Mia Farrow visita refugiado sírios no Líbano



Recentemente a atriz norte americana, Mia Farrow, que também é Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF, visitou os refugiados sírios em Wadi Khaled, e no Vale do Bekaa, e pediu para que a ajuda humanitária global aos refugiados aumentasse.

Farrow reconheceu também o esforço extraordinário do governo libanês de acolher os refugiados, e disse que nem todos os países querem abrir suas fronteiras para tantas pessoas, enquanto que o Líbano abriu, e que ela viu que muitas crianças sírias estão na escola, junto com as crianças libanesas.

Ela ficou impressionada com a hospitalidade aos refugiados, mas disse que é necessário um apoio maior também para aliviar a pressão sobre as famílias libanesas que os ajudam, porque são as famílias mais pobres que estão acolhendo os refugiados, mas o que a comoveu profundamente foram as milhares de histórias que ela ouviu das famílias refugiadas, e disse que ela aprendeu muito em pouco tempo, com pessoas que não tinham nada.

"Uma família libanesa acolheu cinco famílias sírias em sua casa, que tinha apenas uma sala de estar, dois quartos e uma cozinha. Havia 45 pessoas vivendo nesse pequeno espaço, por quase um ano, até que o ACNUR construiu uma casa para eles. Uma avó com lágrimas correndo pelo rosto disse que essa família a levantou, o marido dela havia sido morto e esta família levou-a para dentro de sua casa".

Apesar de ter sido a protagonista de vários filmes de seu ex-marido Woody Alen, Farrow ficou mais conhecida pelo seu trabalho humanitário com os sudaneses, na guerra de Darfur, e quando a imprensa lhe perguntou o que ela havia aprendido no Sudão, que poderia ser aplicado no Líbano, ela respondeu que não havia como comparar o sofrimento, porque a situação era muito diferente, e que esses refugiados estão em um número tão crescente, que eles estão constituindo uma nova comunidade dentro do país, mas as condições em que eles estão vivendo é desoladora.

Farrow disse que o Líbano contava com aproximadamente 4 milhões de habitantes, antes da chegada dos refugiados, e se o afluxo de refugiados chegar a um milhão, aumentará ainda mais pressão sobre o país, sobre a sociedade, alterará a demografia do país, e também aumentará a pressão sobre os recursos da UNICEF, e que é necessário que haja uma assistência global para essas pessoas. 

A representante da UNICEF no Líbano, Anna Maria Laurini, confirmou que os recursos da instituição para atender os refugiados, não são o suficientes, que o financiamento é curto e que não há verba suficiente para fazer muita coisa por essas pessoas.

Farrow criticou a parte política da ONU, e dize que o estado de paralisia da organização não servia para ninguém, e que o que funciona mesmo na ONU são as agências humanitárias, porque apesar das obras da UNICEF, da ACNUR e do Programa Alimentar Mundial, serem subfinanciados, e eles estarem trabalhando 24hs em prol de quem precisa, infelizmente não há como atender a todas as necessidades.

"O meu apelo para o mundo é: Vamos ser uma comunidade. Nós nos chamamos de uma comunidade internacional, e quando pessoas inocentes estão sofrendo a este grau, certamente todos nós podemos acelerar”.

Assista ao vídeo a seguir, e leia a transcrição do que ela falou no vídeo, logo abaixo:


"Uma catástrofe de enormes proporções, vêm se desdobrando na Síria. E as pessoas estão fugindo para os países fronteiriços. Aqui no Líbano, 75% dos refugiados são mulheres e crianças, e eles vêm para cá com nada, absolutamente nada. Eles não têm documentos, suas casas foram destruídas, eles vêm traumatizados - isto é muito evidente.

Pessoas sem casacos, pessoas sem sapatos, sem meias, pessoas sem nenhum plano sobre o que vai acontecer.
Uma mulher me descreveu o sentimento, disse que era humilhante esperar por esmolas.  Às vezes, as esmolas vêm, às vezes não. Ela disse que quer ir para casa, quer que haja paz, quer voltar para casa com dignidade. 

Fomos para passar algum tempo com uma comunidade que vivia nesses campos improvisado - você não pode mesmo chamar-lhes tendas - porque elas são remendadas com pedaços de materiais e papelão - e por causa das chuvas e da neve, e este inverno sem precedentes, as tendas estão em um mar de lama. É insalubre e inabitável.

Eu não sei o que vai acontecer com eles porque outra grande tempestade é esperada nos próximos dias.
Eu sei que a UNICEF é subfinanciada, mas é uma situação desesperadora. 

O que vai acontecer com todo mundo? Estou aqui vendo a frustração dos trabalhadores humanitários e a agonia do povo. 
É difícil, mas nós podemos ajudar".


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CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
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