Tragédia


Tragédia em Santa Maria: 233 mortos e 117 feridos


Na madrugada de sábado, a boate Kiss de Santa Maria, estava realizando uma festa para universitários da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), organizada por estudantes de Agronomia, Medicina, Veterinária, Pedagogia, zootecnia e dois cursos técnicos. 


O número de pessoas dentro da boate, no momento do incêndio, é desconhecido e acredita-se que havia cerca de mil pessoas. 

Mas o Corpo de Bombeiros, estima que havia muito mais, e segundo informações da própria casa noturna, a capacidade máxima era para mil clientes. 

Das vítimas identificadas, havia 120 rapazes e  113 moças de 18 a 30 anos, e 101 eram estudantes da Universidade Federal de Santa Maria.
                                                              
                                                                   Algumas das vítimas

Irmãs

Namorados


Entre as atrações da festa “Agromerados”, houve duas atrações ao vivo, a apresentação da banda “Pimenta e seus comparsas”, e em seguida a banda "Gurizada Fandangueira".  

A Banda costumava usar show pirotécnico com sinalizadores em suas apresentações, e durante o show, por volta de 2h30 da manhã, o vocalista percebeu que as faíscas dos sinalizadores atingiram o isolamento acústico de espuma do teto, e parou o show. 

Seguranças que estavam próximo ao palco, tentaram conter o fogo com extintores, mas o fogo se espalhou rapidamente, causando pânico e corre-corre dentro da boate para evadir o local. 

Segundo relatos de sobreviventes, os seguranças da boate, inicialmente pensaram se tratar de uma briga dentro da casa, e acreditando que as pessoas estavam tentando sair sem pagar as comandas de consumação, trancaram a porta de saída, impedindo a saída dos estudantes. 

Somente quando perceberam a gravidade da situação, liberaram a saída e começaram a ajudar os feridos.  

O dono da boate, que estava presente no momento do incêndio, negou que tenha ordenado aos seguranças que impedissem a saída dos jovens da casa noturna, e negou também ter retirado do local, o computador com as imagens gravadas pelas câmeras de segurança. 

Sphor afirmou que o sistema não estava funcionando havia três meses e que, por isso, o computador não estava mais na boate. 

O delegado diz que os fios aprecem que foram arrancados, mas a perícia vai analisar para descobrir se eles foram arrancados recentemente ou não. 

Sphor disse também, que sabia que o alvará de funcionamento estava vencido, mas já havia feito o pedido de renovação perante o Corpo de Bombeiros.  

Durante o tumulto, muitas pessoas caíram no chão e morreram pisoteadas, outras queimadas, mas a maioria morreu asfixiada pela fumaça tóxica gerada pelo material que revestia o teto. 

Mais de 180 pessoas, confusas com a fumaça do incêndio, tentaram fugir pelos banheiros, onde acabaram ficando presas e morrendo por asfixia, segundo o Capitão da Brigada Militar Edi Paulo Garcia.
  
Nesta segunda-feira, Elissandro Calegaro Sphor, conhecido como Kiko, um dos donos da boate, foi preso em um hospital de Cruz Alta. 

O vocalista, e um segurança responsável pela segurança do palco, também foram detidos na cidade de Malta. 

O vocalista foi preso durante o velório do sanfoneiro Danilo Jaques. 

O dono da boate e os integrantes da banda tiveram o pedido de prisão temporária de 5 dias, decretada pelo juiz Regis Adil Bertolin. 

Mauro Hoffmann, o outro proprietário da casa noturna, também teve prisão temporária decretada, e se entregou a policia na tarde deesta segunda-feira. Embora a boate esteja nos nomes da mãe e irmã de Sphor, os verdadeiros sócios da Boate Kiss, é Elissandro Sphor e Mauro Hoffmann. 

Sphor disse que o fogo começou quando a banda “Gurizada Fandangueira” usou um sinalizador no palco para fazer efeitos, a versão contradiz o depoimento de 4 integrantes da banda, que disseram que houve um curto-circuito em fios que estavam no teto do palco após o equipamento conhecido como "sputnik" ser utilizado. 

O auxiliar de palco responsável por fazer os efeitos, em sua defesa, também disse que o fogo não foi provocado pelo sinalizador, porque o modelo usado na apresentação não tinha capacidade de provocar incêndio.

