Conflitos Sunitas e Xiitas Gera Onda de Sequestros

Foto: Daily Star

Após o sequestro de cinco moradores da região de Arsal, região nordeste de Baalbek, no ultimo final de semana, o exército se instalou na região, para conter a onda de violência e retaliações entre sunitas e xiitas, que vem ocorrendo na região. Na região de Arsal, onde a maioria é sunita, os moradores apoiam a revolta contra o presidente sírio, Bashar Assad. 

Na região de Hermel e Baalbek, onde a maioria é xiita, os moradores apoiam o regime sírio, juntamente com o Hezbollah, que é aliado de Assad, e a força política dominante a região. Após o sequestro, de Hussein Kamel Jaafar, na noite de sábado (23), o clã Jaafar pediu as Forças de Segurança para assumir o caso, pleiteando a libertação de Jaafar e ameaçando bloquear a estrada principal que liga Arsal e Labweh, única rodovia de acesso a Baalbek, caso ele não fosse libertado. 

O carro de Jaafar foi encontrado abandonado com seu celular no interior do veículo, e segundo relatos ele foi levado para a Síria. Moradores locais disseram que Jaafar trabalhou como motorista de caminhão para uma empresa envolvida no contrabando de sucata de metal, combustível e outros materiais, entre a Síria e o Líbano; embora o mercado negro não seja novidade na fronteira, o comércio ilícito aumentou desde o início da crise na Síria, e da retirada do exército sírio de postos da fronteira, há dois meses.

Na sequência do sequestro de Jaafar, outros moradores da região de Arsal, foram sequestrados no domingo: Mohammad Rayeh, Ashraf Rayed, Malek Hujeiri, Malek al Fliti e Masoud Raiadas, Fliti foi libertado horas depois, mas o destino dos demais era desconhecido. Durante as tensões entre os grupos sectários, uma ambulância de uma Associação Medica Islâmica que conduzia feridos do Exército Livre Sírio de Arsal para Baalbek foi alvejada, ferindo o paramédico libanês Abdel al-Saleh, e o motorista Hassan Ezzedine. 

Rumores de que Hussein Jaafar havia sido libertado surgiram na noite de segunda-feira (25), e os moradores sequestrados de Arsal sequestrados pelo clã Jaafar, foram entregues à Direção de inteligência do exército, porém as tensões aumentaram ainda mais na terça-feira (26), depois que foi provado os relatos da falsa libertação de Jaafar. Os líderes da região não conseguiram resolver a questão dos reféns em curso entre o clã local xiita, e os sunitas da cidade vizinha, e membros irados do clã Jaafar, sequestraram mais dois moradores próximos de Arsal. 

Ambos os lados tem enfatizado e declarado, o compromisso de solucionar pacificamente a situação, porém as atitudes tomadas por ambas às partes, não condizem com as declarações, e a onda de sequestros na região continua. O exército conseguiu impedir o sequestro de um membro da família Baridi, porém não conseguiu evitar que Nimr Fliti e Walid Zaarour fossem sequestrados, para se juntar com os demais homens capturados. 

O sheik Bakr al Rifai, mufti de Baalbek e Hermel vem tentando conter a onda de retaliações e intermediar a libertação dos moradores de Arsal, mas até o momento sem sucesso. O Prefeito de Arsal, Ali Hujeiri, afirmou que Jaafar foi levado para a cidade de Al Maara na fronteira com a Síria, e que uma delegação foi enviada para negociar sua libertação, porque a motivação do sequestro, certamente é financeira, e que eles estavam dispostos a cooperar com o pagamento de um resgate.

Hujeiri disse ainda, que há uma relação muito positiva entre a família de Jaafar e o povo de Arsal, e que essa situação deve ser resolvida, ambos os grupos estão errados, mas é necessário colocar um fim nessa onda de sequestros e retaliações mútuas. Jaafar, um trabalhador sem qualquer laço comercial ou político não é o único refém libanês na Síria, muitos outros desaparecimentos ligados a clãs de Baalbek e Hermel estão com sequestros em curso, em virtude do conflito sangrento da Síria, que têm respingado dentro do Líbano. 

Jaafar encontra-se em Yabroud na Síria, próximo a fronteira com o Líbano, na quinta-feira (28), os sequestradores exigiram numa conversa por telefone com o clã Jaafar, que querem US$1 milhão para liberta-lo. "Nós não vamos pagar o resgate, e Arsal é responsável caso aconteça algo com Jaafar. Nós somos uma tribo, Hussein foi sequestrado em Arsal, não temos nada a ver com aqueles que o sequestraram, mas o povo de Arsal sabe quem o levou... eles são responsáveis pelo destino do nosso filho. Este é nosso costume", disse Nafez Jaafar, um dos líderes do clã. O clã Jaafar libertou no mesmo dia Khaled Ahmed al-Hujairi na área de al-sahlat, região de Hermel, Hujairi entrou em contato com a Divisão de Inteligência de Segurança Interna, que enviou patrulhas a região para leva-lo a delegacia de Hermel, e membros da família Ezzedine foram libertados em Baalbek.  

Mohammad Hujeiri, um líder local, disse que se os indivíduos de Arsal estiverem envolvidos no sequestro de Jaafar, a cidade não irá protegê-los, mas o clã Jaafar ainda precisa dar-lhes nomes de moradores da cidade envolvidos, e que eles estão dispostos a ajudar a descobrir a verdade, porque a família Jaafar é de pessoas boas, com as quais eles possuem bom relacionamento, e que ele não gostaria que nada de ruim acontecesse com Hussein Jaafar. 

Embora declarações do Comitê de acompanhamento dos sequestros, mostre que Arsal e o Clã dos Jaafar possuem um histórico de fraternidade, moradores locais demonstraram existir certo ressentimento entre as duas tribos, o que tem causado as divisões existentes.  "Um cara inocente estava indo para o trabalho, e os Jaafars o sequestraram. Os Jaafars são conhecidos por contrabando, drogas e coisas sujas. Eles não deveriam ter feito isso", disse o morador que se recusou a identificar-se. Por outro lado, Myassar Hujeiri, um dentista local, diz que alguns elementos ruins estão tentando inflamar um conflito sectário entre as duas tribos, que antes não existia e afirmou que eles vivem lado a lado, e vão morrer lado a lado. 

Uma delegação do Movimento Mustaqbal, liderada pelo Secretário Geral Ahmed Hariri esteve na residência do Xeque Yassine Ali Hamad Jaafar em Ramlet al Baida, Beirute, juntamente com membros do clã Jaafar, para pleitear a pacificação da situação entre famílias de Baalbek, Hermel e Arsal na região. Hariri disse existir uma conspiração para minar o Líbano através de conflitos entre sunitas e xiitas, e ele afirmou que isso não será tolerado, porque isso queimaria o país e todas as conquistas pós-guerra civil seriam perdidas, o Xeque Yassine por sua vez, concordando com Hariri, afirmou o desejo de extinguir imediatamente, esse conflito entre sunitas e xiitas.


CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
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