Quatro Xeiques foram atacados no Líbano


Foto-REUTERS/Hussam Shebaro

Os xeiques Mazen Hariri e Ahmad Fekhran, ambos líderes religiosos sunitas, foram atacados no último domingo (17), logo após deixarem a Mesquita Al-Amin, no Centro de Beirute. No mesmo dia, Xeique Ibrahim Abed Al-Latif e Xeique Omar Imani, foram agredidos quando estavam voltando para o Vale do Bekaa. 

Após os atentados, diversas manifestações ocorreram no país.
Na segunda-feira (18), manifestantes indignados, bloquearam estradas com pneus queimados na região de Qasqas e Corniche al-Mazraa. Um dos xeiques ficou muito machucado e sua barba foi raspada pelos agressores.

O Grão-Mufti, Mohammad Rashid Qabbani, a maior autoridade sunita, recentemente entregou os assuntos diários da gestão do Dar al-Fatwa aos estudiosos muçulmanos, devido a disputas internas entre membros sunitas da administração. Ele disse que “a campanha contra ele, abriu o caminho para estas ocorrências.”

Conjuntamente, houve rumores que esse ato teria sido efetuado por xiitas, devido ao local pelo qual passavam os xeiques. No entanto os movimentos xiitas Hezbollah e Amal negaram qualquer envolvimento, e estão ajudando nas investigações.

“O Hezbollah e Amal ajudaram o Exército libanês na detenção de 10 suspeitos” disse o Ministro do Inteiror, Marwan Charbel. 

O vice-secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que “quem realizou esses atos covardes, devem ser punidos e ninguém deve encobri-los, certamente não terão a proteção do Hezbollah, seja quem for, e de qual seita for, pois esse é um ato condenável." 

O Mufti Qabbani, advertiu que “os ataques feitos aos estudiosos poderiam gerar conflitos sectários dentro do país, no entanto os responsáveis dos ataques falharam em seu objetivo de incitar a discórdia entre sunitas e xiitas.”

“O Líbano está sendo alvo de conspiração política, e da possibilidade dos conflitos da Síria se exapandirem para outras regiões”, acrescentou.

O Grão Mufti xiita, Xeique Ahmad Qabalan, afirmou que “conflitos entre xiitas e sunitas são proibidos, e todos devem trabalhar para evitar isso."

Vários políticos, também condenaram o atentado, entre eles, o Presidente da República, e o ex-premiê Saad Hariri.

Apesar de indícios, de que as agressões foram atos isolados, o Presidente Michel Sleiman, pediu que as investigações continuassem e que os culpados sofram punições rigorosas.

O ex-primeiro-ministro, Saad Hariri, advertiu sobre as tentativas de inflamar a luta sectária no Líbano, e acusou o Regime Sírio de tentar “salvar seu regime” com “sangue libanês”.

“Há pessoas trabalhando para que diversos crimes misteriosos ocorram no Líbano” acrescentou.

Na sexta-feira(15), durante um sermão do Xeique Hisham Khalifeh, na Mesquita Al-Amin, homens que estavam presentes em seu sermão, começaram a insultá-lo, e queriam que o Xeique descesse do pulpito, enquanto ele fazia um discurso sobre coexistência e contra o extremismo, até que o Exército chegou ao local, e a ordem foi restabelecida. 

A situação do Líbano é obscura, não se sabe se o mal vem de fora ou de dentro de nossa própria comunidade ou seita. Muitas vezes há problemas não apenas com os “outros”, mas entre “nós mesmos”, dentro da seita que nós pertencemos.

Em um país, onde nomes muitas vezes não são revelados, e os meios de comunicação se contradizem, pela bagagem política que carregam, fica difícil saber quem é quem.

Teria alguma relação os insultos de sexta-feira com os atentados do domingo? O que aconteceu com esses jovens que insultaram o Xeique? Quem são eles? Eles são de algum grupo ou foi uma ação individual? Nada mais foi revelado sobre o caso.

Crimes são desvendados, mas os culpados mesmo que às vezes punidos ficam quase sempre no anonimato. Tem alguém querendo começar uma guerra. Quem?

Chadia Kobeissi
Edição: Claudio Cavalcante Junior
Gazeta de Beirute
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