Muitas pessoas que conseguiram sair da boate ajudaram a socorrer as vítimas. "A gente puxava as pessoas pelo cabelo, pela roupa, muita gente saía só de calcinha e cueca, sem camiseta, talvez para se proteger da fumaça", disse o jovem Murilo de Toledo Tiecher.

Ingrid Preigschadt Goldani, uma das funcionarias da boate, que sobreviveu sem ferimentos ao incêndio, passou mal na tarde de domingo, e foi internada em Porto Alegre, e colocada em coma induzido pelos médicos, por suspeita de pneumonia, médicos encontraram manchas pretas no pulmão da jovem, que podem ser resultado da fumaça tóxica que ela inalou durante o incêndio disse Flavio Goldani, pai da vitima. 

De acordo com os médicos, as pessoas que não precisaram ser internadas após o incêndio - sobreviventes ou os que auxiliaram no resgate - podem desenvolver doenças respiratórias graves, dias após o incidente. 

A fumaça aspirada pelas vítimas do incêndio contém substâncias tóxicas liberadas pela queima de materiais inflamáveis. 

A combinação da fumaça com o calor das chamas causa danos diretos ao sistema respiratório, podendo provocar o óbito de quem estiver em um ambiente fechado. 

É necessário observar pelos próximos dias a ocorrência de sintomas como falta de ar, chiado no peito, febre, tontura ou enjoo em pessoas que estiveram dentro da boate ou trabalharam no resgate das vítimas, disse o Pneumologista José Eduardo Afonso Junior, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Guilherme Ferreira da Luz, de 25 anos, o jovem que ajudou a derrubar a parede da boate, a marretadas, para tentar salvar pessoas do incêndio precisou ser levado para o Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, onde está internado no CTI.    

O estudante do último semestre do curso de zootecnia da UFSM, teve queimaduras nas vias aéreas. 

O padrinho conta que ele ligou para a família e disse que conseguiu se salvar sem ferimentos e estava bem. 

Guilherme começou a se sentir mal pela manhã e, por volta das 15h, fez o último contato com os pais e, em seguida, foi entubado e encaminhado para o CTI, e mais tarde transferido de helicóptero para Porto Alegre, mas de acordo com relato de seus pais, seu quadro é estável e ele teve melhora.

O Hospital das Clínicas de São Paulo enviou nesta segunda-feira 95% do estoque de seu banco de pele para o atendimento às vítimas do incêndio de Santa Maria. 

A quantidade equivale a 7 mil centímetros quadrados de pele, que será usada por um hospital no atendimento às vítimas. Segundo a assessoria do Hospital das Clínicas, o número de pessoas que podem utilizar essa pele pode variar, dependendo da extensão das queimaduras, se for usado em vítima com 50% de queimaduras do corpo, a quantidade será suficiente para atender ao menos 4 pessoas.

O principal problema dos alvarás de funcionamento de bares, boates e casas de show no país, é a ausência de uma lei nacional que estabeleça as regras de prevenção e proteção contra incêndio, há oito anos uma legislação nacional é elaborada, mas não sai do papel, e a concessão de alvarás de funcionamento para estabelecimentos como casas noturnas é feita pelos bombeiros e autoridades locais, baseados em normas estaduais. 

A deputada Elcione Barbalho, autora de projeto sobre normas de segurança para boates e casas de shows, apresentará ainda nesta semana em plenário, um requerimento de urgência para acelerar o andamento da proposta. Para que o projeto seja votado em regime de urgência na Câmara é preciso assinatura de 257 deputados. 

De acordo com a assessoria de imprensa dos bombeiros do Distrito Federal, as legislações estaduais levam conta variações regionais, já que cada estado possui cidades com características diferentes, pois há cidades que não apresentam prédios de grande porte ou casas de shows.

No caso da lei vigente no estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, dispositivos de extração de fumaça (aberturas no teto) e detector de fumaça não são obrigatórios. 

Se o escape fosse obrigatório, a fumaça, dissiparia muito mais rápido. As pessoas em Santa Maria morreram intoxicadas, com o detector de fumaça, rapidamente os seguranças perceberiam o incêndio e ajudaria a liberar as pessoas logo no começo do incêndio, segundo afirmação do engenheiro civil e coordenador do CB-24 RS Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio da 

ABNT núcleo RS, Carlos Wengrover Rosa.


         Principais recursos de segurança em caso de incêndio

Porta corta fogo:

Protege a saída de emergência, que não pode ter materiais inflamáveis, ela deve possuir uma barra “anti-pânico” como sistema de abertura, onde só com a pressão das mãos sobre a barra, a pessoa destrava e abre a porta.

