Refugiados Sírios Preocupam o Governo e a Igreja


De acordo com os dados do Alto Comissário da ONU para os refugiados, mais de 180.000 sírios e 13 mil palestinos fugiram para o Líbano desde o inicio dos confrontos em Março de 2011, e pela primeira vez a Igreja Maronita expressa sua preocupação sobre o aumento de refugiados no país, e pede ao Estado para tomar medidas para resolver a situação. 

O Conselho dos Bispos agradeceu a ajuda humanitária aos refugiados, dizendo que os esforços em ajuda-los devem vir de todos os lados, mas também demonstrou preocupação em relação ao crescente aumento do número de refugiados sírios e palestinos, alegando que medidas devem ser tomadas, para que a hospedagem desses refugiados no país não se torne uma ameaça política, social e de segurança no país. 

A pedido do Ministério da Defesa, o Ministério do Trabalho especializado em Assuntos de Trabalhadores Sírios, ficou responsável de fiscalizar e monitorar o paradeiros dos refugiados para que os criminosos não explorassem seu status de refugiados para praticar atos ilícitos, como usar de identidades falsas para cometer crimes e violações e atos criminosos no Líbano, como o recente assassinato do padre Elie Makdissi, e anexar uma declaração na Embaixada da Síria, solicitando a confirmação da validade dos documentos pessoais apresentados pelos trabalhadores em suas autorizações de trabalho no país.

O parlamentar Akram Shehayeb acusou o Ministro do Trabalho, Salim Jreissati, de estar filiando politicamente os trabalhadores sírios, ao solicitas seus documentos, Jreissati respondeu as acusações dizendo que as medidas foram tomadas após o recebimento da carta do Ministério da Defesa, e complementou dizendo que ele nunca esteve em contato com a Inteligência Síria, ao contrario dele, que apenas parou de receber ordens dela. 

O parlamentar disse ainda que interrogatórios desnecessários vêm sendo feito com sírios na Embaixada da Síria, onde é exigido deles falar cada detalhe de suas vidas, inclusive o principal objetivo de tal interrogatório: se eles são contra ou a favor ao regime sírio. 

Shehayeb diz que isto é inaceitável, e que o Ministério do Trabalho não tem o direito de fazer isso com pessoas que já vêm passando por uma tragédia humanitária, e que seus documentos já foram examinados quando eles entraram no país, e pediu ao governo para questionar essa questão com Jreissati, antes que seu bloco o force a fazê-lo. 

CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
12-01-2013
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1 comments:

  1. O governo ja deveria mesmo ter tomado medidas para ajudar os refugiados Sirios e Palestinos.Esse empurra-empurra de atribuicoes eh nossa velha conhecida... Concordo com o Ministro do trabalho, eh papel do ministerio da defesa fiscalizar e garantir a seguranca nacional. Mas em contrapartida, se o governo tb nao se empenhar em abrigar dignamente essas pessoas, promover e oferecer condicoes para que a ajuda realmente chegue a quem de direito, o natural eh que a onda de insatisfacao e violencia soh aumente. Basta fazer um paralelo com o Brasil: nao se investe em educacao, nivel de corrupcao critico tanto na oposicao qto no governo... Sobra pra quem? Para a policia e para o sistema falido de saude.O povo libanes ja tem poucos postos de trabalhos, muitos emigram para procurar alguma oportunidade, faltam investimentos em infra-estrutura basica e no final sempre eh mais facil descontar em alguem de fora, que precisa de solidariedade e soh encontra preconceito... E assim a segregacao soh aumenta... E fica muito mais facil "des"governar... Povo desunido jamais sera evoluido... Podres poderes... E o que a igreja tem a ver com tudo isso no final das contas... Sem mais...

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