Expressões Brasileiras



“Dar com os burros n'água!”
A expressão surgiu no período do Brasil Colonial, no qual tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos difíceis, regiões alagadas e muitos deles morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algo e não tem sucesso nisto.

“Acabar em pizza”
Uma das expressões mais usadas no meio político é “tudo acabou em pizza”, empregada quando algo errado é julgado sem que ninguém seja punido. O termo surgiu por meio do futebol. Na década de 60, alguns cartolas palmeirenses se reuniram para resolver alguns problemas e, durante 14 horas seguidas de brigas e discussões, estavam com muita fome. Assim, todos foram a uma pizzaria, tomaram muito chope e pediram 18 pizzas grandes. Depois disso, simplesmente foram para casa e a paz reinou de forma absoluta. Após esse episódio, Milton Peruzzi, que trabalhava na Gazeta Esportiva, fez a seguinte manchete: “Crise do Palmeiras termina em pizza”. Daí em diante, a expressão pegou.

“Chorar as pitangas”
A expressão “chorar as pitangas”, usada no Brasil para designar o ato de chorar e lamentar, se originou a partir de uma adaptação da frase portuguesa "chorar lágrimas de sangue". “Pitanga” é uma palavra de origem indígena e significa vermelho. Desta forma, os índios fizeram uma analogia e começaram a usar a expressão que conhecemos hoje em dia, isto é, de alguém que chora tanto que seus olhos ficam avermelhados.

“De mãos abanando”
Na época da intensa imigração no Brasil, os imigrantes tinham que ter suas próprias ferramentas. As "mãos abanando" eram um sinal de que aquele imigrante não estava disposto a trabalhar. A partir daí o termo passou a ser empregado para designar alguém que não traz nada consigo. Uma aplicação comum da expressão é quando alguém vai a uma festa de aniversário sem levar presentes.

“Fazer nas Coxas”
A expressão “fazer nas coxas” surgiu na época da colonização brasileira. As telhas usadas nas construções da época, feitas de barro, eram moldadas nas próprias coxas dos escravos. Assim, algumas vezes ficavam largas, outras vezes finas, nunca com um tamanho uniforme. Foi desta forma que surgiu a expressão, utilizada para indicar algo mal feito.

“Fazer Vaquinha”
A expressão “fazer vaquinha” surgiu na década de 20 e tem sua origem relacionada com o jogo do bicho e o futebol. Nas décadas de 20 e 30, já que a maioria dos jogadores de futebol não tinha salário, a torcida do time se reunia e arrecadava entre si um prêmio para ser dado aos jogadores. Estes prêmios eram relacionados popularmente com o jogo do bicho. Assim, quando iam arrecadar cinco mil réis, chamavam a bolada de “cachorro”, pois o número cinco representava o cachorro no jogo do bicho. Como o prêmio máximo do jogo era vinte e cinco mil réis, e isso representava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma vaquinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um fim específico.

“Pra inglês ver”
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que tais regras não seriam cumpridas, assim, as mesmas teriam sido criadas apenas "para inglês ver". Foi assim que surgiu a expressão.

“Quinto dos Infernos”
Até o fim do século XVIII, o Ciclo do Ouro no Brasil desencadeou uma verdadeira corrida em busca do enriquecimento. Portugueses e brasileiros de todas as partes se moveram para as novas e promissoras regiões. Entretanto, logicamente a Coroa Portuguesa logo estabeleceu pesados impostos para lucrar com toda a atividade aurífera gerada. Todo o ouro encontrado deveria ser encaminhado para as Casas de Fundição, derretido e transformado em barras, nas quais havia o selo da Coroa (uma espécie de autorização). Neste processo já era cobrado um imposto: o “quinto”, o qual nada mais era do que a cobrança da quinta parte de todo o ouro encontrado. Esse tributo era tão odiado pelos donos das minas auríferas, que passaram a chamá-lo de “o quinto dos infernos”. De fato, a tributação de Portugal foi, inclusive, um dos motivos para a eclosão da Inconfidência Mineira, em 1789.

“Rasgar seda”
Tal expressão, utilizada quando alguém elogia exaustivamente outra pessoa, surgiu por meio de uma peça de teatro do teatrólogo brasileiro Luís Carlos Martins Pena (1815 – 1848). Na mesma, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a mulher percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa.” Foi assim que surgiu a expressão.

“Santo do pau oco”
A origem da expressão “Santo do Pau Oco”, usada para designar pessoas dissimuladas, se originou na época do Brasil Colonial. Entre o final do século XVII e o início do século XVIII, Portugal cobrava altos impostos sobre o ouro produzido em terras brasileiras. Uma forma que as pessoas encontraram de driblar a fiscalização da Coroa foi escondendo ouro em pó dentro de imagens de santos esculpidas em madeira oca. Acredita-se que foi desta forma que o termo popular tenha surgido.

“Tchê!”
A expressão “tchê”, famosa por fazer parte do vocabulário de muitos gaúchos, possui suas raízes na língua das regiões fronteiriças do Brasil, o espanhol. Acredita-se que o termo tenha se originado a partir do “che”, interjeição que significa algo próximo ao nosso “ei”. Desta forma, por volta do século XVIII a expressão acabou sendo incorporada ao Português.

“Uai?”
Conhecida por fazer parte do modo de falar de mineiros e goianos, a palavra “uai” é usada para expressar espanto, surpresa ou impaciência. Na verdade, dependendo do jeito que for usada, pode acabar tendo vários significados. Embora não se saiba com exatidão a sua origem, existem duas teorias nesse sentido. A primeira delas é proveniente dos tempos da Inconfidência Mineira. Para se protegerem da polícia imperial, os inconfidentes usavam uma espécie de senha para garantir que o indivíduo que fosse entrar em suas reuniões era confiável: este deveria bater três vezes na porta da casa e dizer a palavra “uai”, iniciais de União, Amor e Independência. A partir daí, acredita-se que o termo tenha sido incorporado ao vocabulário. A segunda hipótese data de 1824, época em que a primeira empresa britânica se instalou em Minas Gerais. A “Imperial Brazilian Mining Association” permaneceu quase três décadas atuando na exploração de ouro e, desta forma, propagando a língua e os costumes da terra da rainha. Assim, a expressão “uai” seria uma versão nacional da palavra “why” (“por quê?”, em inglês), que possui uma fonética idêntica e um sentido bastante semelhante.

Claudinha Rahme
GazetadeBeirute

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