ELE DORMIA COM TODAS MENOS COMIGO



Therese Mourad conversou esta semana com uma libanesa, que foi traída pelo marido, obviamente, ela pediu sigilo total sobre a identidade dela, e somente aceitou conceder a entrevista, ao saber que a Gazeta de Beirute é publicada em português e não em árabe, Frances ou inglês. 
Ela disse ser uma pessoa muito conhecida na sociedade, e que facilmente poderia ser identificada, portanto esse relato verdadeiro é exclusividade da Gazeta de Beirute.

Mariane: Antes de começarmos Sra. Therese, eu gostaria de dizer que quero ser chamada de Mariane, porque sou uma pessoa conhecida na sociedade libanesa, pode ser? A publicação da minha história será feita em português mesmo?

GB: Sim, claro que sim, não pretendo te causar problemas, passarei a te chamar de Mariane do inicio ao fim. 
E pode ficar tranquila, a Gazeta de Beirute é totalmente feita em português, eu te garanto. Claro que sim, como quiser afinal também não queremos causar problemas. 

Mariane: Ótimo, é melhor para mim, eu temo que alguém me reconheça, caso seja publicado em outro idioma, que não seja o português. 
Bom, eu nem sei por onde começar, mas vamos lá... Tenho 40 anos, venho de uma família influente e com ótima condição financeira, em casa somos todas meninas, não tenho irmãos, mas somos todas formadas nas melhores universidades do Líbano. 

Ha 12 anos, eu conheci meu marido, depois de romper um noivado de vários anos. 
Eu não estava procurando por amor, estava procurando por estabilidade e segurança, constituir uma família, afinal eu já não era tão jovem, estava com 28, 29 anos. 
Eu era bem sucedida profissionalmente, independente, e estava convencida que ele era a pessoa certa para mim. 

Ele era dez anos mais velho, também era bem sucedido profissionalmente, tinha um negocio próprio, era culto, de boa família, um homem muito respeitável, caseiro, sempre que eu ligava na casa dele, eu o encontrava lá, e ele era também muito cavalheiro. 
Então eu achei que a escolha era mais do que certa, e que o amor viria com o tempo. Ele era divorciado, mas não teve filhos com a primeira esposa. 
Em um ano, noivamos e casamos.
O nosso casamento já começou com a mãe dele fazendo atrito durante a festa. Em seguida, saímos do país, para a nossa lua de mel. 

Foi onde começou os meus problemas. Nossa lua de mel durou 15 dias, e ele só dormiu comigo uma única vez nesses 15 dias, ele me tratava muito bem, com muito amor e carinho, então eu tentei compensar a situação pesando essa parte e não dei importância ao caso. 
Quando voltamos para o Líbano, essa situação continuou, ele sempre muito amoroso, carinhoso, gentil, mas não tinha relações sexuais comigo. 
Uma vez a cada três ou quatro meses ele me procurava, e eu não achava aquilo normal na vida conjugal de um casal. 
Resolvi conversar com ele sobre o assunto, mas pensei muito antes de falar, pois temia muito machucá-lo, eu aprendi a amá-lo, porque ele me tratava muito bem com muito carinho, era generoso, então não tinha como não amá-lo. 
Amor são atitudes e não palavras, e conforme o tempo foi passando eu passei a amá-lo com loucura, foi nessa época que decidi tocar no assunto com ele, afinal, paralelo ao sexo eu também queria ter filhos. 

Quando conversei com ele, ele disse que não entendia o que estava acontecendo com ele, pois ele teve varias relações antes de nos casarmos, e falou que achava que de tanto que me amava, ele não conseguia fazer sexo comigo. 
De tanto amor que ele sentia por mim, ele tinha medo de fazer sexo comigo. E eu acreditei, pois ele não era de mentir, mas resolvi falar sobre isso com uma psicóloga, amiga minha, que me explicou que às vezes isso acontece sim, com homens e mulheres, que era algo raro, mas que acontecia. 
Ela me aconselhou a tentar novos métodos com ele, tipo me insinuar mais, criar um ambiente romântico, calmo, com luz de velas, etc. 

