Cônsules Brasileiros Acusados de Assédio Sexual


Foto: entremundos.com.br

Os funcionários do Consulado Geral do Brasil, em Sydney, fizeram um abaixo-assinado pedindo a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o Cônsul Geral, Américo Fontenelle, e o Cônsul Adjunto, César Cidade. No documento, os servidores relatam "assédio moral e sexual, abuso de autoridade, humilhações, perseguições, racismo, homofobia, maus tratos contra cidadãos brasileiros no balcão de atendimento, além de todo tipo de pressão".

Esses problemas vêm acontecendo há mais de dois anos e meio, desde que Fontenelle assumiu o posto. O Itamaraty enviou um embaixador de Brasília, para investigar a situação na Austrália, depois de receber 3 denúncias,  mas o PAD ainda não foi instaurado, e os funcionários temem que o caso seja novamente arquivado. É a segunda vez que Fontenelle responde a acusações semelhantes.

Viviane Jones, signatária do documento, relata com revolta, os assédios que sofreu no ambiente de trabalho, onde deveria ser um ambiente seguro e tranquilo: "Estava na cozinha, abaixada para pegar alguma coisa no armário, quando o embaixador Fontenelle chegou e comentou: 'Que posição sugestiva você está, Viviane'; saí rápido dali, porque estava sozinha e, se acontecesse alguma coisa, eu não teria testemunhas. Em outra ocasião, ele veio por trás, enquanto eu estava trabalhando, e me deu um beijo no rosto, na frente dos outros".

A maior parte das mulheres no Consulado sofre o temor de abuso sexual, segundo Viviane, que relatou também outros fatos, entre eles, que Fontenelle chamava outra funcionária de gostosa, falava de sua bunda, e de seus peitos, e chegou ao ponto de sussurrar no ouvido da colega: “Estou louco para te dar um beijo aqui e agora”. Em outro episódio, o embaixador teria comentado: "Essa italianinha me deixa louco com essas roupas e sainhas curtas". Conforme ela ainda relatou, o Cônsul Geral também se referia às clientes do Consulado como "apetitosa" ou "comestível".

Asiáticos, homossexuais e idosos, também teriam sido vítimas de preconceito e discriminação, de acordo com os servidores. "O conselheiro Cidade tem problemas com chineses. Diz que são todos imigrantes ilegais que querem dar golpe no Brasil. Por isso, ele negaria o visto para tudo que é chinês", relata Viviane. A situação foi se tornando cada vez mais difícil para os funcionários e servidores do Consulado, que decidiram se unir para pedir o afastamento dos diplomatas.

“Eles estão destruindo as relações internas, e o relacionamento com a comunidade", declarou Ailan Lima. Contratado há quase 30 anos, Ailan compara a atual chefia, com as anteriores. "Trabalhei com pelo menos 12 embaixadores, e nunca vi uma pessoa de caráter tão difícil". Ailan, juntamente com os colegas, cobra uma posição do Ministério das Relações Exteriores. "Nosso País tem muito apadrinhamento, jogo de interesses, troca de favores. Precisamos forçar uma definição por parte do governo".
Ele ainda critica o Embaixador enviado para investigar o caso em Sydney: "Ele não foi imparcial. Durante as entrevistas, arrumava justificativas para o comportamento dos acusados", relatou. 
Ailan também foi uma das vítimas do assédio moral.  "Fontenelle ameaça de demissão, humilha, reprime, persegue e repreende por nada. Ele se planta atrás da gente no balcão, e interfere no atendimento de maneira grosseira e irritada, sem se identificar. Volta e meia isso acaba em briga, com os clientes", explica.

Segundo as declarações dos servidores no abaixo-assinado, o atual quadro de redução de funcionários, é resultado direto da prática reiterada dos múltiplos tipos de assédio relatados, o que levou ao pedido de demissão de nada menos que oito funcionários locais, e a remoção prematura de seis funcionários do quadro permanente, somente nos últimos dois anos. "O Itamaraty já errou ao enviar esse desequilibrado para cá. Em outro órgão, de um país sério, Fontenelle já estaria afastado do cargo", criticou Ailan.

O Cônsul Geral, Américo Fontenelle, prefere aguardar a decisão da Comissão de Ética do Ministério das Relações Exteriores para comentar o caso, mas se declara inocente das acusações. O Cônsul Adjunto, César Cidade, está em licença-médica. Segundo o Ministério, a Comissão de Ética passa por uma reformulação, para incluir assistentes e oficiais de chancelaria e secretária, além dos diplomatas. "Dessa forma, a Comissão será mais democrática, e terá maior legitimidade perante todas as carreiras do serviço exterior", diz o Itamaraty. O parecer sobre o caso deve ser divulgado até o final deste mês.

THERESE MOURAD
Fonte: Terra e Globo.

Gostaria de mencionar, que não há lei alguma que permita o uso do poder para assédio moral, ou preconceito e discriminação. Lembrando também, que o cidadão brasileiro, ao entrar no Consulado brasileiro, deveria se sentir em casa, em qualquer país do mundo, pois o seu Consulado representa sua Pátria. Mas as investigações ainda não terminaram, portanto, vamos esperar, e claro que a Gazeta de Beirute acompanhará esse caso até o fim, e vamos publicar o resultado dessa investigação. Boa sorte aos patrícios brasileiros na Austrália.
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1 comments:

  1. Que horror. Como pode um consul se comportar desse jeito? Ele tem que ser mandado embora.

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