Saídas de emergência:

São obrigatórias, porém a quantidade e a posição onde devem ser colocadas são determinadas por uma avaliação técnica, feita por um engenheiro ou arquiteto, e deve oferecer treinamento aos funcionários, para a casa saber agir em caso de incêndio.

Pirotecnia:

Não há lei que proíba um show de fogos de artifício em ambientes fechados, no entanto, para que a pirotecnia possa ser feita é preciso uma liberação do Corpo de Bombeiros, que avaliará as condições do local. 

Materiais inflamáveis:

Qualquer material derivado de petróleo é inflamável, o que inclui tecidos de sofás e de roupas. 

Esses materiais são vetados no revestimento das saídas de emergência. No entanto, a lei do Rio Grande do Sul não estabelece restrições ao isolamento acústico.

Extintores:

São obrigatórios, e eles devem ser checados uma vez por ano, quem calcula a quantidade do dispositivo, e onde ele deve ser instalado também é o especialista técnico. Segundo as normas do Inmetro, existem três tipos de fogo: o fogo gerado por combustíveis líquidos, por líquidos inflamáveis e por equipamentos elétricos, e cada extintor tem suas especificações.  

Sprinkler:

Uma rede instalada no telhado do prédio com diversos dispositivos com água resolveria quase que definitivamente um incêndio como o que aconteceu em Santa Maria, de acordo com o diretor do Instituto Sprinkler Brasil (ISB), Marcelo Lima. 

Esses dispositivos cobrem uma área de 10 a 14 metros quadrados e conseguem, conter a fumaça e o calor logo no início, o que evita possíveis mortes por asfixia. No entanto, a obrigatoriedade vai depender da avaliação de cada situação. 

Com o calor, o sprinkler dispara jatos de água sobre a fumaça e sobre o fogo, o que garante um nível bom de oxigênio para sustentar a vida, perto de 21%.  

Sem esse tipo de dispositivo, em menos de 60 segundos a taxa de oxigênio cai bruscamente eliminando qualquer possibilidade de uma pessoa conseguir respirar.

Dispositivo de extração de fumaça

São dutos no teto que ajudam na circulação de ar e na evacuação da fumaça, caso comece um incêndio. No entanto, o dispositivo não é obrigatório em todos os estados.

Detector de fumaça:

O detector de fumaça aciona automaticamente um alarme sonoro sobre a existência de um incêndio. 

Ele pode ser equipado ainda com um dispositivo de localização, que envia um sinal de emergência ao Corpo de Bombeiros. 

No entanto, não é obrigatório em todos os estados, apenas o alarme de emergência manual, acionado por um botão.


                                                               Fotos Boate Kiss
                                   Foto: Fernanda Bonna (Minutos antes do Incendio)


                                                   Foto: Portal G1 de Noticias


                                                     Foto: Diario Gaucho












Fotos: ZeroHora
Fotos: Germano Roratto/ Agencia RBS

Fotos: Campo Grande News
                                                     Foto: Portal UHTV

                                                  Foto: Portela Online


                                                 Fotos: Zero Hora





Foto: Veja

VIDEO AMADOR FEITO POR UM INTERNAUTA ENLUTADO


                                          CLAUDINHA RAHME
                                            GazetadeBeirute
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About beirut lebanon

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1 comments:

  1. Despedida
    Choro...
    Mas as lágrimas já não escorrem mais...
    Pois choro com a alma,
    Pela a perda da presença...
    Onde a esperança se despede,
    Na partida de quem muito se amou;

    Choro...
    Pela dor de quem se perde...
    Há quem muito ensinou...
    A quem deixou como exemplo,
    Uma lição de vida;

    Choro...
    Com coração que dói na sua batida,
    Onde o seu som soa a saudade,
    Onde mesmo nessa imensa dor,
    Conseguiu fazer escorrer a ultima lágrima,
    Ou quem sabe, a primeira de muitas...
    Quando novamente recordar desse ente
    Que marcou a esse coração que ainda bate;

    Choro...
    Sabendo que partiste...
    Pelo o cumprimento de sua passagem,
    Pelo o seu dever cumprido,
    Onde registrou no seu caminho...
    Onde aprendemos o valor da vida
    E o seu segredo de quem sabe amar,
    No qual essa lágrima conforta essa alma...
    Com sua partida sem despedida.



    Leny Borges
    02/08/2010

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