Automedicação



A automedicação é uma prática muito comum não apenas no Brasil, mas também em muitos outros países. Em alguns países, com sistema de saúde mal estruturado, a ida à farmácia representa a primeira e a mais comum solução para um “pequeno” problema de saúde, e a maior parte dos medicamentos consumidos pela população é vendida sem receita médica. Contudo, mesmo na maioria dos países industrializados, vários medicamentos de uso mais simples e comum estão disponíveis em farmácias, drogarias ou supermercados, e podem ser obtidos sem a necessidade de uma receita médica (analgésicos, antitérmicos, etc.).

O uso inadequado de medicamentos pode levar desde a uma reação alérgica leve até a um quadro grave de intoxicação, além de mascarar alguns sintomas de uma doença mais grave, atrasando o diagnóstico e comprometendo o tratamento.

Segundo dados fornecidos pelo Sistema Nacional de Intoxicações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX da Fundação Oswaldo Cruz, no ano de 2006 foram registrados 112.760 casos de intoxicação humana com 511 óbitos. Desses, 34.582 foram devidos à intoxicação por medicamentos gerando 106 óbitos. Deve ser levado em consideração também que muitos casos não chegam ao conhecimento dos órgãos encarregados das estatísticas. São os casos de subnotificação. Um médico é a única pessoa qualificada para avaliar as necessidades de um paciente, o seu histórico de saúde, as possíveis interações medicamentosas e possibilidades alérgicas, prescrevendo de forma adequada um tratamento.

Aqui vão alguns exemplos do porque não se deve utilizar a automedicação:

- A automedicação pode levar a erros de diagnósticos, à escolha de uma terapia inadequada e pode retardar o reconhecimento de uma doença, com a possibilidade de agravá-la. 

- Os medicamentos que já foram anteriormente prescritos podem não ser mais efetivos para uma reincidência da doença. A não ser que o médico já tenha orientado desta forma. 

- Sintomas iguais podem ter causas diferentes. Os sintomas são apenas um dos indicativos de problemas de saúde. Antes da prescrição, a consulta médica, o exame clínico e a realização de exames complementares são fundamentais. 

- Interações medicamentosas podem ter consequências graves para a saúde. O médico tem competência para avaliar que tipos de medicamentos podem ser tomados em conjunto.

O fracionamento medicamentoso tem sido uma boa tentativa do governo brasileiro para diminuir a automedicação. Sempre que ingerir um medicamento e se sentir mal, procure um hospital com urgência pois pode ser um caso de intoxicação medicamentosa. 

Por Yasmeen Chehayeb
Gazeta de Beirute

Fonte: Associação Brasileira de Endocrinologia / NEWS.MED.BR, 2009     
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