Meteoro que caiu na Rússia era um asteroide comum

Foto: ALEXANDER KHLOPOTOV 

Pedaços de rocha porosa e enegrecida encontrada em um lago congelado seriam fragmentos do meteoro que caiu na Rússia recentemente. A queda do meteoro deu início a uma caçada sem precedentes por fragmentos da rocha espacial em torno da cidade de Chelyabinsk, 1,5 mil quilômetros a Leste de Moscou. Ao longo do fim de semana, cientistas da Universidade Federal dos Urais, encontraram 53 pequenas pedras enegrecidas na área em torno do buraco de 8m de diâmetro, na superfície congelada do Lago Chebarkul, que teria sido causado por um grande meteorito (como passam a serem chamados os restos de rocha que atingem o solo).

Embora mergulhadores ainda não tenham localizado este fragmento maior, a análise preliminar das pedras já encontradas, que têm entre 0,5cm e 1 cm de extensão, revelou que o meteoro russo era um condrito, um tipo de asteroide comum na região do espaço ocupada pela Terra. “Acabamos de completar testes que confirmaram que os pedaços de material encontrados por nossos especialistas em torno do Lago Chebarkul são mesmo meteoritos. Eles foram classificados como condritos ordinários, ou meteoritos rochosos, com um conteúdo de ferro de cerca de 10%”, disse Viktor Grokhovsky, cientista da universidade, e integrante da Academia de Ciências da Rússia. 
  
Grokhovsky e sua equipe, no entanto, não informaram se os pedaços achados, vão ajudar na reconstituição do objeto que de fato se fragmentou sobre a Rússia. Segundo as últimas estimativas da NASA, o asteroide tinha 17 m de diâmetro, e uma massa de pelo menos 10 mil toneladas antes de entrar na atmosfera terrestre, a uma velocidade de mais de 60 mil km/h, com sua explosão, ele liberou uma energia equivalente a 500 kilotons, ou 30 a 40 vezes a bomba atômica que destruiu Hiroshima na Segunda Guerra Mundial. Enquanto a bomba explodiu a meros 600 m sobre a cidade japonesa, o meteoro se desintegrou numa faixa entre 30 e 50 km de altitude. Mesmo assim, a onda de choque gerada pelo fenômeno, foi suficiente para quebrar as janelas de milhares de edifícios na região, e com os estilhaços, causou ferimentos em mais de 1,2 mil pessoas, das quais 52 permanecem internadas, 12 em estado grave.

Nossa expectativa é de que um evento desta magnitude ocorra em média uma vez a cada cem anos”, avaliou Paul Chodas, cientista do Programa NEO da NASA, que tem como objetivo detectar, rastrear e monitorar asteroides e outros objetos celestes, que se aproximem da Terra. “Quando se tem uma bola de fogo deste tamanho, é de se esperar que um grande número de meteoritos chegue à superfície, e neste caso provavelmente teremos alguns grandes”, disse Chodas. Além dos cientistas, aficionados e pessoas comuns, estão nas buscas por fragmentos do meteoro, que apesar da composição comum podem alcançar preços elevados, de até US$ 2,2 mil /g, ou mais de 40 vezes o valor do ouro. 

Isso, porém, já está gerando uma chuva de meteoritos falsos na Rússia. Um anúncio no portal russo “Avito.ru”, por exemplo, oferece uma pedra com detalhes prateados afirmando que ela “pode ser um pedaço de meteorito, pode ser um pedaço de um disco voador, pode ser um pedaço de foguete”. 

Este é o maior evento de nossas vidas. É excitante tanto do ponto de vista científico, quanto de um colecionador e, felizmente, parece que teremos muitos (meteoritos)”, afirmou Michael Farmer, comerciante de rochas espaciais dos EUA, em entrevista ao site “Space.com”.  

THERESE MOURAD
Gazeta de Beirute
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