90% das Escolas Libanesas em Greve

Foto: yalibnan

A greve do setor público e das escolas da rede pública por reajuste salarial, pela primeira vez, atingiu muitas escolas particulares na última semana, deixando milhares de alunos sem poder ir às escolas. 

Hassan Diab, Ministro da Educação, disse que "talvez os exames oficiais para os graus 9 e 12, terão que ser adiados".

A greve, iniciada em 19/02, mobilizou diversos funcionários públicos que pararam diversos setores no país, e também levou cerca de 500 professores a protestarem nas ruas e em frente ao Ministério da Economia, exigindo que o Ministro Najib Mikati faça um reajuste nos salários do setor. Os funcionários públicos e professores que continuam comparecendo ao trabalho deixaram de realizar suas funções, paralisando os setores do mesmo jeito. 

Mikati alega que precisa de mais tempo para reajustar os salários, Mohammad Safadi, Ministro das Finanças acredita que um acordo para ambas as partes pode ser feito, sem causar muito impacto no setor privado, porem o Comitê Econômico insiste que o reajuste aumentará a inflação e o déficit orçamentário do país, porque um aumento do salário mínimo não pode ser mais elevado do que o salário do setor privado.  

As escolas católicas do Líbano decidiram paralisar suas atividades a partir de  segunda-feira devido às ameaças de vários sindicatos, e o Secretário Geral das Escola Católicas, Padre Butros Azar, negou que a paralisação das escolas católicas tenha sido em solidariedade à greve da rede púbica, mas devido aos tumultos e ameaças que andaram acontecendo nas portas de algumas escolas particulares. 

Os manifestantes vêm assediando professores, funcionários e alunos das escolas particulares, chegando a bloquear a entrada de alguns estabelecimentos, no intuito de obriga-los a fechar suas portas, e o padre Azar culpando o governo pela falta de medidas para impedir esse tipo de assedio, questionou essa semana, onde está o Governo e o Estado, para impedir esses atos intimidadores, citando relatos ocorridos em quatro escolas de Beirute, duas em Jounieh e duas em Jbeil. 

Em uma declaração emitida na segunda-feira (25), a UCC alertou que se o governo não aprovasse no Parlamento o reajuste salarial, as ações intimidadoras sobre as escolas particulares, ficariam ainda piores, e convidaram ainda, todos os pais de alunos de todos os setores, publico e privados, a comparecem junto com a UCC nos protestos, alem de pedir que eles não enviassem seus filhos às escolas, em solidariedade com o movimento. 

As tensões estão aumentando no setor publico, e atingindo a rede privada, onde pais exaltados pela paralisação das escolas particulares estiveram discutindo com administradores de estabelecimentos privados essa ultima semana, em virtude dessas ações estarem prejudicando os alunos.

Embora nem todas as escolas estejam aderindo à greve, o clima têm sido tenso e crescente. Uma brasileira, que preferiu não se identificar, teve a filha de 7 anos agredida no colégio em que estuda, por uma coordenadora.

Segundo relato da própria criança, ela estava conversando em aula com mais duas colegas, quando outra se queixou com a professora de árabe, que anotou os nomes das três meninas num caderno. Quando a coordenadora leu o caderno bateu nas três meninas, inclusive na que havia se queixado também.  

A brasileira esteve no colégio para contestar a agressão, e expressar sua total discordância nos métodos educacionais da escola, alertando que ela e seu marido não vão tolerar que a criança seja novamente agredida, por quem quer que seja dentro da escola. 

Ela comentou ainda, que o uso de força física como forma de punição, contra os alunos, é algo frequente nesta escola, e que outros pais compactuam com esse método, sem questionar, pelo contrário, incentivam a prática usada pela administração da escola. 

E disse ainda, que sua filha sente muito medo que ela se dirija à escola para contestar, ou reclamar, sobre qualquer assunto, porque segundo a criança, há represálias por parte de funcionários e professores da escola, contra as crianças que “deduram” o que acontece de errado dentro da escola. A família, que prefere o anonimato, está aguardando o término do ano letivo, para retirar a criança dessa escola, porque eles estão completamente insatisfeitos, e em total desacordo com os métodos educacionais da escola.

CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute

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