Isabella Nardoni


Foto: revistaepoca

O dia 29 de Março pode não ter muita importância para muitas pessoas, mas para milhares de brasileiros, a data marca a triste lembrança de um dos crimes mais hediondos que chocou o Brasil. 

O brutal assassinato de Isabella Nardoni, que foi covardemente assassinada pelo próprio pai, e por sua madrasta, na zona norte de São Paulo. Isabella morava com a mãe desde a separação dos pais, quando ela ainda tinha 11 meses, mas ela costumava visitar o pai duas vezes por mês, a cada quinze dias. O pai, Alexandre Nardoni, casou-se novamente com Anna Carolina Jatobá, e tinha dois filhos: um de 11 meses e outro de 3 anos. 

Na noite do crime, Isabella estava passando o final de semana com o pai, e 10 minutos depois do retorno da família de um supermercado, Isabella foi espancada, asfixiada por esganadura, e lançada ainda viva pela janela do sexto andar do Edifício London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo. O porteiro que estava na guarita do edifício, escutou o estrondo do impacto de Isabella caindo ao chão, e a encontrou no gramado do jardim. 

O subsíndico que morava no primeiro andar, e que também escutou o estrondo, a viu caída no chão, e acionou o resgate. Isabella chegou a ser socorrida e levada para o Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu e morreu. O pai e a madrasta tentaram forjar uma invasão, seguida de latrocínio, porem o buraco na tela de proteção da janela, marcas de sangue no apartamento e nenhum sinal de arrombamento, chamou a atenção da policia, que abriu inquérito para investigar o caso. 

Na sequencia, legistas encontraram marcas e sinais no corpo de Isabella, que comprovavam que ela havia sido espancada e asfixiada antes da queda, e descartaram definitivamente a causa da morte como acidental. A perícia comprovou que a menina havia sido lançada pelos pulsos, de forma estratégica e planejada, através do corte feito na tela de proteção da janela de um dos quartos, e o Ministério Público decretou a prisão do casal Nardoni por homicídio doloso triplamente qualificado e fraude processual, por eles terem alterado propositalmente a cena do crime. Entretanto, eles foram libertados por um habeas corpus, e aguardaram o término das investigações e a sentença do julgamento em liberdade.

A frieza do casal Nardoni e a eloquência em tantas afirmações sobre o ocorrido, ao invés de questionamentos, causaram  desconfianças na delegada responsável pelo caso; havia muitas evidências contra o casal, e o relato deles não fazia sentido com a cena do crime. Segundo a delegada, na primeira hora depois do crime, o comportamento é de choque ou questionamento, e não de investigação, e o casal quis convencê-la da existência de uma situação, criada dissimuladamente por eles, que os excluísse de suspeita, para eles ficarem impunes. 

O julgamento dos assassinos de Isabella aconteceu dois anos depois do crime em um júri popular, o júri considerou o casal culpado. A condenação de Alexandre Nardoni foi de 31 anos, e a de Anna Carolina Jatobá de 26 anos de reclusão em regime fechado. Inacreditavelmente, eles jamais assumiram a autoria do crime e ainda se dizem inocentes.

Hoje, após cinco anos do crime, a mãe de Isabella ainda tenta superar a morte da única filha, ela está noiva e tem planos de construir uma nova família, embora afirme que Isabella jamais será substituída. O imóvel palco da tragédia, foi vendido esta semana e está passando por reformas.   


CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
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