Eu comecei a seguir os conselhos dela, mas nada mudava, até que resolvi deixar quieto. 
Mas cutucava de vez em quando, pois se eu não cutucava, ele nunca tentava nada comigo, só beijinhos, abraços, dormir abraçado, mas não passava disso.
Eu queria muito ter um filho, mas eu nunca conseguia engravidar, porque tínhamos poucas relações sexuais, então eu pedi a ele para irmos ao medico para fazermos exames para ver se estava tudo normal. 
No inicio, ele se recusou a ir, mas depois de muitas brigas, ele concordou. Nós fizemos vários exames, e eu soube que ele não podia ter filhos. 
Conversamos bastante, e eu decidi fazer o tratamento para engravidar através de inseminação artificial. 

Esse tratamento exige muito repouso, um ambiente calmo, onde eu não podia me alterar, o que era muito difícil, pois cada vez que eu tomava as injeções, e precisava ficar 15 dias de cama, ele arrumava todo tipo de briga comigo, para me deixar furiosa, e claro, a gravidez não vingava. 
Ele fazia tudo que a mãe dele falava, e ela era o motivo de todas nossas brigas, ele queria na nossa casa que tudo fosse igual na casa da mãe dele, as comidas, o jeito de limpar e arrumar a casa, tanto que todas as empregadas que tivemos, mal chegavam e já imploravam para ir embora, a que ficou por mais tempo, ficou 10 meses. 

Mas depois das brigas, ele voltava para casa com um buque de rosas com um belo presente, e me enchia de palavras doces, e eu acabava perdoando. 
Um fato que não mencionei, a irmã casada dele, não teve filhos, e adotou um bebê, o irmão, tem um filho com um tipo de retardamento, embora a filha dele seja normal. 
Então eu estava convencida que o problema era hereditário. 
Um dia ele chegou e me disse que iria adotar uma criança, e que essa criança estava prestes a nascer. No inicio me recusei, pois eu queria tentar ter meu próprio filho, queria engravidar, e ele falou que queria muito essa criança, e eu fiquei muito indecisa, pois eu também queria muito um filho. 

O menino nasceu prematuro, e eu fui vê-lo na UTI do hospital, tão pequeno e frágil, quando eu o vi eu concordei em adotá-lo. 
Essas coisas aqui são muito difíceis, e feitas de maneira ilegal, direto da mãe para o adotante, e tudo muito caro. 
Só assim para adotar e colocar a criança direto no seu nome, e não como adotiva, no documento dela. 

Nos pediram uma quantia muito alta, na época tínhamos acabado de comprar essa mansão, e ele queria que a minha família pagasse a quantia pedida pela adoção, fiquei perplexa e fingi não ouvir o que ele tinha acabado de falar, e no fim, os pais dele pagaram a quantia pedida. 
Trouxemos o menino para casa juntamente com uma baba e enfermeira lá do hospital, pois a criança era muito pequena, precisava de cuidados especiais, e eu não tinha experiência alguma com recém-nascidos. 

E nesse mesmo dia, a mãe dele fez um atrito em casa com a minha mãe, e depois que todos se foram, ele começou a gritar feito louco, e quando eu respondi pra ele, ele me bateu. 
Ele me pegou pelo cabelo e quis me jogar para fora de casa, nesse momento a babá e a empregada interferiram na briga, e o afastaram de mim, e tentaram acalmá-lo, mas nós ficamos quase um mês sem nos falarmos dentro da mesma casa, as visitas entravam e saiam o tempo todo, e nós só nos falávamos na frente delas.
Depois de um mês voltamos a nos falar, mas ele não voltou a ser como era antes, passou a ser mais agressivo, não era mais carinhoso comigo, parecia que eu era irmã dele. Mas fiquei quieta, pois eu não queria mais brigas, e achei que era uma fase, e que aquilo tudo iria passar. 

Um dia, pela manhã, depois que ele saiu para o trabalho, a empregada veio ao meu quarto chorando, dizendo que ele tinha feito sexo com ela, eu comecei a tremer, mas tentei me controlar na frente dela, pois eu queria saber os detalhes, e ter certeza que ela não estava mentindo, e ela me falou de sinais no corpo dele, e coisas absurdas. 

