Imad Fayez Mughniyeh


Hoje no Especial “Quem é Quem”, vou contar um pouco de um dos membros mais importantes do Hezbollah, que marcou o passado, e não será esquecido no futuro.
Imad Fayez Mughniyeh(Hajj Radwan)

Nascido em 7 de Dezembro de 1962, assassinado em 12 de fevereiro de 2008, Imad Mughniyeh, era um dos membros do Hezbollah, na verdade mais que isso, ele era um dos líderes do Hezbollah, e fazia parte do serviço de inteligência do grupo.

Ele nasceu na cidade deTayr Dibba, em uma família simples de agricultores, seu pai era o Aiatolá Xeique Javad Mughnieh, um clérigo xiita, que viveu toda sua vida no Sul do Líbano. 

Mughniyeh, era descrito em sua região como um jovem que possuía senso de humor fascinante, era muito popular, e tinha uma forte personalidade.
Mughniyeh ingressou em movimentos políticos, com pouca idade, onde primeiramente aderiu ao Fatah(um grupo palestino), na década de 70, Mughniyeh organizou uma união de estudantes, onde 100 homens foram reunidos para apoiar Yasser Arafat.

Em 1981, Mughniyeh, deixou o Fatah, devido a diferenças de opiniões sobre  Saddam Hussein e as mortes de seus irmãos de religião, xiitas, dentro do Regime iraquiano. 

Mughniyeh, chegou a fazer a peregrinação à Meca, acompanhado pelo Ayatullah Fadlallah em 1980 e, assim, foi intitulado Hajj, ele também trabalhou como guarda-costas do Sayyed Mohammad Hussein Fadlallah, um líder espiritual xiita, que pouco se envolvia em questões políticas, sempre voltado ao diálogo, contra a violência, e a influência iraniana no Líbano.
Ao mesmo tempo que ele era um combatente, e revolucionário, Mughniyeh também era um estudante de engenharia da Universidade Americana de Beirute.

Quando Israel invadiu o Líbano em 1982, Mughniyeh que estava no Irã, voltou imediatamente para o Líbano, onde ele participou na defesa de Beirute e foi ferido em combate. 

Em 1982, Mughniyeh  adquiriu uma posição importante na resistência que estava nascendo contra a ocupação israelense, devido às experiências anteriores, em grupos palestinos. E em 1984, ele entrou no Hezbollah.

Mughniyeh foi um homem que toda sua vida se comprometeu com a causa palestina, e teve papel fundamental na saída de Israel do Sul do Líbano. 

Imad Mughniyeh, em sua jornada dentro do Hezbollah, foi suspeito de colaborar com ataques na Embaixada, de Israel na Argentina, e a Embaixada dos Estados Unidos em Beirute.

Ele também foi acusado de estar envolvido com inúmeros sequestros e assassinatos de ocidentais em Beirute durante os anos  de 1980, principalmente o de Terry Anderson, Terry Waite, e Francis William Buckley, que era o chefe da CIA em Beirute. 

Em 8 de março de 1985, várias fontes afirmaram que a CIA realizou uma operação financiada pelos sauditas, em que tentaram matar Fadlallah em um carro-bomba. O clérigo escapou de danos, mas a grande explosão feriu 200 e matou 62 homens no bairro xiita onde Imad morava. Entre os mortos estavam o irmão de Imad Mughniyeh e amigos íntimos. 

Mughniyeh foi formalmente acusado pela Argentina, por envolvimento nos atentados de 17 de Março de 1992 na Embaixada de Israel, em Buenos Aires.
Acredita-se que ele também planejou o assassinato do comandante da IDF no Líbano, Micha Tamir, e de dois soldados israelenses em 06 de abril de 1992. 
Em 2003, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, alegou que essas afirmações eram apenas acusações sem provas.

Com certeza Mughniyeh, foi um dos homens mais importantes do Hezbollah, em 2008, ele foi assassinado na Síria, quando foi entrar em seu carro, uma bomba explodiu. No dia 14 de fevereiro,  dia que  o Líbano relembra a data de aniversário do assassinato de Rafic Hariri, foi realizado pelo Hezbollah, a cerimônia funerária de Imad Mughniyeh. 

Em sua homenagem, o líder do Hezbollah fez um discurso televisionado, e disse: “Israel, vocês sabem porque nós ganhamos a guerra passada? Porque Imad estava lá, defendendo o Líbano, lutando contra vocês.”

A cerimônia, foi realizada na Avenida Hadi Nasrallah, era um dia chuvoso. Houve orquestra nas ruas, bandeiras, faixas e uma multidão de pessoas. Fotos de outros membros do Hezbollah, como o do Seyyed Mussawi e o Xeique Hareb, também foram expostas. Vários líderes religiosos cristãos e sunitas também compareceram.

Foto-Mohammed Zaatari  /  AP

Eu pude comparecer nessa cerimônia, quando cheguei ao local de seu sepultamento, as milhares de pessoas que acompanharam o enterro, já haviam ido embora. Nesta hora só estavam presentes, sua família, alguns membros do Hezbollah e eu. 

Quando entrei homens do Hezbollah perguntaram quem eu era, e pediram que eu não filmasse, mas não apagaram a parte que eu já havia filmado. Infelizmente no Líbano, minha câmera não pôde registrar muitos momentos que meus olhos nunca esquecerão. 

Jornais do Oriente Médio afirmaram que Mughniyeh foi assassinado pela Mossad, juntamente com o apoio de alguns líderes árabes.
Para a CIA ele era o homem invisível, não nomeava nomes no telefone, mudava de carros todos os dias, e até de aparência, ele era uma sombra, imprevisível.

Os poucos que relataram sobre sua pessoa, afirmaram que Mughniyeh falava o árabe, inglês e francês, e tinha uma boa aparência.

Mughniyeh, casou-se com sua prima, Saada Badr, e teve uma filha e um filho, ambos viveram no Irã durante anos, e hoje residem no Sul do Líbano.

E assim, o mundo gira, com suas diversas opiniões, e pensamentos, para muitos americanos ele foi um terrorista, para muitos libaneses um defensor, mas uma coisa é certa, os boatos sobre sua vida muitos conhecem, os fatos, poucos.

Hoje, cinco anos depois de sua morte, apesar dos mistérios de sua vida, ele foi escolhido no especial “Quem é Quem”, porque  o líder do Hezbollah já afirmou, que cedo ou tarde sua morte, será retaliada.


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Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
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