De olho no Consulado Brasileiro


A Gazeta de Beirute já recebeu reclamações sobre os Consulados do Brasil no Líbano, no entanto esta semana a Gazeta direcionou-se apenas ao Consulado Geral do Brasil em Beirute, mas nosso próximo destino será o Consulado Honorário em Kab Elias.

Quando o brasileiro vai para algum Consulado, ele já se preparou semanas antes, no processo de tradução de documentos, fotos, preenchimento online e separou a quantia exata a ser paga. 

Os cidadãos brasileiros passam por diversas etapas, entre entender e realizar todas as fases necessárias para que chegue o dia em que comparecerá ao Consulado. Neste dia ele já está apreensivo, pois não sabe se conseguiu cumprir com as exigências requiridas.

Um outro fator é que o Consulado do Brasil em Beirute já possui uma imagem de que o cidadão não será bem atendido. Logo na entrada um oficial libanês fardado pede seu celular, e te pergunta em árabe o que você veio fazer no Consulado. Trocas de “elogios” muitas vezes são frequentes entre os requerentes e os funcionários.

O clima é tenso, sempre o cidadão sente que não está tendo à atenção devida e que seus direitos não estão sendo observados, mesmo que tudo esteja certo perante a lei. 

A sensação é de “agressão e falta de direitos”, disse uma brasileira que preferiu não ser identificada. “Lá dentro sinto que não sou ninguém”acrescentou.

Outro brasileiro afirmou: “Não sinto que estou sobre as leis do Brasil. Ir ao consulado brasileiro ou em órgãos oficiais libaneses gera a mesma sensação. Às vezes me sinto até pior, porque sei que o Brasil é meu país”.

Por outro lado entrevistando uma ex-funcionária do Consulado, ela afirmou que “muitas pessoas ficam nervosas pela falta de informação, porque elas próprias não procuram verificar”.

“Eu já fui diversas vezes ameaçada e agredida verbalmente em português e em árabe, algumas pessoas acham que levamos a situação para o lado pessoal” acrescentou.

Para piorar, o que tem gerado muita tensão nos últimos tempos é o limite de senhas: apenas 25 brasileiros podem ser atendidos diariamente. Então o que realmente conta não é exatamente o horário que o cidadão chega, pois mesmo chegando cedo se as senhas já estiverem esgotadas, o brasileiro saíra de lá sem ser atendido.

Isso significa que o brasileiro está se dirigindo a um órgão brasileiro e não tem nenhuma certeza, nem de que ao menos será atendido. 

Isso gera muitas brigas, há cidadãos que vêm de longe, há outros que trabalham e tem que faltar para ir ao Consulado gerando problemas até mesmo na sua vida pessoal, dessa maneira muitos se sentem abusados.

No entanto, não podemos julgar sem verificar, a Gazeta de Beirute foi visitar a parte interna do Consulado Brasileiro. Os que estão também sofrendo com essa situação são os funcionários do Consulado. Lá pudemos observar que o número de funcionários é pequeno, pois há pelo menos dez mil brasileiros registrados no Consulado e todos parecem estar cansados e com muito trabalho. 

Diversas vezes os responsáveis já levaram o problema às autoridades brasileiras competentes, pedindo a contratação de mais funcionários.

Outro agravante foi a vinda temporária dos servidores da Embaixada do Brasil em Damasco para Beirute, pois agora há mais documentos e situações inesperadas. Então como poucos funcionários atenderão tantas pessoas?

Se os funcionários estivessem satisfeitos, o atendimento com certeza melhoraria, porque oferecendo mais direitos (mais funcionários) pode-se exigir um tratamento mais adequado.

Comparando com outros consulados do Brasil no exterior, realmente há poucos funcionários para essa quantidade de brasileiros. Não que isso justifique ou solucione todos os problemas, mas esse é um dos fatores mais importantes que devem ser observados  para que a situação melhore.

No Líbano há consulados de países subdesenvolvidos que estão em condições melhores para atender a população. Em alguns consulados existe até um funcionário que apenas auxilia no preenchimento de papéis e dúvidas frequentes, o que ajuda muito. Então porque os brasileiros estão passando por situações assim no Consulado que pertence ao Brasil, um país emergente e exemplo para diversas nações? 

O Consulado certamente precisa de mais funcionários e que os mesmos estejam aptos a lidar com o público, mas para isso eles precisam estar em condições adequadas, não sobrecarregados. Sendo assim seus superiores deverão não apenas aconselhar, mas exigir um bom tratamento para todos os brasileiros.

Mas enquanto funcionários e cidadãos se sentem injustiçados, os desentendimentos continuam frequentes e um acaba culpando o outro. Uma simples atitude e um pouco de força de vontade poderá evitar muitos problemas e facilitar a vida de todos. 

Quando vemos algum símbolo de nosso país no exterior: a bandeira, uma foto, até mesmo quando escutamos o idioma português, assistimos um noticiário que fale de nosso país ou qualquer coisa que nos ligue a nossa cultura, ficamos contentes. 

Mas no Consulado é bem diferente. O ambiente atual não está refletindo a imagem real da nossa pátria, exceto por algumas pessoas que trabalham duro para ajudar a comunidade e que realmente se importam, rasgando o rótulo “manchado” e tentando construir uma nova reputação. Afinal, uma atmosfera um pouco mais amigável não faz mal a ninguém.

