Líbano Proíbe Importação de Carne Brasileira


O Ministro da Agricultura Haji Hasan emitiu um comunicado no último dia 2, comunicando a proibição temporária da importação de gado, bem como a carne - refrigerados e congelados - do estado brasileiro do Paraná por medo da doença da vaca louca. 

A proibição emitida pelo ministro diz que a importação será suspensa até novo aviso. O Líbano importa de um grande importador uma porcentagem considerável de carne e gado do Brasil. 
A decisão veio dias depois que o Egito, o terceiro maior importador da carne brasileira, também suspendeu as importações do Paraná, onde um caso da doença da vaca louca atípico no maior exportador mundial de carne foi confirmado. 

A África do Sul, Japão, China, Coréia do Sul, Taiwan, Jordânia, Chile e Arábia Saudita proibiram a importação de carne bovina brasileira, desde que a mídia relatou o caso, no início de dezembro. A Jordânia suspendeu as compras apenas do Paraná, e o Chile somente de farinha de carne e ossos do rebanho bovino brasileiro.

De acordo com a embaixada do Líbano no Brasil, o produto foi considerado não aconselhável ao consumo, e a suspensão temporária poderá ser revertida por meio de novo comunicado, e que essa restrição somente será desfeita quando forem apresentados novos dados sobre as condições da carne produzida no Paraná, e sobre o risco de consumo. 

O Ministério da Agricultura brasileiro informou que ainda não recebeu nenhuma notificação oficial do país, e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior defende que a carne brasileira passou por testes, e que seu consumo não oferece riscos à saúde humana. 
Desde que os primeiros países anunciaram o embargo, o Brasil tem feito esforço para tentar reverter à suspensão, prestando esclarecimentos sobre a doença. 

A ministra interina do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, disse que na avaliação do governo, não há justificativa para as barreiras aos produtos brasileiros. Segundo a secretária, as referências sanitárias adotadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) colocam o Brasil em nível mínimo de risco. Assim sendo, as barreiras que são colocadas agora são incompatíveis com as regras da OMC. 
“A mensagem é que se não há respaldo nas regras internacionais essas barreiras são injustificáveis”, disse Tatiana. Ainda de acordo com Tatiana, o comércio externo brasileiro foi atrapalhado por três fatores no ano passado: preços de produtos em queda, retração de mercado e ações protecionistas. E é nessa terceira colocação que a secretária encaixou as restrições à carne brasileira.

Em 07/12/2012, o governo brasileiro confirmou a ocorrência de um caso "não clássico" do mal da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina, ou EEB) no Paraná, e no mesmo mês, o Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ênio Marques Pereira anunciou que o governo brasileiro dará prazo até março aos países que embargaram as importações do produto, para que eliminem as medidas restritivas. Caso contrário, o Brasil registrará queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC). 

O animal portador do agente morreu em Dez/2010, mas o episódio somente foi divulgado pelo governo brasileiro em Dez/2012, porque segundo o governo brasileiro, não há risco de contaminação, já que o país não possui a doença em seu rebanho. O caso foi considerado "não clássico", porque o animal não desenvolveu o mal, e morreu por outros motivos, a doença foi registrada no Paraná, e pela primeira vez no país. A hipótese defendida pelo Ministério da 

Agricultura é que tenha ocorrido uma "mutação espontânea", dando origem ao agente causador.
Lembrando que, o Brasil é o primeiro país do mundo que tem a carne bovina certificada, ainda que apenas para consumo dos brasileiros, não ainda para exportações. 

A parceria entre o Carrefour e a Marfrig, deu ao Brasil o “selo verde" FSC, uma certificação que garante aos consumidores que a carne e outros produtos de origem bovina, vindo de fazendas certificadas, foram produzidos com responsabilidade socioambiental, contribuindo com o bem-estar dos trabalhadores, e proteção ao meio ambiente. 
Atualmente os animais são provenientes das quatro fazendas do grupo “Fazendas São Marcelo”, localizadas em Tangará da Serra, no Mato Grosso, e além destas quatro, mais uma está sendo avaliada também no Mato Grosso. 
De acordo com o secretário-geral do Imaflora, organização responsável pela concessão do certificado no Brasil, Mauricio Voivodic, "A produção até o final do ano foi de cerca de 20 mil cabeças certificadas pelas fazendas. Como a Marfrig é patrocinadora da Copa do Mundo, e há o interesse de outros setores na carne sustentável, como o de restaurantes, esse número certamente vai aumentar".

Em outro caso separado, o parlamentar Assem Araji expressou preocupação sobre o perigo potencial para a saúde resultante de um navio com vacas doentes ainda no porto de Beirute. Araji teme que o navio Zaher, ancorado no porto de Beirute, se transforme em um desastre ambiental e da saúde, e que afete o porto e as águas territoriais libanesas, e ainda perguntou ao Ministro da Agricultura: "Qual é o intuito de deixar o navio atracado no porto até agora, sabendo que as vacas estão morrendo no navio a cada dia? É preciso tomar uma ação decisiva e exigir que o navio deixe o porto de Beirute imediatamente".

O Ministro da Agricultura Hajj Hasan, disse que os veterinários examinaram os animais do Zaher 5, e que eles descobriram que algumas das 79 vacas a bordo do navio, sofriam de sintomas de diferentes tipos de doenças, e que a sua entrada no país foi proibida, levando o comerciante dos animais a contestar a decisão do Ministério da Agricultura. 


GazetadeBeirute
CLAUDINHA RAHME

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