Sabão oriental, uma magia dos sentidos


Foto-Gazeta de Beirute

Por:Roberto Khatlab

No Oriente o banho é uma festa e o sabão – em árabe, Sabboun – é um prazer dos sentidos. A tradição da fabricação do Sabão Oriental se perde no tempo com seus aromas de essências de plantas naturais, variadas formas e cores, para a limpeza do corpo, uma das bases da fé no Oriente, e suas múltiplas especificações terapêuticas.

Sabe-se que a fabricação do sabão oriental no Mediterrâneo é uma tradição de mais de 4.500 anos. O médico grego Galien menciona em seus escritos do século II a.C a fabricação de sabão em forma líquida. No entanto, o sabão duro, em pedra, nasceu no Oriente no século VIII. As cidades de Trípoli, no Líbano, Alepo, na Síria e Naplusa, na Palestina eram conhecidas fabricantes de sabão, tradição que só chegaria ao Ocidente no século XII, com as primeiras fábricas de sabão na Espanha e na Itália. A rota da seda do Oriente e a passagem dos Cruzados foram os grandes meios de divulgação do sabão oriental em diversos portos do mundo.

O método de fabricar o Sabão Oriental natural e artesanal exige paciência e força de espírito. É uma tradição transmitida há séculos de pai para filho, um segredo guardado a sete chaves. Os amantes da fabricação de sabão natural misturam sabiamente na caldeira a matéria oleosa – óleo de oliveira e bagas de louro – até transformá-la numa substância alcalina e obter um melado verde, momento no qual adicionam as essências naturais para dar aroma à substância. Em seguida, esses artesãos colocam a mistura em grandes bacias retangulares onde o sabão lentamente e à temperatura ambiente, solidifica-se.

Com a massa já sólida, o artesão a corta em pequenas peças quadradas e estampa nela o seu carimbo. Em seguida, empilha as peças de sabão em forma de pirâmides para que elas assim permanecem durante nove meses, tempo no qual secarão naturalmente antes de serem colocadas à venda. Além da forma quadrada do sabão existem modelos esculpidos a mão em diversas formas, bolas, flores, retângulos...

A particularidade do sabão oriental é que ele é composto essencialmente de óleos de oliveira e de louro, que trazem efeitos benéficos à pele, que não são alérgicos nem provocam reações cutâneas. Para enriquecê-lo, com o passar dos séculos, foram sendo acrescentado outras essências puras extraídas de diversas plantas selecionadas pela suas virtudes aromáticas, terapêuticas e por diversas flores do oriente, dando assim ao sabão oriental o perfume e a textura.

Assim surgiram vários tipos de sabão oriental, para ocasiões e situações especiais. O Arayees, em forma de bola e composto de essência de água de rosa, é tradicional para a recém-casada. Aromatizado com anis, o sabão é ideal para a pele gordurosa; com santal, para problemas dermatológicos; composto de árvore de chá, ajuda a acalmar as picadas de insetos; aromatizado com âmbar, revitaliza o organismo cansado; composto de flor de laranja, realça a cor da pele; composto de mel ou trigo, elimina as impurezas e amacia a pele.

O sabão oriental é elaborado com cuidado particular para que seus ingredientes sejam exaltados e mesmo sua forma é estudada. A pele absorve as essências do sabão, que penetram profundamente no corpo e provocam uma magia dos sentidos, principalmente no tradicional ritual dos banhos orientais – o Hammam.

Até hoje os sabões fabricados em Trípoli, no norte do Líbano são uma grande atração turística e disputados em todos os Oriente Médio pelos consumidores mais exigentes.

Indicação/referência:

Museu do Sabão, Sidon (Saida), Líbano

Khan alsaboun - Trípoli, Líbano
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