Enchentes e Neve em todo o Líbano


Em 1963, o Líbano enfrentou fortes tempestades e inundações em vários lugares, e as temperaturas baixaram a ponto de nevar na capital libanesa. 
Esse ano, o mesmo episodio se repete, e novamente o país enfrenta tempestades, inundações, e nevascas na capital libanesa e em toda a sua costa. 

As fortes tempestades causaram muitos problemas em todo o país, e de acordo com Mona Shahine Khauli, do Centro de Meteorologia Nicholas Shahine, esta é definitivamente uma das mais fortes tempestades nos últimos 25 anos. 

Mona disse que esta tempestade vinda da Rússia, é muito rara, e o Líbano não assiste nenhuma igual, há décadas. 

Ela explicou que a pressão barométrica caiu para 750, e que os ventos em Ras Beirute atingiram 82 quilômetros por hora, e que essa pressão é a menor vista nos últimos anos, e isso é o que tem sugado o vento e a chuva pesada. 

Mona afirmou ainda, que vários fatores, como o aquecimento global têm alterado os padrões climáticos em todo o mundo, mas relembrou que tempestades como essa já ocorreu antes, como a que teve em 1991, e outra em 1983, onde 23 pessoas morreram, e centenas desapareceram em Dahr AL-Baidar. 

"As pessoas precisam saber que não é alarmante, isso já aconteceu antes, mas é grave" disse ela.  

A Aviação Civil disse que a chuva já havia atingido 624 milímetros desde setembro, quase o dobro da média de 367 para esta época do ano.

A tempestade, que começou no sábado à noite, atingiu seu pico na madrugada de segunda-feira, e continuou ainda mais intensa até quarta-feira.

Autoridades alertaram a população a permanecer em casa nos dias subsequentes e evitar sair durante as fortes tempestades de chuva e neve, e o Ministério da Educação cancelou as aulas em todas as escolas, publicas e privadas, durante toda a semana. 

Durante quase dois dias de chuva pesada, a região de Karantina, em Beirute, se transformou em um rio, e o Corpo de Bombeiros resgatou dezenas de pessoas presas nas ruas alagadas da capital, principalmente nesta área. 

Houve cortes frequentes de energia em diversos lugares, diversos danos materiais, quedas de outdoors e arvores, deslizamentos de terra, além de diversas estradas fechadas  em vários lugares em todo o país, devido às enchentes ou nevascas. 

E para piorar a situação, eletricistas decidiram entrar em greve para protestar o corte dos prêmios e subsídios no último orçamento, o que prejudicou ainda mais a população. 

Os voos no aeroporto de Beirute não foram afetados pela nevasca, apesar das inundações terem atingido boa parte do desembarque de passageiros, mas as operações marítimas nos portos de Sídon e Tiro foram interrompidos. 


Um deslizamento de terra na estrada principal de Nahr al-Mot,  deixou vários motoristas presos num pântano lamacento, e em Antelias, o primeiro andar de um edifício foi inundado após o Rio Antelias transbordar. O Rio Nahr El Kalb também transbordou, interditando a estrada costeira que leva a Dbaye.

O Exército libanês resgatou um grande número de cidadãos presos em seus veículos durante nevascas e inundações, especialmente na região de Baalbek, e Akkar no norte do Líbano, bem como em Jbeil e Kesrouan, norte de Beirute. 
Em Abrin, distrito de Batroun, a biblioteca pública foi inundada e cerca de 10 mil livros foram destruídos, a prefeitura vai processar a empresa responsável pela contratação de projetos de saneamento na área. 

Em Trípoli, a equipe de emergência do município permaneceu em alerta, desviando a direção da água da chuva através de canais, a fim de evitar inundações nas ruas e estradas. 

Mas apesar dos esforços do prefeito e sua equipe de contingencia, um deslizamento de terra quase matou uma família de 9 pessoas. 
A família conseguiu sair de dentro da casa, minutos antes de tudo desabar, e foram para a casa de parentes. 

George Kettaneh, chefe da Cruz Vermelha libanesa, disse que 126 pessoas ficaram feridas em acidentes de carro, devido ao mal tempo nestes dias.


 O mal tempo causou também a morte de 7 pessoas, inclusive a de um bebê de sete meses que foi levado pela água da enchente. 


Youssef al Fadel, filho de uma família de pastores libanese de Deir Zannoun, no Bekaa, vivia numa barraca ao pé da colina de Jadra em Iqlīm al-Kharroub. 

Segundo Abdo, de 10 anos, irmão do bebê, a família estava dormindo na barraca quando ouviu um barulho estranho, e acordou com a água inundando a barraca. 

Durante a fuga, o pequeno Youssef escorregou dos braços de sua mãe, e foi levado pela força da água. 

A Defesa Civil e equipes de busca, ainda não conseguiram encontrar o bebê, mas resgataram as três famílias que viviam nas 12 tendas na colina, mas infelizmente as 300 cabras dos pastores morreram na tempestade. 

A família ainda continua procurando pelo corpo do bebê, mas o mal tempo não tem colaborado nas buscas. Em Beirute, um sem-teto também foi encontrado morto na rua, em virtude do frio.  

