Casei-Me Com Um Médico… Estuprador!


Nossa correspondente Therese Mourad esta semana, esteve em contato com uma brasileira, descendente de libaneses, que experimentou o inferno quando descobriu que o marido era um pervertido, e que ele havia estuprado algumas de suas pacientes. Acompanhe!

GB: Boa tarde Marwa, você é libanesa?  

Marwa: Sou brasileira, mas filha de Libaneses.  

GB: E há quanto tempo você mora no Líbano? Você é casada? 

Marwa: Moro aqui há 15 anos. Fui casada, mas agora sou divorciada.

GB: Há quanto tempo você se divorciou? Você teve filhos desse casamento?

Marwa: Já faz quase três anos. Sim, eu tenho quatro filhos.

GB: Seus filhos vivem com você, ou com o pai?

Marwa: Vivem comigo, claro!

GB: Por que você enfatiza que “claro” que eles vivem com você, visto que na maioria dos divórcios, a custódia sempre fica com os pais, conforme determina as leis libanesas?   

Marwa: Porque eu jamais me divorciaria, se meus filhos ficassem com ele, jamais! Eu prefiro a morte.

GB: Quantos anos você ficou casada?

Marwa: Nove anos e alguns meses. Logo depois de vir para cá com meus pais. 

GB: Você conheceu seu ex-marido aqui?

Marwa: Sim, ele era o médico geral da cidade, e meu médico também. Nós nos apaixonamos, e um ano depois nos casamos.

GB: E como era sua vida com ele?

Marwa: No começo, muito bom, ele me tratava como uma rainha e era muito bom comigo.

GB: E o que mudou?

Marwa: Depois de seis anos de casamento, eu comecei a ver coisas estranhas, depois do nascimento da minha última filha. De tanto que estranhei, eu passei a vigiá-lo.

GB: O que você notou de tão estranho a ponto de vigiar seu marido?

Marwa: No começo ele chegava com a calça e a cueca suja com substâncias de quem tinha tido relação sexual.

GB: E você não perguntava a ele, o que era aquilo? Ou não conversava com ele sobre o assunto?

Marwa: Eu perguntei claro!  Conversei com ele sobre aquilo, mas ele negava, inventou uma desculpa, disse que eu não confiava nele, etc., e eu idiota... Acreditei na primeira vez.

GB: Você acreditou?

Marwa: Acreditei, ou quis acreditar, pois não queria nem pensar em traição. Só de pensar no assunto, eu enlouquecia.

GB: Você disse que na primeira vez você acreditou nele, portanto o ocorrido se repetiu?

Marwa: Sim! Umas três vezes, mas eu fingia que não percebia, pois havia resolvido pegá-lo em flagrante, para acusar com provas.

GB: E como você conseguiu vigiá-lo?

Marwa: Como falei antes, ele era o médico da cidade, a clínica dele era pertinho da nossa casa. Algumas vezes eu chamei minha irmã para ficar com meus filhos, e eu ia para a clínica, de surpresa, sem avisar. Mas até aquele momento, eu não tinha pegado nada que pudesse usar contra ele, até cheguei a pensar que eu estava sendo injusta com ele.

GB: E como você conseguiu pegar ele em flagrante?

Marwa: Comecei a receber ligações anônimas de uma moça, sempre chorando, e dizendo que meu marido iria pagar pelo que ele havia feito. 

GB: E o que ele havia feito?

Marwa: Naquela época eu não sabia, pois ela falava somente isso e desligava o telefone. Pela voz, eu achei que fosse alguém muito jovem, pois a voz era de mocinha jovem, adolescente.

GB: E o que você fez quando passou a receber essas ligações?

Marwa: Fui até a companhia telefônica para saber a origem das ligações. O número do qual ela me ligava era privado, e não aparecia no telefone, como os outros números, quando ela ligava aparecia escrito: “número privado”.

GB: E você conseguiu descobrir o número?

Marwa: Não, eles me disseram lá que eu teria que abrir uma ação legal contra um desconhecido, para aí sim obter uma permissão do Ministério da Justiça para descobrir o número.

GB: E você fez isso?

Marwa: Claro que não! Meu marido virou um bicho com a ideia, brigou comigo, e disse que se eu levasse o assunto adiante, ele cortaria a linha telefônica.

GB: E o que você achou da reação dele?

Marwa: Achei muito comprometedora, estava claro que ele tinha algo a temer, afinal quem não deve, não teme, certo?

GB: Com certeza! Mas o que você fez então, diante de tudo aquilo?

Marwa: Contei tudo para a minha irmã, eu estava muito nervosa, tensa eu tinha que desabafar com alguém, nós somos muito ligadas, uma à outra. Eu chorei muito, e falei para ela que não sabia mais o que fazer.

