Al-Qaeda Iraquiano e Facção Rebelde Síria Unidos


Foto: Ultimo segundo 

 A organização “Estado Islâmico do Iraque” e a Frente Al-Nusra, anunciaram sua união, no intuito de derrubar o presidente Sírio Bashar El Assad, o que aumentou a preocupação para nações que apoiam a revolta síria, e ao mesmo tempo, temem a militância islâmica. Em um áudio de 21 minutos, o líder do autointitulado Estado Islâmico do Iraque, Abu Bakr Al-Baghdadi, disse que seu grupo financiou células de combatentes da Frente al-Nusra desde os primeiros dias da rebelião síria, iniciada há dois anos. 

No áudio divulgado em sites islâmicos, ele declara que os dois grupos passarão a operar conjuntamente, sob o nome de Estado Islâmico do Iraque e do Levante. "Agora é hora de declarar diante do povo do Levante e do mundo, que a Frente Al-Nusra não é senão uma extensão do Estado Islâmico do Iraque, e parte dele", disse Baghdadi.

Baghdadi alegou que o grupo iraquiano cede metade de seu orçamento para o conflito sírio, como também afirmou, que o grupo sírio não teria um líder separado, sendo liderado pela própria população da Síria, insinuando assim, que ele é o comandante nos dois países. Muitos governos ocidentais e árabes torcem pela derrubada de Assad, mas estão alarmados com o crescente poderio dos jihadistas sunitas, cuja ideologia ferozmente antixiita, tem alimentado tensões sectárias no Oriente Médio. 

A fusão formal de um grupo rebelde sírio, de alta projeção, com o Al-Qaeda, provavelmente desatará preocupações entre os que apoiam a oposição, e são inimigos da rede terrorista global, incluindo os países ocidentais, e os Estados árabes do Golfo. A medida pode aumentar o ressentimento em relação a Frente Al-Nusra, entre outras facções rebeldes, que até agora respeitaram os militantes do grupo por sua postura no campo de batalha, mas a fusão deve complicar qualquer esforço para envio de armas aos rebeldes, a partir do exterior.

O EUA considera a Frente Al-Nusra uma organização terrorista, esse grupo se tornou conhecido no ano passado, quando assumiu a autoria de vários atentados a bomba em Damasco e Aleppo. Baghdadi disse que seu grupo paralisou combatentes experientes, e enviou verbas para células locais da Frente Al-Nusra, como forma de preparar o terreno para uma rebelião armada. 

Um de seus maiores ataques foi lançado em 4 de Março, quando 48 soldados sírios foram mortos em uma emboscada bem coordenada, depois de buscar refúgio através da fronteira do Iraque, após confrontos com rebeldes no lado sírio da fronteira. O ataque aconteceu na Província de Anbar, oeste do Iraque, onde se sabe que o Al-Qaeda é ativo. 

Em um editorial publicado na última terça-feira (9) no Washington Post, o Primeiro-Ministro iraquiano, Nuri Al-Maliki, alertou que uma "Síria controlada totalmente, ou em parte, pelo al-Qaeda e suas afiliadas - uma situação que se torna mais provável a cada dia - seria mais perigosa para ambos os países, do que qualquer outra coisa que tenha sido vista até agora"

Autoridades iraquianas dizem que os grupos jihadistas compartilham três complexos de treinamento militar, além de logística, inteligência e armas, enquanto se fortalecem ao redor da fronteira entre a Síria e o Iraque, particularmente em uma ampla região chamada Al-Jazeera, que eles tentam transformar em um santuário que possa ser explorado por todos. A área poderia servir como base de operações, para lançar ataques nos dois lados da fronteira. 

O que acontecerá se o Al Qaeda vencer essa batalha? O grupo é considerado uma das maiores organizações terroristas do mundo, formada por fanáticos, o que acontecerá com a Síria? Como isso afetaria os países vizinhos? Seria essa uma luta para conquistar a liberdade, ou uma batalha para transformar a Síria em um santuário para islâmicos radicais fanáticos?

THERESE MOURAD
Fonte: Ultimo segundo/ Mundo árabe / Globo.
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