Em Hermel Mohammad Adib Shahine, de 25 anos, morreu após ser derrubado pela força dos ventos de um poste de eletricidade, enquanto trabalhava para restaurar a energia da região. Joseph Antoine Sfeir, de 69 anos derrapou seu carro na estrada Zhaima – Mansourieh, devido à chuva forte, e também perdeu a vida. 

Em Bar Elias, no Vale do Bekaa, Mohammad Qaadaan, 50 anos, morreu afogado, e seu corpo foi encontrado depois de dois dias, no Rio Ghazayyel, perto da cidade de Deir Zannoun. 

Não se sabe ainda as circunstancias que o levou a se afogar, mas acredita-se que tenha sido durante a enchente. 

O prefeito de Bar Elias, Naji al-Mays, declarou que uma área afetada, por graves inundações deixou algumas famílias desabrigadas. 

Moradores locais e autoridades disseram que a inundação foi causada por esgotos entupidos, construção ilegal nas margens do rio Litani.

Foto-Khadija Baki

O Norte do Líbano também passou por forte nevasca, especialmente em Dinnieh e Bsharri que tiveram um metro e meio de neve em alguns lugares.

Muitas das estradas de montanha ficaram intransitáveis, isolando aldeias inteiras.  As autoridades pediram aos Ministérios de Obras Publicas e Transportes, e ao Ministério da Energia, que restaurar imediatamente a energia nessas cidades isoladas, porque algumas ficaram sem energia por vários dias.

Em Hay al-Sellom, subúrbio ao sul de Beirute, o Rio Ghadir transbordou causando inundações que atingiram diversas residências e estabelecimentos comerciais. 

A população precisou evadir a cidade com a agua pela cintura, tentando resgatar o que podiam de suas casas e comércios, em direção a Choueifat, onde o prefeito Melham al-Saouqi, declarou aos ministérios relevantes a situação da cidade, e solicitou auxilio a população. Voluntários criaram barricadas com sacos de areia para tentar controlar a água. 

Mohammad Tai, que ajudou na construção da barricada e também teve seu apartamento inundado disse que somente recebeu ajuda de vizinhos e do Hezbollah, para se retirar de sua casa, inclusive no transporte de seu pai paraplégico. 

Varias pessoas tem relatado os esforços do Hezbollah no auxilio aos moradores da cidade. Salman Qassem, outro morador, disse que a cidade não foi preparada para lidar com esse tipo de desastre natural, que não há infraestrutura adequada na cidade, e que a construção de um esgoto central poderia ter impedido o que aconteceu. 

O Ministro das Obras Públicas, Ghazi Aridi, alertou que a estrutura desses edifícios inundados foi comprometida, e que por eles terem sido construídos de forma ilegal e sem a infraestrutura adequada, eles vão desabar. 

O chefe da Comissao Parlamentar de Obras Publicas, Transporte, Energia e Agua, Mohammad Qabbani, culpa as violações e má manutenção pelas mortes ocorridas, e diz ainda que a principal causa do transbordamento do Rio Beirute são as violações de uma empresa de construção, que reduziu a hidrovia do rio, e que violações semelhantes também foram à causa da inundação de outro rio do país. 

Saad Hariri também atribui o colapso das estradas, à falta de manutenção e canais de irrigação das águas, além da falta de manutenção em pontes, e solicitou a criação de um comitê de gestão de desastres.  

Em virtude das tempestades, e das crescentes críticas, o Conselho de Ministros aprovou um financiamento adicional de US$2 milhões para ajudar os mais necessitados.

Após as tempestades e a volta da normalidade do clima de inverno, algumas escolas eabriram e muitos libaneses voltaram ao trabalho e às suas atividades normais, e o transito nas primeiras horas da manhã tornou a surgir, com pessoas retornando ao trabalho e ônibus escolares levando as crianças para as escolas. 

Mas aqueles localizados em áreas remotas do norte, leste e sul do país permanecem ainda dentro de suas casas, devido à neve persistente. 

O Ministro da Educação, Hassan Diab, pediu aos diretores de escolas que compensem os alunos pelos dias de aulas perdidos.

O Hezbollah disse em um comunicado na sexta-feira (11), que os tratores que possui têm reaberto as estradas em Hasbaya, Kfar Shuba, Arqoub, Hammam e Kfar Hebbarieh que estavam fechadas pela neve. 

No Bekaa, as atividades voltaram ao normal, após o meio dia. 

No sul, os portos de Sidon e Tiro, após 4 dias sem atividade, reabriram e retomaram suas atividades normais e dois navios entraram no porto trazendo veículos, um barco de transporte de óleo diesel também aportou em Zahrani. 

Durante toda a sexta-feira, pescadores estiveram trabalhando na remoção do lixo causado pela tempestade, levando-o para os barcos de captura de lixo ancorado no porto, para levar todo o lixo acumulado nos dias em que os portos permaneceram fechados.




NEVE EM BEIRUTE:



NEVE NA COSTA DO LIBANO:


NEVE EM JOUNIEH:


CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
12-01-2013
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