Intervenção da Família Real Saudita no Caso Lama


Foto: Theindependet

A família real saudita interveio na libertação de um “famoso” autointitulado pregador islâmico, acusado de estuprar, torturar e matar sua própria filha de 5 anos de idade. A soltura de Fayhan Al-Ghamdi estava prevista para acontecer depois dele ter concordado em pagar o "dinheiro do sangue" para a mãe de sua filha Lama, que foi severamente espancada com um chicote, sofreu ferimentos múltiplos, incluindo o crânio esmagado, costas, costelas e o braço esquerdo quebrados, unhas arrancadas, além de hematomas e queimaduras extensas. 

O ex-viciado em drogas, que ganhou destaque nacional como pregador islâmico na TV saudita, foi preso no ano passado pelo crime hediondo contra Lama Al Ghamdi. Na época, ele disse às autoridades que suspeitava que a sua filha não fosse mais virgem. Ele chegou a leva-la a um médico para conferir, mas não se deu por satisfeito e admitiu ter usado uma bengala e cabos elétricos dentro da criança. As assistentes sociais disseram que a criança também havia sido estuprada e queimada. Lama foi hospitalizada no dia de Natal em 2011; Sayeda a mãe da criança, era divorciada do clérigo, por causa de seu histórico de violência física, mas tinha a custódia da filha que frequentava a casa do pai para cumprir as visitas estipuladas no divórcio. Porém na última visita, que deveria durar duas semanas, Al Ghamdi se recusou a devolver a menina, e Sayeda ameaçou chamar a polícia, foi quando ele a levou para o hospital. A mãe conta que a equipe do hospital informou-a da grave situação da criança, e que o estupro que ela havia sofrido foi tão brutal, que o reto da menina havia sido rasgado e o agressor tentou fecha-lo queimando-o. Demorou 10 longos meses de agonia antes de, finalmente, a pequena Lama morrer em Outubro/2012. 

O caso provocou um escândalo na Arábia Saudita, com manifestos públicos pedindo que o clérigo fosse condenado à morte, entretanto, a violência doméstica e o abuso infantil são geralmente abafados no país, como assuntos de família. Mesmo se os casos chegam ao tribunal, os pais são tratados com indulgência, porque eles são homens. A mãe disse que não aceitará o “dinheiro de sangue”, pediu que a madrasta também fosse investigada, e disse a seus advogados que ela quer ver o ex-marido executado, o que na Arábia Saudita significa decapitação. Na  Saudita, as autoridades afirmam seguir a Sharia, estabelecida no Alcorão, o que não ocorre, na prática as leis são na verdade baseada num labirinto de palavras e tradições (Hadiths), e interpretações pessoais de clérigos, com tantas contradições quanto os códigos usados por advogados. De acordo com uma leitura, um pai não pode ser plenamente responsabilizado pela morte de seus filhos, a sua perda é uma punição para ele. 

Sendo assim, um juiz determinou que se Al Ghamdi compensasse a mãe com o "dinheiro de sangue" ($50.000), pela perda de sua filha, ele estava livre (o valor é a metade da quantia habitual, porque a vítima era uma menina). Ao invés de obter a pena de morte, ou receber uma longa pena de prisão pelo crime, Al-Ghamdi cumpriu apenas alguns meses na prisão, e de acordo com o promotor publico, pagar a multa é o suficiente para que ele possa ser libertado. 
Porém o Ministério da Justiça emitiu uma declaração dizendo que o clérigo permanecerá na prisão, e o caso ainda está em aberto, até porque a mãe pretende processar e depor contra ele. Em Riad, a família real indignada com o caso, enviou membros ao Ministério, para assegurar que uma punição mais rigorosa seja dada a Al Ghamdi, e disse que a corte real estará de olho no caso, para não permitir que Al Ghamdi seja libertado. Em resposta à indignação pública sobre o caso, as autoridades sauditas criaram uma linha direta 24hs para receber chamadas sobre abuso infantil.

THERESE MOURAD
Gazeta de Beirute

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2 comments:

  1. Chocada... Sem palavras... So consigo chorar... Podem achar q e mentira mas cheguei a ter enjoos qdo li essa monstruosidade.... Maldito mil vezes.... Jesus nos ensinou a perdoar mas esse monstro nao merece perdao....

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  2. Esse cara e um monstro nenhuma religiao aceita isso, ele deve receber pena de morte, porque isso nao se faz jamais, ele e uma vergonha para o mundo

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