Eu também, como brasileira, não quero que o Consulado seja local de tristeza e irritação, mas desejo ver os cidadãos e os funcionários satisfeitos e espero que em breve o Consulado seja motivo de alegria e orgulho espelhando a grandeza do Brasil. 

Chadia Kobeissi
Edição: Claudio Cavalcante Junior
Gazeta de Beirute
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10 comments:

  1. Gostei da materia parabens a GB! Realmente andei quase 4 meses para tratar de docuentaçao no consulado...uma hora faltava uma coisa outra hora nao chegava a tempo e sempre que ia tinha um nó no estomago!Agora em Março fará 4 meses que espero o visto do meu marido...enfim!Mas compreendo que os funcionarios fazem o seu melhor e que nao é culpa deles mas que os brasileiros no libano merecem melhor isso sem duvida!

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  2. Muito boa materia Chadia ,parabens !!! Estamos longe de casa , e deveriamos sentir o consulado como se estivessemos em nosso pais Br., mas infelismente nao eh assim , de quem eh a culpa ? ninguem sabe ou nao quer saber!!! Antigamente podiamos esperar nossa vez sentados dentro da recepcao do predio , agora nem isso , temos que esperar do lado de fora do portao em pleno sol e em peh , muitas vezes pessoas doentes e mulheres gravidas tendo que sentar na calcada porque o sindico do predio deu ordem para o seguranca so deixar entrar quem esta na vez , aI para melhorar ,chegamos para sermos atendidos e somos tratados como indingentes pedindo favor ou esmola , pronto falei !!!

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  3. A materia foi muito realista mostrando ambos os lados,precisamos analisar e ver o que podera ser feito para melhorar tudo isso. Queremos que todos se sintam em casa e tranquilos qdo se fala em consulado.Todas as criticas sao construtivase.Moro no Libano ha 20 anos, e conheco pessoas que ja residem ha muito tempo, mas o que eu nao sabia era que havia poucos funcionarios, e isso realmente acaba prejudicando o atendimento. Por isso nao podemos julgar precipitadamente. Mais obrigada pelo esclarecimento

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  4. Eu moro ha 200 km do consulado e varias vezes me mandaram devolta pra casa por pequenos detalhes , o atendimento nao e nada bom a ponto das pessoas acharem que os funcionarios levam a situacao para o lado pessoal "FATO " Somos Brasileiros e merecemos um tratamento um pouco melhor .

    Parabens pela materia Jornalista Chadia , ficou exelente !!

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  5. To feliz por ter esse jornal, para representar o nosso pensamento. Apesar que houve melhoras no consulado, e a comunidade ta mais unida

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  6. Totalmente de acordo.Precisan colocar Mais funcionarios e intentar ficar bem vistos (amables)y dar um melhor servicio de espera.Gostei da publicacão y desejo q tudo seja pra melhorar.A fin de contas tudos amamos Brasil,y o consulado e uma parte de ele.Todos podemos fazer ele melhorar .sendo tao simple .Parabens a materia muito boa.

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  7. Bom artigos mais da na mesma ,tudo vai continuar como esta infelizmente

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  8. materia muito boa muito boa mesmo, so q as coisas sao muito pior do q isso.Eu so libanes q mora no brasil,devez em quando eu tenho q validar ou authenticar um documento no consulado brasileiro,si vcs acham q os brasileiros nao estao tendo um bom tratamento entao imagina nos os estrangeiros q entram naqele consulado,so para resumir agente e tratado la como lixo,e outra coisa os funcionarios la sao incompetente isso sim,eles ficao enrolando uma hora para simplesmente receber um documento sempre com cara fechada sempre com palavras agressivas e sempre tomando uma coca e comendo lanche enquanto atendendo.Eu fico muito triste dizendo q os funcionarios naqele consulado estao passando uma imagem muito ruim dos brasileiros,brasileiros sao alegres simpaticos gente boas professionais q sabem tratar as pessoas bem ao contrario daqelas pessoas no consulado.Eu tenho muitos detales de coisas q acontecerom comigo naqele consulado mas prefiro nao falar.queria saber com quem posso reclamar a relacao isso ?? ITAMARATY ??
    obrigado

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  9. Infelizmente as péssimas experiências com o Consulado não terminam. O espaço é apertado, os guardas falam em árabe, as senhas são chamadas em árabe, o banheiro fica do lado de fora, os atendentes são poucos, a divulgação do Brasil com cartazes velhos e desatualizados (poderiam colocar uma Tv com propaganda de nosso turismo), não era possível fazer reclamações no site indicado em Brasília porque estava em manutenção e, se precisarmos do consulado para nos defender em caso de guerra ou outro problema estamos na mão. Não tem como entrar na nossa própria casa. Eu não sei o que mas algo precisa ser feito e em caráter de urgência. Temos que postar como anônimos como forma de evitar qualquer tipo de retaliação. Foi importante tratar do tema mas gostaria que essa situação não parasse apenas nisso.

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  10. Bom que tem banheiro, pois antes nao tinha, e as pessoas que esperavam horas, inclusive idosos e criancas, eram obrigadas a esperar e tem gente que fez xix em qualquer canto...mas o trabalho tem melhorado, com a Gazeta de Beirute de olho no consulado. E o pior de tudo, o Itamaraty nunca fez nada.

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