CAMISETA DO MAL?


Foto: lbcblogs.com 

Uma simples camiseta representada por um esqueleto, com crânios aos seus pés, e os dizeres “Lady of Skulls” (senhora dos crânios), confeccionada pela espanhola Inditex, o maior grupo têxtil do mundo (de propriedade de Amâncio Ortega, o sétimo homem mais rico do mundo), com mais de cinco mil lojas distribuídas em mais de 80 países, e que conta com várias marcas de grifes famosas, como Zara, Stradivarius, Pull & Bear e Bershka, causou polêmica entre os libaneses na ultima terça-feira (09), por eles classificarem a camiseta como um insulto a Virgem Maria. 

A Bershka, que possui seis lojas no Líbano e outras filiais no mundo, publicou um pedido de desculpas em seu site, dizendo que não houve intenção por parte da empresa, de ofender a sensibilidade de nenhum cliente. E  esclareceu ainda, que a camiseta em questão, não havia sido comercializada, o lançamento da foto no site foi uma falha técnica, pela qual eles sinceramente pediam desculpas, e que o produto apenas representava um ícone religioso mexicano, a Santa Muerte. 

A Gerente da Bershka em Jounieh, Stephanie Hamawi, confirmou que embora a camiseta apareça no site da empresa, a mesma jamais foi comercializada em nenhuma loja do Líbano, e disse ainda, que ela passou todo o dia respondendo reclamações pelo telefone. Um programa de TV da emissora MTV, disse na noite de terça-feira, que o General de Segurança havia visitado as unidades da Bershka no Líbano, e que nenhuma camiseta, com o referido e ofensivo desenho, havia sido encontrada.

Esclarecimentos e pedidos de desculpas por parte da Bershka, porém, não convenceram o representante do grupo Juventude Ortodoxa, que afirmou em sua pagina no Facebook, que a empresa poderia ter usado qualquer outra imagem da Santa Muerte, que não se assemelhasse a Senhora de Guadalupe, porque quem não conhece a Santa Muerte, certamente se ofenderia como ele se ofendeu, de ver o rosto da Virgem Maria representado por um crânio. 

O administrador da pagina disse ainda que o grupo pretende boicotar a Bershka, e pediu aos fãs da pagina que compartilhassem a imagem, para que o mundo inteiro soubesse como a mãe de Deus era insultada pela Bershka. E desculpando-se de antemão com os irmãos mexicanos, disse que não era apropriado usar o mesmo ícone, para a mãe da vida (Jesus Cristo), e para a senhora da morte (Santa Muerte). 

Muitos tentaram explicar se tratar de uma referência à cultura mexicana, que celebra o Dia de los Muertos em Novembro, porém as criticas se espalharam rapidamente nas redes sociais e blogs, onde libaneses partidários e opositores travaram uma verdadeira guerra “intelectual”, “cultural” e “teológica”, com manifestações de repudio e defesa em relação ao desenho de uma simples camiseta.

A celebração do Dia de los Muertos, de acordo com Jorge Alvarez, Embaixador do México no Líbano, é um ritual que antecede o cristianismo e homenageia os entes mortos, que são representados por máscaras de crânio de madeira, que são colocadas sobre os túmulos dos familiares mortos, assim como outros devotos do ritual, confeccionam caveiras de açúcar, e escrevem o nome do falecido dentro. 

Alvarez disse que atualmente esse ritual não passa de uma sátira à morte, e que independente da presença de crânios na cultura mexicana, o projeto da Bershka, usando a Virgem de Guadalupe com a cara da Santa Muerte, foi de péssimo gosto, e a camiseta também não teve sucesso no México, porque qualquer coisa associada à imagem da Virgem de Guadalupe mexe com a sensibilidade das pessoas.

 O Embaixador mexicano afirmou ainda, que a presença de crânios na cultura mexicana, é mais uma forma de culto e não uma manifestação religiosa, e que este culto surgiu quando o tráfico de drogas, as gangues e os traficantes começaram a exercer papéis importantes no país, e que a Santa Muerte, está associada diretamente ao tráfico de drogas e às gangues de traficantes. E concluiu dizendo que, a polêmica em relação ao projeto da Bershka, certamente repercutiria muito mais no Líbano e no México, do que nos demais países, porém, como o projeto foi mau sucedido, a polêmica não haveria de durar muito.


No link abaixo há um artigo interessante sobre o cronograma de Santa Muerte, para esclarecer a quem se interessar pelo assunto, compreender a Historia e Cultura de outro povo, antes de fazer julgamentos.



Esta não é a primeira vez que marcas da Inditex se envolvem em polêmicas, em 2006, a empresa estampou nas camisetas da Bershka a imagem de uma mesquita, e provocou protestos em Dubai e nos Emirados Árabes. 

Em 2007, ela colocou no mercado uma bolsa com uma suástica, imagem presente em algumas culturas, mas que por razões óbvias, ofendeu a comunidade judaica e motivou protestos de alguns clientes. Em todos os casos, a Inditex se desculpou e retirou as peças do mercado, mas sempre com a desculpa de que o erro fora cometido por seus fornecedores. Segundo alguns estilistas, a Inditex "se inspira" nas coleções de outros estilistas, ou nas tendências observadas em danceterias e na Internet.

A empresa que, em 1975, começou vendendo roupões acolchoados em Arteixo, uma aldeia da Galícia, no noroeste da costa espanhola, tornou-se referência no setor têxtil por oferecer a última moda com qualidade, bom preço, e em tempo recorde: a empresa coloca em suas lojas duas coleções novas por semana, além de desenhar, produzir, distribuir e vender suas coleções em quatro semanas, enquanto a concorrência leva meses para fazer a mesma coisa. 

Para que isso seja possível, a Inditex recorre a 300 estilistas que produzem 35 mil desenhos para uma clientela de gosto variado, distribuída em 400 cidades da Europa, América, Ásia e África. Para levar as roupas ao seu destino, a Inditex conta com 8 centros logísticos na Espanha, além de onze fábricas no país. 

O grupo optou por manter o negócio centralizado geograficamente e, ao contrário do que faz a maior parte das empresas do setor, que subcontratam empresas asiáticas, a Inditex produz mais da metade das roupas na Espanha mesmo. 

Além das fábricas espanholas, há algumas outras em Portugal e no Marrocos. Nelas, a empresa fabrica as roupas mais sofisticadas e deixa para a Ásia a manufatura de produtos mais simples como camisetas e jeans.


CLAUDINHA RAHME 
GazetadeBeirute

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