GB: E o que a sua irmã te falou?

Marwa: Meu Deus, ela ficou chocada! Chorou muito, mas depois se lembrou, de que uma amiga dela estava namorando um rapaz que trabalhava na companhia de telefone. Disse que ele conhecia muitas pessoas dentro da empresa, e me sugeriu conversar com a tal amiga, para pedir a ajuda do namorado.

GB: Ajuda em que? Descobrir o número da pessoa que estava te ligando?

Marwa: Exatamente.

GB: Mas isso não é ilegal?

Marwa: Sim, mas essa é a vida, especialmente aqui no Líbano. Se você conhece pessoas influentes, você consegue ajuda para o que precisa.

GB: E o tal namorado aceitou fazer isso?

Marwa: Rapidamente, quando a namorada falou com ele. Depois de cinco dias ele nos deu o número, quero dizer um dia depois que ela me ligou, após conversarmos com ele, pois ela não ligava todos os dias, era a cada dois ou três dias, que ela me ligava.

GB: E o que você fez ao descobrir o número? Era um número conhecido?

Marwa: Não, eu não conhecia o número. Fui para um telefone público, e liguei para ela. Disse que estava fazendo uma pesquisa de televisão, fiz algumas perguntas, e ela respondeu me dando o nome dela completo.

GB: Nossa, ela acreditou que era uma pesquisa de televisão, e te deu o nome completo?

Marwa: Sim, acreditou! E falou comigo, com muita educação e simpatia. Depois que soube o nome dela, eu perguntei dela na cidade para ver se alguém a conhecia, se ela era da mesma cidade, etc. Rapidamente me falaram de quem ela era filha, e onde morava.

GB: E você foi a casa dela?

Marwa: Fui a casa dela no dia seguinte.

GB: Qual foi a reação dela, quando ela te viu?

Marwa: A princípio ela tentou fechar a porta na minha cara, sem eu falar nada. E eu fiquei perplexa ao vê-la, pois ela não aparentava mais que 15 ou 16 anos. Mas eu empurrei a porta, e falei para ela que eu sabia de tudo, e que era para ela sair pra falar comigo, caso contrário, eu iria falar com os pais dela.

GB: E ela aceitou, falar com você?

Marwa: Claro! Ela era muito jovem, uma adolescente, e ficou com muito medo quando disse que falaria com os pais dela.

GB: E o que ela te falou?

Marwa: Meu Deus, quando ela falou sobre o assunto... Nossa, parece que estou vivendo tudo de novo....

GB: Você quer parar um pouco?
Ela cai em prantos, chora demais...  A irmã a conforta com carinho e palavras de apoio...

Marwa: Ela me falou, que meu ex-marido a estuprou durante uma consulta, e que ele estava sozinho no consultório. A auxiliar dele encerrava o expediente às 16h00min, e ele ficava até às 18h00min/19h00min. A consulta dela estava marcada para depois das 16h00min da tarde, uma única vez, e nessa consulta ele a violentou. Ela ficou apavorada, com medo de contar aos pais dela, e ela ligou para ele uma vez, para falar com ele sobre o que ele havia feito, e ele a ameaçou, perguntando se ela queria mais... Minhas pernas começaram a tremer, eu me senti mal, caí no chão, e ela me trouxe água.

GB: E o que você fez, quando se recompôs, do choque inicial?

Marwa: Caminhamos até uma praça perto da casa dela, nos sentamos, e ficamos conversando durante uma hora e meia. Eu fiquei muito chocada, pois eu desconfiava que ele me traísse com outra mulher, mas jamais pensei que ele fosse capaz de fazer uma barbaridade dessas. Foi horrível escutar ela narrar os acontecimentos, de repente, você descobre que vive com um monstro, um animal, que você não conhece. É um sentimento horrível, uma vida construída em anos, desmoronou em segundos. E o pior foi quando ela me falou que havia outras duas meninas, que ele também havia estuprado.

GB: Como ela sabia que ele tinha feito isso com outras duas meninas?

Marwa: Por causa de um comentário na escola, ela soube e me passou o nome das meninas, e onde moravam.

GB: Você acreditou nela?

Marwa: E por que eu não iria acreditar? Ela me passou os nomes e os endereços das meninas, não havia por que duvidar.

GB: E você foi procurar as outras duas meninas?

Marwa: Sim! Eu falei com as duas, elas tinham a mesma história. Todas foram violentadas por ele, e estavam com muito medo, choraram muito, me pedindo para eu não contar nada aos pais delas, porque ele havia ameaçado elas. Eu fiquei perplexa, com nojo, com vontade de mata-lo. Aquele monstro, animal, tem duas filhas, ele não temia que pudesse acontecer algo ruim para elas? Que Deus as proteja, mas eu não me conformava com tudo aquilo.

