusão apontada pela pesquisa, é que nenhum dos cinco estabelecimentos pesquisados, possuía todos os 142 itens diet e light da lista do PROCON nas prateleiras. Portanto, os consumidores devem ficar atentos as diferenças de cada alimento, e também aos valores de mercado, e não se enganarem com promessas que poderão prejudicar a sua saúde além de prejudicar o bolso, desnecessariamente.



Entenda as características de cada um e saiba como escolher o alimento mais adequado para a sua dieta

DIET: O termo só pode ser aplicado a alimentos destinados a dietas com restrição de nutrientes, como carboidrato, gordura, proteína ou sódio. Um chocolate diet, por exemplo, não contém açúcar. Já uma bebida diet deve possuir um teor de açúcar menor que 0,5g/100ml - esse limite pode ser maior nos refrigerantes dietéticos em que é adicionado suco de fruta. 

LIGHT: O termo light pode ser utilizado em produtos que tenham baixo ou reduzido valor energético ou valor nutricional. Os alimentos light devem ter no máximo 40kcal/100g em produtos sólidos. No caso de bebidas, a proporção é de até 20kcal/100ml ou a redução mínima de 25% em termos de calorias, em comparação com produtos similares convencionais. O produto ao qual o alimento é comparado deve ser indicado no rótulo.

Consumidores de Produtos Diet: Normalmente apresentam condições metabólicas ou fisiológicas específicas. Precisam de alimentos especialmente formulados, que eliminam ou substituem algum componente como o açúcar (diabéticos), e o sal (hipertensos).

Consumidores de Produtos Light: São pessoas saudáveis que buscam produtos com menos calorias ou com quantidade reduzida de algum nutriente, em comparação com o mesmo alimento em sua fórmula convencional. Esses alimentos são recomendados, por exemplo, em dietas para perder peso. 

ZERO: Os produtos zero, não possuem muita diferença quando comparados aos produtos diet, ou seja, há uma isenção em algum dos seus componentes nutricionais, que podem ser açúcar, sal, proteínas ou gorduras. O ideal é sempre dar uma boa olhada no rótulo para descobrir a que redução ele se refere. Muitas vezes, o lançamento de um produto zero pode ser mais jogada comercial do que efetivamente uma inovação.

A tendência de achar que quem está de dieta deve optar pelo zero é comum, porém, é muito importante observar que esses produtos podem apresentar mais calorias que os tradicionais, pois podem ser isentos de açúcar, mas apresentar maiores quantidades de gordura, a fim de conferir sabor. Neste caso, os alimentos tornam-se mais calóricos, não sendo recomendados para o controle de peso.

Esses produtos são mais eficientes para pessoas com restrições alimentares, principalmente relacionadas ao açúcar. Porém, a substituição de adoçante no lugar do açúcar pode ser prejudicial caso esses produtos não sejam consumidos com moderação. A sacarina e o ciclamato, tipos de adoçantes usados, contém muito sódio na composição, por isso pessoas com hipertensão, devem consumir com moderação. 

Existem produtos zero que também são light. Isso quer dizer que, além de isenção de algum componente, sua fórmula conta também com uma redução de, no mínimo, 25% de qualquer substância fornecedora de calorias, como gorduras e açúcar. O iogurte natural, por exemplo, é light porque tem seu teor de gordura reduzido e zero, ou diet, porque não tem açúcar. Os alimentos light são os mais indicados para quem quer perder peso, por isso, uma mistura de light e zero é uma ótima pedida. O alimento zero que tiver isenção de 100% de açúcar pode ser melhor para um diabético, mas não são indicados para qualquer pessoa. Crianças, por exemplo, só devem consumir esse tipo de alimentos se tiver alguma restrição alimentar.



                                     MITOS

É comum produtos diet serem associados a emagrecimento, mas muitas vezes o valor energético não é menor do que o de produtos convencionais. Pode até ser maior. O chocolate diet  não contém açúcar, mas é gorduroso e calórico – mais que o similar não diet.

Em outros casos, o nutriente eliminado (sódio ou proteína, por exemplo) pode não interferir na quantidade de calorias. 

Produtos light só ajudam a perder peso caso haja diminuição significativa no teor de algum nutriente energético. Também é importante ressaltar que o consumo em excesso de um produto que contém menos calorias em relação ao original pode encadear a ingestão de uma quantidade igual ou até maior de calorias, comparada ao consumo moderado de algo não light.

Chocolates

No chocolate diet, o açúcar é substituído pelo adoçante. Para preservar a consistência e torná-lo mais palatável, o fabricante muitas vezes adiciona gordura à fórmula, por isso o valor calórico aumenta. Assim, o produto é indicado para os diabéticos, mas não traz vantagem para quem quer perder peso.

O chocolate light traz a redução de algum nutriente específico ou do valor energético. É preciso consultar a tabela nutricional, na embalagem, para saber se essa redução é conveniente para a dieta do consumidor. Para quem tem alguma restrição alimentar, o chocolate light pode não ser o mais indicado.

Refrigerantes

Nos últimos anos os rótulos de vários refrigerantes foram alterados. O termo diet foi substituído por light. A Coca-Cola Light, por exemplo, é antiga Coca-Cola Diet. A mudança dos componentes edulcorantes (substâncias adoçantes) fez com que as bebidas ficassem mais saborosas. O açúcar continua eliminado da fórmula, por isso apesar do nome o produto ainda é considerado dietético.

A maioria dos refrigerantes light também pode ser classificada como diet, uma vez que é livre de açúcares. A confusão para os consumidores aumentou com a chegada da Coca-Cola Zero. Sua formulação é quase idêntica à da light, e ela também não possui açúcar. Essas apostas fazem parte de uma estratégia de marketing, que busca atingir públicos diferentes com produtos bastante semelhantes.

Regulamentação:

Os alimentos diet são regulamentados pelaPortaria SVS/MS nº. 29/1998, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já as bebidas diet são regulamentadas pela Instrução Normativa 29/99 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Os alimentos light são regulamentados pelaPortaria SVS/MS nº. 27/1998, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já as bebidas light são regulamentadas pela Instrução Normativa 29/99 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Rotulagem:

No caso dos alimentos diet, é exigência da ANVISA que todo produto contenha no rótulo a frase "Consumir preferencialmente sob orientação de nutricionista ou médico". 

Além disso, é aconselhado um alerta aos diabéticos quando o alimento contiver glicose, frutose ou sacarose, e o aviso "Contém fenilalanina" quando houver adição de aspartame à fórmula. 

No caso de alimentos que possuem em sua composição: trigo, aveia, cevada, centeio e derivados, o rótulo deve conter a advertência “Contém Glúten”. Caso contrário, deve conter a advertência: “Não contém Glúten”.

No caso dos alimentos Light, não é exigida nenhuma informação em especial no rótulo.

THERESE MOURAD
Gazeta de Beirute

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