Terapia do Gancho - Gazeta de Beirute
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Terapia do Gancho



A terapia com a utilização do gancho foi desenvolvida pelo fisioterapeuta sueco Kurt Ekman, na década de 70. Ele era colaborador do médico inglês, James Cyriax, que desenvolveu a técnica de massagem transversa. Porém, esta técnica era realizada com as mãos (mais precisamente com os dedos), o que impedia de ter uma liberação de tecidos mais profundos. Com isso, Ekman desenvolveu um instrumento capaz de atingir esses tecidos mais profundos: ele criou um conjunto de ganchos de aço, de diversos tamanhos. Ekman começou a ensinar a técnica e, com o tempo, foi observada sua eficácia, principalmente entre os desportistas de alto nível. O método de tratamento, através do gancho, visa à diminuição de dor, manutenção e ganho de amplitude de movimento (ADM), devido à ruptura das aderências funcionais do tecido conectivo, geradas por mecanismos traumáticos, e/ou inflamatórios, no aparelho locomotor.

A Crochetagem é um método de tratamento das algias (dores) mecânicas do aparelho locomotor, pela destruição das aderências, e dos corpúsculos irritativos inter-aponeuróticos, ou mio-aponeuróticos, através de ganchos colocados e mobilizados sobre a pele. É uma terapia manual, concebida como um complemento para as diversas terapias utilizadas na Fisioterapia. Consiste em um tratamento externo, indolor, praticado por meio de ganchos (crochets), que visam quebrar aderências, e fibroses, do sistema musculoesquelético.

A técnica de crochetagem é constituída por cinco etapas sucessivas: Palpação digital, palpação instrumental, raspagem, lise de aderência (tração), e drenagem (deslizamentos superficiais e profundos). A terapia do gancho também é conhecida como diafibrólise percutânea. Etimologicamente, diafibrólise percutânea significa rotura, lise do tecido fibrótico, por meio da cútis, isto é, sem incisão aberta. Para isso, utilizam-se ganchos especiais, desenhados para este fim terapêutico.

A estrutura conjuntiva do corpo humano (ligamento, tendões, bainhas, aponeuroses, entre outros), é rica em receptores sensitivos, absorvendo a presença de força externa. Entretanto, essas estruturas não aceitam alongamento além de uma tensão máxima fisiológica, específica, para cada elemento do tecido conjuntivo. Quando a tensão é maior do que os receptores sensitivos suportam, estes enviam mensagens de dor ao alongamento, o que desencadeia uma resposta muscular imediata. A terapia do gancho trabalha exatamente nesses conjuntos de músculos, pelo conhecimento fino de anatomia palpatória clínica, e pela técnica de colocação dos crochets sobre a pele, visando à liberação de aderências ou fibrólises.

A terapia do gancho trabalha a quebra de aderências e fibroses entre os diferentes planos de deslizamento dos músculos, tendões, ligamentos e nervos, devolvendo a mobilidade e as funções normais. Pelo conhecimento fino em anatomia palpatória, e a aplicação dos ganchos sobre a pele, libera as diferentes capas musculares para deslizamento normal, dissolve os cristais de oxalato cálcico, que pegam em diferentes pontos estas estruturas entre si, e melhora os movimentos de deslizamento entre as fáscias. Separa bem estas estruturas anatômicas (músculos, fáscias, ligamentos), para desta forma, liberar as artérias, veias, nervos e gânglios, que passam entre elas, e então tratar os fenômenos inflamatórios (tipo neuralgia). Relaxa o músculo por meio dos feixes neuromusculares, inibindo a hiperatividade gama. Trata os pontos de tensão, ou pontos trigger (ponto gatilho), e prepara uma zona anatômica para receber um tratamento manipulativo ou de outra índole.


Descrição do material:

Depois de ter testado vários materiais como a madeira, osso e outros, K. Ekman criou uma série de gancho de aço, para atender às exigências do seu método. Cada gancho apresenta uma curvatura diferente, permitindo o contato com os múltiplos acidentes anatômicos que se interpõem entre a pele, e as estruturas a serem tratadas.

Cada curvatura se acaba em uma espátula, que permite reduzir a pressão exercida sobre a pele. Isto permite reduzir a irritação cutânea provocada pelo instrumento. Além disso, cada espátula apresenta uma superfície externa convexa, e uma superfície interna plana. Esta configuração cria entre as duas superfícies, uma borda bisoté e desgastada.

Esta estrutura melhora a interposição da espátula, entre os planos tissulares profundos inacessíveis pelos dedos do terapeuta, e permite a crochetagem  das fibras conjuntivas delgadas, ou dos corpúsculos fibrosos, em vista de uma mobilização eletiva.


Efeito mecânico: 
Nas aderências fibrosas, que limitam o movimento entre os planos de deslizamento tissulares. 
Nos corpúsculos fibrosos (depósito úricos ou cálcios), localizados geralmente nos lugares de estases circulatória e próximo ás articulações. 
Nas cicatrizes e hematomas, que geram progressivamente, aderências entre os planos de deslizamento. 
Nas proeminências ou descolamentos periósteos.

Efeito circulatório: 
A observação clínica dos efeitos da diafibrólise percutânea, parece demonstrar um aumento da circulação sanguínea, e provavelmente da circulação linfática. Ainda, o rubor cutâneo que segue uma sessão de crochetagem, parece sugerir uma reação histamínica.

Efeito reflexo: 
A rapidez dos efeitos da Crochetagem, principalmente durante a aplicação ao nível dos trigger points (gatilho, de inibição, do tipo Knapp, Jones, Travell...), sugerem a presença de um efeito reflexo (são aqueles nódulos musculares que nos incomodam). 

Indicações: 
Qualquer patologia articular músculo-tendinosa, ou ligamentosa, que leve a uma fibrose ou formação de aderência: tendinite, dor muscular, contratura muscular, hérnia de disco, fibromialgia, esporão de calcâneo, fasceíte plantar, lombalcitalgia, cervicalgia, capsulite adesiva, bursite, etc.
Às aderências consecutivas a um traumatismo, levando a um derrame tecidual. 
Às aderências consecutivas a uma fibrose cicatricial iatrogênica cirúrgica. 
Às algias inflamatórias, ou não inflamatórias, do aparelho locomotor: miosite, epicondilites, tendinites, periartrites, pubalgia, lombalgia, torcicolo.
Às nevralgias consecutivas a uma irritação mecânica dos nervos periféricos, occipitalgia do nervo de Arnold, nevralgia cervico-braquial, nevralgias intercostais, ciatalgia. 
Às síndromes tróficas dos membros: algoneurodistrofia, canal do carpo.

Contraindicações: 
O terapeuta: agressivo, ou não acostumado com o método.
Todas as afecções dermatológicas, especialmente aquelas que levem a uma fragilidade da pele, e à osteoporose.
Os maus estados cutâneos (pele): pele hipotrófica (cicatriz), pele com úlceras (feridas), as dermatoses (eczema, psoríase). 
Os maus estados circulatórios: fragilidade capilar sanguínea, reações hiper-histamínicas, varizes venosas, adenomas.
 Pacientes que estão fazendo uso de anticoagulantes.
 Abordagens demasiadamente diretas em processos inflamatórios (tendosinovite).
 Psicológica (estresse, emoções), idade (crianças ou idosos), ou solicitação do paciente.


LEA MANSUR
Gazeta de Beirute
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