Escolas Caras e Aulas Particulares



Escolas privadas, de alto nível, e caras, são insuficientes para muitos alunos libaneses, que ainda precisam de professores particulares, em casa, ou em centros especializados, o que vem enriquecendo a indústria de aulas particulares no país. 

Cerca de 20% dos estudantes libaneses precisam de aulas particulares, e durante os exames oficiais esse número aumenta para 35%. 

Mas dados não oficiais afirmam que esse número é apenas sugestivo, quando de fato,a realidade é que 70% dos alunos de escolas particulares precisam e têm aulas particulares, seja com professores, estudantes universitários ou centros especializados.

Estudantes universitários oferecem aulas particulares para ajudar a pagar suas universidades, e muitos professores qualificados também complementam seus salários, dando aulas particulares fora do horário normal dos colégios de elite. 

Muitos inclusive ganham mais com as aulas particulares do que nas escolas em que lecionam. 

Mas isso não é novidade no Líbano, quase todas as famílias libanesas aderem a alta demanda de professores particulares para seus filhos, e todos sabem que isto é um negócio muito rentável, para quem oferece seus serviços. 

Mas a questão é: Por que alunos, que frequentam as melhores e mais caras escolas do país precisam  dessa educação complementar, que custa aos pais de US$20,00/hora (para estudantes universitários) à US$100,00/hora para professores qualificados?

De acordo com centros especializados, as razões são diversas, desde o fato de que os pais podem pagar por isso, até testar as habilidades de aprendizado dos filhos, fazê-los aprender mais ou antecipar capítulos que não foram vistos em classe ainda. 

Sem citar os pais insistentes, que exigem que a criança tire notas altas em matérias consideradas essenciais para eles (os pais), ou que possa determinar a carreira a se seguida por seus filhos, escolhida também por eles (os pais). 

O fracasso dos professores em diferenciar lições de classe para atender alunos de habilidades múltiplas, bem como apelação de diversos estilos de aprendizagem, também é citado.

Outros centros se classificam como uma plataforma de parceria com as escolas, alegando que as salas de aulas são lotadas (25 a 35 alunos em média), e que não é possível a um único professor oferecer um ensino diferenciado a cada aluno, mas que quando os estudantes são separados em grupos, isso se torna possível, o que não é feito nas escolas. 

Em média professores seguem o ritmo dos melhores alunos da classe, deixando os mais fracos para trás, além dos professores que não são muito interativos com seus alunos, fazendo com que alguns nunca consigam aprender dentro de sala de aula, o que deveriam, restando-lhe como opção um professor partícula, fora da escola. 

Entre outras alegações, há também o difícil relacionamento de certos alunos com certos professores, com os quais não haja uma simpatia, fazendo com que o aluno demonstre-se desinteressado em suas aulas. 

O recurso a um professor particular para explicar-lhe o conteúdo, fora da escola e da aula daquele referido professor, pode estimular o interesse do aluno, e aumentar o seu desempenho quando outra pessoa lhe explica a mesma matéria com outra didática e de forma diferenciada, especial.

Há ainda as crianças que se sentem desmotivadas de forma geral, representando cerca de 5 a 10% dos alunos que frequentam esses centros especializados ou recorrem a professores particulares em casa. 

Eles não escolhem essa opção, simplesmente são obrigados e levados a força por seus pais, que sonham que seus filhos um dia se tornem engenheiros, médicos ou farmacêuticos, e estão dispostos a tudo, e a fundo em seus bolsos, no intuito de realizarem esses sonhos.


Porém, uma criança desestimulada, sem aptidão, não obterá resultados positivos mesmo com toda tutoria extensa em sua agenda escolar. 

É necessário enfatizar a orientação de carreira nas crianças, avaliando a personalidade de cada criança e identificar seus pontos fortes, através de testes de aptidão, mas em muitos casos, os pais é quem deveriam participar dessas sessões de orientação de carreira para seus filhos, para aprenderem a respeitar a individualidade da criança e não querer projetar nela seus próprios sonhos, gerando uma carga negativa em torno da criança.

No Etudia, um centro especializado em aulas particulares, os pais insistentes não tem voz, eles visam a escolha e interesse dos alunos a partir de 13 anos, e fazem um período experimental com eles, que avaliam o estado psicológico do aluno, nesse período. 
Se o aluno estiver convencido de que quer ter as aulas, ele é aceito, do contrário não. 

Alguns pais reclamam que as crianças andam muito distraídas com as tecnologias e mídias sociais, e não tem se concentrado nas escolas, vendo-as apenas como um centro social, um ponto de encontro com os amigos, e que por isso existe a necessidade de contratar um professor particular para explicar novamente a elas, em casa, o que elas não prestaram atenção na escola. 

Mas estes pais se esquecem, que as tecnologias foram fornecidas por eles mesmos aos filhos, para não deixa-los fora dos padrões da sociedade consumista, mas no fim, eles não sabem administrar limites com os filhos e pagam mais no intuito de que de alguma forma, eles aprendam.

Enquanto os centros especializados reconhecem que os pais se esforçam para pagar por esta educação complementar, os professores afirmam que na maioria dos casos as aulas particulares são oferecidas pelo próprio professor da criança. 

Porém os educadores de escolas particulares dizem que não aprovam tais procedimentos, e que somente o diretor da escola, poderia aprovar tal prática nas escolas. 

No entanto, muitas escolas impõem uma regra, de que os professores não podem dar aulas particulares aos próprios alunos, mas sabe-se que um acordo discreto, sempre ocorre nas escolas. 

CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute


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