Morte de sem teto comove estudantes da AUB



Foto: Beirut.com
A morte na Bliss Street, do sem teto Ali Abdullah em meio a uma das tempestades mais ferozes nas ultimas décadas no Líbano, na noite da ultima segunda-feira (7), provocou comoção em funcionários e estudantes da Universidade Americana de Beirute, e discussões sobre a falta de apoio do Estado em relação aos desabrigados no Líbano, inclusive na falta de um abrigo oficial para acolher essas pessoas que vivem nas ruas.

Abdullah foi encontrado morto em frente ao McDonalds às 14h30min e conduzido ao Hospital Makassaed. 
O sem teto vivia na Bliss Street há mais de 10 anos e era ajudado por comerciantes da rua que forneciam-lhe roupas, alimentos, banho e corte de cabelo. 

Ele era uma figura conhecida e pacífica dos estudantes e transeuntes da região, que se comoveram com sua morte tão triste e solitária. 
Lojine Kamel, Psicóloga graduada da AUB e repórter do blog “Beirut.com” fez um discurso eloquente sobre a morte do sem teto: “Eu sempre fiz questão de sorrir para ele sempre que eu passava, mas quando me lembro de que ele está morto, vejo que um sorriso não significa nada agora. 

Por que nós esperamos tanto tempo para se importar? Por que é que a única coisa que posso ter certeza é sobre a morte dele, e não a sua vida? O que isso diz sobre o nosso tratamento para com os doentes mentais? Que a morte dele, sirva de um lembrete de que a vida é muito mais importante do que a morte. 

Que a nossa sociedade se lembre dele como a alma gentil que vagava pela Bliss Street, porque ele sempre será o Ali da Bliss Street”.

Rumores começaram a circular, de que ele um dia teria sido um professor de Matemática, ou de Física, da AUB, mas nenhum registro com o nome dele foi encontrado, até porque não há certeza de que este era seu nome verdadeiro também. 

Frequentemente ele era visto falando sozinho e gesticulando, e um psicólogo clínico da AUB o teria diagnosticado certa vez como esquizofrênico.  
“Agora que ele está morto, eu percebo quão cruel o mundo foi para ele. 
Mentalmente doente e pobre, Ali viveu na Bliss Street através de uma década de dificuldades e pobreza”, disse Kamel
Várias ONGs vem trabalhando juntamente com o Ministério dos Assuntos Sociais no fornecimento de donativos aos refugiados, mas como o numero de refugiados vem aumentando, e o inverno continua rigoroso, as doações não devem cessar tão cedo. 
Cobertores, sacos de dormir, roupas, utensílios domésticos, tudo vem sendo recolhido no Café Nasawiya em Mar Mikhael, antes de serem distribuído aos necessitados e também aqueles cujas casas foram destruídas durante a tempestade.  

O “Anti-Racism Movement”, está coletando doações para distribuir a quem precisa durante o forte inverno do Líbano, inclusive os refugiados, e Karim Badra, um estudante que ficou revoltado com a morte do sem teto, decidiu se unir ao grupo e ajudar na distribuição de cobertores para outros moradores da Rua Hamra, e a quem mais necessitar. 
Segundo Farah Salka, do “Anti-Racism Movement”, esse tipo de campanha ganha impulso diante de tragédias, pois depois da tempestade está sendo mais fácil falar com as pessoas e sensibiliza-las a doar, eles têm distribuído por enquanto os donativos apenas na capital, mas Salka almeja atender Sídon também. 
Badra ficou feliz de ver as pessoas falando sobre o assunto, e espera que os acontecimentos recentes mobilize a sociedade a prestar assistência de forma diferenciada a esses necessitados, ao invés de apenas jogar ajuda à eles, e complementou dizendo que trabalhar ao lado de grupos mais organizados foi importante pra ele, que sentiu uma grande empatia em falar com as pessoas necessitadas e compreende-las. 
Michel Khoury, do grupo “Fighting Homeless in Beirut”, vem realizando uma pesquisa em atitudes que cercam os sem teto no Líbano e a melhor forma de ajuda-los.
Outro grupo de ajuda aos necessitados é o Food Blessed, formado por três voluntários em parceria com ONGs que já trabalham com pessoas necessitadas e em parceria com empresas que tem compromisso de responsabilidade social corporativa. 

A Food Blessed também tem trabalhado com os donativos no Café Nasawiya este mês. 
Uma das cofundadoras do grupo, Maya Terro, diz que a Food Blessed também aceita sobra de comida de eventos, festas e casamentos, e depois as distribuem para as instituições de caridade. "Nós tentamos conscientizar a sociedade de que as pessoas não sentem fome apenas no Natal ou no Ramadan, mas todos os dias”, disse ela.

Se você mora no Libano, e gostaria de mostrar a sua solidariedade à quem necessita, tente entrar em contato com as ONGs abaixo: 

Anti-Racism Movement: http://www.facebook.com/ARMLeb 







CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
11-01-2013
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comments:

Postar um comentário