Cistite, um mal comum entre as mulheres.


A cistite que antigamente era conhecida como “doença da lua de mel”, é uma inflamação da bexiga que traz como sintomas a necessidade constante de ir ao banheiro, dor na região do baixo ventre e ardor ao urinar. Muitas pacientes apresentam crises isoladas, que são tratadas e passam rapidamente, mas outras podem sofrer com a cistite de repetição, que aparece mais de três vezes ao ano. Nesses casos, além do tratamento convencional é preciso fazer um trabalho de prevenção.

- Tipos de Cistites

- Cistite não bacteriana: É apenas uma inflamação da região da bexiga, que pode surgir se você segurar demais o xixi ou ficar muito tempo sem tomar água. Tem como sintomas o ardor ao urinar e o incômodo na região do baixo ventre. Esses sintomas passam em poucos dias com o consumo maior de água e se necessário, ajuda de analgésicos.

- Cistite bacteriana: Esse tipo é o verdadeiro problema. Acontece quando uma bactéria, na maior parte dos casos a E. coli, entra pelo canal urinário e vai ate a bexiga. Os sintomas são os mesmos da não bacteriana, mas não passam tão facilmente podendo inclusive, sangrar. O tratamento deve ser feito com antibióticos e se não for tratada, pode levar a complicações como a Pielonefrite (infecção renal).

- Cistite de repetição: É a cistite bacteriana que acontece três ou mais vezes ao ano. Além do tratamento com antibiótico, ela exige cuidados para evitar a contaminação.

- Como eu pego?

A bactéria causadora da cistite esta presente em nosso corpo, na flora intestinal. Devido à anatomia da vagina da mulher, que tem a uretra mais curta, fica fácil para essa bactéria entrar no canal urinário. Vou listar abaixo algumas formas mais fáceis de pegar a cistite.

Ao passar o papel no sentido do reto à vagina após urinar.

Em relações sexuais, devido à fricção que leva corpos estranhos para a vagina. Se forem muitas relações seguidas, a região fica sensível e a entrada de bactéria é facilitada.

Pela mudança do pH da vagina, seja por uso de géis lubrificantes, preservativos, absorventes internos ou ate sabonete íntimo em excesso.

Tomando pouca água e fazendo pouco xixi, pois o fluxo da urina dificulta a fixação da bactéria na bexiga.

Por baixa resistência. Quando as defesas do organismo estão baixas, o corpo tem dificuldade de se proteger e facilita a entrada da bactéria na bexiga.

- Diagnostico

Ao sentir os sintomas da cistite, procure um ginecologista ou um urologista, que deve pedir uma cultura de urina para identificar a presença da bactéria no seu corpo. O exame leva aproximadamente quatro dias para ficar pronto

- Tratamento

Se o exame identificar a bactéria no seu organismo, o tratamento é feito com antibiótico apropriado para o tipo de bactéria encontrada. Existem remédios que aliviam a dor, mas somente antibióticos são capazes de matar as bactérias! Alguns são tomados por três dias e outros por sete dias.

- Complicações

Se não for tratada, a infecção de urina pode chegar aos rins, causando a pielonefrite. A infecção renal é muito mais complicada de tratar e pode levar a internação, em alguns casos mais graves podem ate causar uma infecção geral, chamada septicemia, com alto risco de morte.

- Casos de cistite de repetição

Devido a fatores genéticos e ate a uma sensibilidade maior na região da vagina, algumas mulheres são mais suscetíveis à infecção de urina e apresentam casos repetidos. A partir de três vezes ao ano, a cistite já é considerada de repetição, mas algumas mulheres chegam a ter mais de dez vezes no ano! Para essas, além do tratamento com antibiótico, os médicos recomendam cuidados para evitar o contagio. 

O primeiro passo é a mudança de hábitos: passar a beber muita água, não segurar o xixi e urinar antes e depois da relação sexual. Mas, se as mudanças não funcionarem, o especialista pode receitar o uso de um antibiótico em baixa dosagem, de forma profilática. A dose reduzida é de um quarto da usada no tratamento e tomada diariamente, pelo período que varia de um mês a anos, para evitar que a infecção comece. Os médicos consideram essa a ultima opção, pois o medicamento pode trazer efeitos colaterais, como irritação do estômago ou resistência da bactéria. Outra dica é uma frutinha que não é comum no Brasil, o nome dela é CRANBERRY. Estudos recentes mostram que ela age na parede da bexiga dificultando a fixação da bactéria.

A cistite não é uma DST (doença sexualmente transmissível). A bactéria já esta no seu corpo, não é um micro-organismo transmitido pelo parceiro. Por isso não pode ser prevenida com preservativo. O que ocorre é que durante a relação sexual há muita fricção, o que leva a bactéria da região do ânus para a vagina, e devido à fricção, a área fica sensível e mais suscetível à contaminação. Por isso, quanto mais relações seguidas, mais fácil ter cistite. Outro fator que favorece a infecção são camisinhas e géis eróticos, que modificam o pH da vagina e baixam nossas defesas. 

Fontes: Sociedade Brasileira de Urologia e Sociedade Brasileira de Ginecologia

Por Yasmeen Chehayeb
Gazeta de Beirute 
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