GB: E você se reuniu com as duas meninas juntas? Qual era a idade delas?

Marwa: Não, claro que não! Eu as encontrei separadamente, estive com cada uma sozinha, apesar delas se conhecerem. Mas naquele momento, eu não sabia que elas se conheciam. Elas tinham mais ou menos a mesma idade do que a primeira, duas delas tinham 16 anos, e uma tinha 15 anos.

GB: E depois de toda essa descoberta horrível, como você o enfrentou os fatos? Você falou com ele?

Marwa: Claro que falei! Eu cuspi na cara dele, dei socos, e ele me bateu muito. E disse que eu não tinha provas, e que se eu fosse embora de casa, eu jamais veria meus filhos novamente.

GB: Que ousado! E o que você fez? Você não tinha provas...

Marwa: Não, era necessário que as famílias das meninas denunciassem ele, pois na época, o advogado me disse que se eu o denunciasse, e as meninas, e suas respectivas famílias negassem, não haveria provas, caso, nada. E sendo assim, eu perderia a causa e também meus filhos.

GB: Que angústia Marwa!  O que você fez? Continuou com ele, na mesma casa?

Marwa: Sim, pois eu não tinha alternativa, preferia morrer que deixar meus filhos nas mãos daquele crápula. Imagina! Eu tenho duas meninas, e o animal, já não era mais digno de confiança, muito pelo contrario. A primeira coisa que eu fiz, foi entrar em contato com as famílias das vitimas, eu me reuni com eles, e pouco a pouco, eu fui revelando os fatos. Imagine a situação, eles ficaram horrorizados, desenganados, entraram em choque. Ainda mais, por tudo aquilo estar sendo revelado pela esposa dele (no caso, eu), e pedindo para eles denunciarem.

GB: Eles concordaram?

Marwa: No início não, de jeito nenhum! Foi muito difícil, uma luta longa desgastante, e muito cansativa, só Deus sabe o que passei.

GB: Por fim, eles acabaram concordando?

Marwa: Depois de um ano e meio, e durante esse tempo, eu estive com ele na mesma casa, ele me batia, me violentava... Foi um verdadeiro inferno, quando ele estava em casa, eu tinha medo até de ir ao banheiro, e deixa-lo sozinho com meus filhos, você acredita?

GB: Você não contou para sua família?

Marwa: Minha família soube somente depois que ele foi denunciado, minha irmã era a única que sabia de tudo, alias, a quem sou muito grata, pois me apoiou muito, não sei o que seria de mim sem ela.

GB: E durante todo o tempo, antes de ele ser denunciado? Você conviveu com ele debaixo do mesmo teto?

Marwa: Sim, foi nesse momento que passei acreditar que o inferno existe. Depois de um ano e meio, essas famílias o denunciaram, e depois das denuncias apareceu mais uma vitima dele também, de 14 anos. Um ano e meio, mais oito meses para ser julgado, no fim foram dois anos e dois meses. E durante todo esse tempo a vitima fui eu... Violência sexual, espancamentos, e outras barbaridades que eu tenho vergonha e nem gosto de falar. Depois disso, ele foi condenado á 10 anos de prisão, e foi proibido de exercer a profissão, devido aos crimes que ele cometeu. A lei rapidamente me concedeu o divórcio, e a custódia permanente dos meus filhos. E desde que ele foi preso, eu me mudei para casa dos meus pais, com os meus filhos.

GB: E hoje como você se sente?

Marwa: Olha, foi horrível o que eu passei, foi muito sofrimento, medo, terror... Hoje estou bem, graças a Deus, mas é impossível esquecer, fica uma ferida, uma marca profunda, que cicatriza, mas jamais desaparece, entende? Muita amargura, eu sempre penso: O que eu falarei para os meus filhos quando eles crescerem? “O seu pai é um estuprador, um anima...?” É muito difícil, um dia terei que falar para eles, porque eles ainda não entendem o que aconteceu.

GB: Sim, realmente é uma missão muito difícil, Deus te ajude a cumprir essa missão.

Marwa: Obrigada, eu quero pedir para todos os pais, famílias, que nunca confiem em mandar os filhos sozinhos ao medico, especialmente os adolescentes, mesmo que o medico seja um vizinho, ou uma pessoa da mesma cidade, cuidado gente! Com certeza ele não é a única pessoa que faz essas barbaridades, como ele existe outros, então cuidado! E muito obrigada a Gazeta de Beirute pela entrevista, adorei saber que há um jornal Brasileiro no Líbano, eu ví o jornal no Facebook há 2 meses atrás, adorei a ideia, parabéns!

GB: Obrigada você Marwa, pelo voto de confiança, você é um exemplo de mulher guerreira e corajosa!

THERESE MOURAD
Gazeta de Beirute

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