Trabalho Infantil no Líbano


Há muitos anos, o trabalho infantil tem sido um problema sério, com que muitas organizações vêm tentando lidar e acabar com eles. O Líbano é um dos países que também sofre com este problema, principalmente em regiões pobres das principais cidades e nas regiões rurais. De acordo com um relatório da UNICEF de 2008, existem 3.163 crianças com idade entre 10 e13 anos que trabalham no Líbano (1,2% da população), e 1.947 nessa faixa etária (0,7%) à procura de trabalho, e 28.786 crianças trabalhadoras, com idades entre 14 e 17 anos (10,9%), e 9.525 da mesma faixa etária (3,6%) em busca de trabalho.

O norte do Líbano tem a maior proporção de crianças trabalhadoras em relação aos dois grupos etários de 10 e 13 anos e 14 e 17 anos, e elas podem ser encontradas nos distritos de Trípoli, Akkar e Minyeh. Seguida pela região do Monte Líbano, Beirute, Bekaa e do sul. Os distritos de Trípoli, Minyeh, Akkar, Baabda, Baalbeck, Zahleh, Saida e Tiro, têm cerca de 80% de crianças com idade entre 10 e13 anos, que trabalham. No Monte Líbano, os distritos de Baabda e Metn, tem a maior proporção de crianças que trabalham. As áreas mais afetadas desses distritos são os bairros pobres urbanos de Bab Tebbaneh, em Trípoli, Bourj Barajneh em Baabda, e Bourj Hammoud em Metn. Muitas trabalham mais de 10 h por dias, seis dias por semana, em campos de agricultura, para receber US$7,00 por semana. 

A maioria são meninos, que são forçados a transportar cargas pesadas, lidar com produtos químicos, corte de mármore, vender artigos em estradas, sob circunstâncias ruins, e nas fazendas, são expostos a pesticidas, uma vida injusta e escrava, além de serem maltratados por seus patrões, em várias cidades e vilas do Líbano. As que trabalham com jardinagem montagem de tabaco, cana de açúcar e outras colheitas, também são submetidas a condições nocivas. Além de manejarem máquinas perigosas, lidar com produtos químicos tóxicos, sem equipamento de proteção, elas ainda enfrentam escravidão e abuso sexual, especialmente as meninas, que são vendidas por seus pais, para ganharem um dinheiro extra.  

Trabalhar em condições ruins, que afetam sua saúde, e viver de forma diferente de uma criança normal, certamente arriscará o futuro dessas crianças trabalhadoras, que estão saindo da escola e deixando a sua educação, a fim de trabalhar e dar dinheiro para os seus pais. A porcentagem de trabalhadores sem instrução no Líbano é de 49%, sendo 95% de crianças entre 10 e 13 anos e 84% de crianças entre 14 e 17 anos.  Muitos pais, por necessidade, obrigam seus filhos a conseguir um emprego, a fim de ganhar dinheiro para ajudar o restante da família. Geralmente, o filho mais velho deixa tudo e vai trabalhar para ajudar seus irmãos e irmãs, situação bem comum em várias áreas libanesas. 

O resultado visto, é que na maioria das famílias, o filho mais velho sofre de falta de educação, porque estes pais acreditam que seus filhos nasceram para servi-los, e ajudá-los a ganhar dinheiro, para que assim possam viver mais confortavelmente. Alguns pais, que também começaram a trabalhar em idade precoce, acreditam que colocar seus filhos para trabalhar desde cedo, os deixarão mais fortes, mais experientes, e capazes de passar por cima de situações difíceis, que poderão enfrentar no futuro. 

Outros vendem suas filhas, alegando que elas vão se casar mais cedo ou mais tarde, então, por que não as vender, para assim ganhar um bom dinheiro, e beneficiar o restante da família? 

Em contra partida, empregadores inescrupulosos, dizem que estão 
contratando crianças, porque elas vieram livremente procurar por trabalho, e que eles de fato, não estão fazendo nada de errado. Esses empregadores são criminosos porque eles abusam das crianças, que são tão fracas para dizer “não”, ou para protestarem contra os pais, e esses “chefes”. O trabalho infantil tem grande influência sobre a sociedade, enquanto o número de crianças trabalhando aumenta, o número de adultos educados diminui, essas crianças serão o futuro da sociedade. 

A maioria das crianças trabalhadoras é das regiões rurais citadas 
anteriormente, coincidentemente, as mesmas regiões que mais apresentam problemas, de acordo com os noticiários diários. A educação conduz a sociedade para um nível superior, porém se a educação é ausente entre jovens crianças trabalhando, certamente a sociedade estará em um nível inferior aos outros, porque as sociedades pobres são as sociedades cujas crianças abandonam a educação, e começam a trabalhar cedo. 

Grupos de direitos humanos constantemente estão criticando o governo por nada ser feito para acabar com a prática do trabalho infantil, e agora com o grande afluxo de refugiados sírios em busca de sobrevivência, essa prática vem crescendo ainda mais vasta e rapidamente. Um dos representantes dos trabalhadores infantis, Zoulfiqar Kheireddine, fez um apelo ao governo, para acabar com o trabalho infantil no país, para que as crianças possam viver com dignidade e segurança, e tenham todos os seus direitos reservados e restaurados.  

O Líbano é signatário da Convenção de 1999 da Organização Internacional do Trabalho, que proíbe o trabalho infantil, o tráfico de escravidão, drogas, prostituição e tudo o que prejudique a saúde, a segurança e a moral das crianças.  Diante de tantas cobranças por parte dos ativistas dos Direitos Humanos, Salim Jreissati, Ministro do Trabalho realizou uma reunião em seu ministério, em parceria com Defensores dos Direitos Humanos e trabalhadores menores de idade, na ultima terça-feira (19).

Após a reunião, ele anunciou a iniciativa de ajudar esses menores 
trabalhadores, com a criação de um fórum de discussão, onde eles poderão expressar seus medos, dúvidas, pensamentos, além de exporem suas opiniões em relação ao governo, que pretende documentar as atividades envolvendo os menores trabalhadores no país, com o objetivo de acabar com esses campos de trabalho infantil, como parte de sua obrigação para com a Convenção da OIT.

CLAUDINHA RAHME
Gazeta de Beirute
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