Mandei-a para o quarto dela, e avisei a outra, para não deixá-la sair de casa. Fiquei louca, pensando: “Será que esse homem é capaz de fazer isso comigo? De não ter relação comigo, a esposa dele, para ir fazer com a empregada?”. 
Fiquei furiosa, e quando ele chegou, eu comecei a gritar e chorar feito louca e ele ficou tão surpreso, que não conseguia nem falar, e lógico negou tudo. 

Foi aí que eu chamei a empregada, e coloquei os dois frente a frente, e é claro, descobri que era ele quem estava mentindo, e não ela. 
Eu a mandei de volta para o país dela, e deixamos de nos falar novamente. 
Eu resolvi colocar alguém atrás dele para investigá-lo. Para a minha grande surpresa, o homem tão gentil, carinhoso, que me amava muito, e com quem eu passei tudo o que eu já havia passado, era um mulherengo profissional, que saia com prostitutas, e tinha uma vida sexual normal fora de casa, mas comigo, nada. Por quê?

Eu descobri que ele tinha se casado comigo por interesse, porque eu sou uma das herdeiras de um homem com muitos bens e dinheiro, e que a mãe dele quem quis que ele se casasse comigo. Ele virou outra pessoa, agressivo, estúpido, mal educado, sempre arrumando brigas e discussões em casa, e eu fui obrigada a contar tudo para minha família, que ficou louca da vida, e me pediu para eu me divorciar dele imediatamente.

GB: E o que você fez?

Mariane: Se eu me divorciar, ele levará o menino, meu filho, que é a minha vida e tudo o que me importa.

GB: Mas com todas essas evidências, há grande possibilidade do juiz te dar a custodia do seu filho.

Mariane: Eu sei, mas ele me ameaçou, que se isso acontecer, ele dirá no tribunal que nosso filho é adotivo, o que é muito fácil de provar com exame de DNA, e eu tenho medo de desmoronar o mundo do meu filho. 
Ele é muito materialista, só se importa com o dinheiro, não vai pensar nos sentimentos da criança. 
Vivemos até hoje na mesma casa, mas não temos contato algum, nem mesmo amizade, só de aparências.
Eu vivo assim pelo meu filho, quando ele crescer, será diferente, mas ele ainda é pequeno só tem 7 anos, e eu jamais conseguiria viver sem ele. 
Meus pais não estão felizes com a minha vida, mas sabem que não podem me obrigar a nada. 
E essa é minha história, eu não desejo isso a ninguém, mas continuo levando essa vida pelo meu tesouro, o presente que Deus me enviou, meu filho. 
Não sou mãe biológica, mas sou eu quem o cria e o ama mais que tudo na vida.

GB: Obrigada Mariane por compartilhar conosco o seu relato de vida, espero que você possa encontrar paz e a felicidade na tua vida. 

Mariane: Obrigada Therese, e, por favor, cuidado com tudo o que te contei, eu não quero que ninguém saiba quem eu sou. Eu queria dar um recado a todas as mulheres: “Sempre confiem, desconfiando, sei que os homens não são todos iguais, mas mesmo assim tenham cuidado”. E obrigada Therese por você ter vindo aqui conversar comigo, e me deixar contar a minha história, ainda que sem me revelar. 
GB: Fique tranquila, seu sigilo é nosso, e você não tem o que agradecer Mariane, a Gazeta de Beirute é quem agradece pela confiança que você nos deu.


THERESE MOURAD
GazetadeBeirute
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1 comments:

  1. Noooossaaaaa, que vontade de quebrar a cara desse cara . Nao sei como essa mulher consegue ainda viver na mesma casa que ele . Imaginem so' quanta magoa ela carrega . Se os pais dela a apoiam e querem ajuda-la ,mesmo o flho podendo saber que e' adotivo, nao vejo o porque continuar nessa infelicidade. Mariane, sai logo dessa tristeza amiga,parte pra outra e vai ser feliz com seu filho.

    Carla

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