ONU Vai Interromper Ajuda Aos Refugiados Sírios


Foto: Hussein Malla / AP / Imprensa Associação Images

A ONU está na contagem regressiva para continuar conseguindo cumprir sua missão de auxílio básico aos mais de 400 mil refugiados sírios do Líbano (que vem vivendo em condições cada vez mais difíceis e precárias, sujeitos a conflitos, política, doenças e fome), cortando assim, a ajuda alimentar, de habitação, e de saúde que vem sendo oferecida, por falta de financiamento. Ninette Kelley, Alta Comissária da ONU e Representante dos refugiados sírios no Líbano, disse que a equipe está no lugar, preparada, mas os fundos estão se esgotando, e que os programas vitais que garantem alimento, água potável, educação para as crianças, cuidados de saúde e abrigo para os refugiados recém-chegados, se tornará algo impossível de ser oferecido.

 Os refugiados sírios vêm recebendo 85% de suas contas de saúde para tratamentos em longo prazo de doenças e lesões, porem a UNHCR terá que reduzir essa cobertura para 75% para economizar, segundo a organização 11 mil refugiados recebem cuidados de saúde secundários mensalmente, e uma das medidas a entrarem em vigor nos próximos 10 dias, será o de reduzir a cobertura de cuidados de saúde secundários aos refugiados, segundo informou a porta-voz da UNHCR, Dana Sleiman, que disse também que a equipe está constantemente revendo a estratégia para evitar os cortes, mas que se não houver nada novo, infelizmente os cortes serão feitos.

Os funcionários da ONU estão trabalhando com financiamento limitado aos refugiados, e eles vem tentando encontrar meios de reduzir alguns recursos básicos, que constitui a base do trabalho de ajuda da organização, para que eles possam continuar auxiliando, mas a hora que todos os recursos se esgotarem nada mais poderá ser feito. O programa de ajuda alimentar, que auxilia grande parte dos refugiados, infelizmente será cortado drasticamente, Etienne Labande responsável pelo Programa Alimentar Mundial no Líbano, disse que seus recursos devem durar até o mês de Maio apenas, após esse período, se não houver recursos adicionais urgentemente, haverá um ponto final, e o serviço irá acabar. 

A ONU disse ainda, que estes são os setores que serão cortados inicialmente, pela falta de fundos, mas que outros também estão em risco de serem cortados, como o auxílio moradia e a educação para as crianças sírias. 30 mil refugiados estão registrados nas escolas, todavia, os grupos de ajuda fornecem suprimentos e aulas de reforço para os alunos não familiarizados com o sistema libanês. 

O crescimento inesperado do número de refugiados nos últimos dois anos, ultrapassou não apenas as projeções previstas, como também já vê ultrapassando há meses, o montante financeiro oferecido ao país, destinado ao auxílio dos refugiados. 

Diversas conferências internacionais foram realizadas e centenas de milhões de dólares já foram prometidos para ajudar os refugiados sírios no Líbano, mas a UNHCR recebeu apenas 1/3 das doações, grande parte veio dos EUA e da União Europeia, e das diversas promessas feitas pelos estados regionais árabes, apenas uma parte do financiamento prometido foi recebido até o momento. 

O governo libanês vem alertando constantemente a crise que vem se instalando no país, em virtude do acolhimento aos refugiados sírios, e lançou um apelo solicitando um financiamento de US$ 200 milhões para que o país possa continuar ajudando os refugiados, pois o fardo tem sido muito pesado ao Estado libanês, em custear uma comunidade que já ultrapassou os ditos 400 mil há muito tempo, afirmando que existem muitos refugiados espalhados vivendo em extrema pobreza e sem registro. 

Ruas de diversas cidades libanesas estão lotadas de famílias de refugiados, vivendo em quartos improvisados por um período indeterminado de tempo, e essas pessoas estão sofrendo com o choque da guerra, e suas oportunidades de sobrevivência e subsistência são limitadas, chegando a ser quase nulas, em alguns casos. Sem citar o risco de conflitos entre grupos refugiados e libaneses que vem crescendo

Os refugiados estão espalhados em todo o país, famílias buscando abrigo, trabalho, e os esforços da ONU de ajudar estão sendo muito difíceis e dispendiosos. Na última terça-feira, foi inaugurado em Tiro, um novo ponto de auxilio aos mais de 60 mil refugiados da região, que tem feito contato com a organização e pedindo por ajuda. O auxilio humanitário de moradia tem reabilitado centenas de edifícios abandonados ou inacabados para servir de moradia aos refugiados.

Entretanto, a UNHCR afirmou não ter fundos suficientes para reabilitar 44 novos prédios recentemente identificados, e disse ainda, que as famílias estão cada vez mais desesperadas, tendo que pagar por alugueis caríssimos, em virtude da enorme demanda por moradia barata. A ONU afirmou que é esperado para os próximos dias, mais dezenas de milhares de solicitações de ajuda, apesar do limitado financiamento disponível. 


Foto: Yalibnan.com


CLAUDINHA RAHME
GazetadeBeirute
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