Os benefícios do Feijão



FEIJÂO... Um nome comum, para uma grande variedade de sementes de plantas de alguns gêneros da família Fabaceae (anteriormente, grão). Quanto ao aspecto nutricional é muito bom, pois proporciona nutrientes essenciais como proteínas, ferro, cálcio, vitaminas (principalmente do complexo B), carboidratos e fibras, todos estes nutrientes aparecem em quantias significativas, a ponto de substituir os produtos animais. O seu cultivo é bastante antigo, há referências a ele na Grécia antiga e no Império Romano, onde feijões eram utilizados para votar (um feijão branco significava sim, e um feijão preto significava não). 

Existe feijão para todos os gostos e usos, os norte-americanos costumam comer feijão com bacon e melado, os franceses e os libaneses preferem os feijões mais graúdos, brancos ou vermelhos, sem o caldo. Já os mexicanos preferem comê-lo frito ou refrito, também sem o caldo e com chili, uma pimenta bem picante e perfumada. Mas na verdade, nenhum povo soube tirar tanto proveito do feijão como o brasileiro, onde ele reina soberano, na feijoada, no tutu à mineira, nas sopas, saladas, nas comidas de tropeiros, no acarajé, como complemento para o arroz, ou acrescido de carnes e também legumes.

Histórico: 
Embora durante muito tempo se tenha acreditado que o feijão era originário da Índia, ou mesmo da Ásia subtropical, gregos e romanos o haviam utilizado na alimentação. Os escritores da época, porém, só o descreveram de forma ligeira e incompleta. Existem vários gêneros e dezenas de espécies de feijão, muitas delas nativas do sul do Brasil, e outras regiões das Américas. Ao lado do milho, mandioca, fumo e amendoim, o feijão já era cultivado pelos índios brasileiros.

Cultivo no mundo: 
A difusão extraordinária do cultivo do feijão em todos os continentes deve-se ao fato de que, embora originário de uma planta tropical e subtropical, ele se adapta facilmente aos climas temperados, por ter o ciclo vegetativo curto (90 a 120 dias). A maior área cultivada é a do extremo oriente, e os maiores índices de produtividade, ocorrem nos países baixos, e na Bélgica, com cerca de 2.600 kg/ha.

Valor alimentício e composição:
Ingrediente essencial à alimentação da grande maioria dos brasileiros e também consumido em larga escala pela população de diversos países, o feijão comum contém vitaminas B e C, caseína vegetal, globulina, ácido cítrico, sacarose, entre outros componentes. As sementes do feijão comum, e do feijão de lima, possuem basicamente a seguinte composição: de 21 a 25% de proteínas, de 58 a 64% de carboidratos, e 1,5% de gorduras. A variedade do feijão-fradinho, muito consumido no Brasil (inclusive em pratos de cozinha afro-brasileira como o acarajé), tem a seguinte composição química: água, matéria azotada, graxa não azotada, fibrosa e mineral. Identificou-se ainda 0,4% de ácido silícico e areia, 34,62% de ácido fosfórico e 4,43% de nitrogênio.

Os grãos, secos, ou verdes, são usados na preparação de vários pratos regionais, no Brasil, o mais famoso é certamente a feijoada, muito apreciada, principalmente no Nordeste e no Sudeste, e apontada na Europa, como um dos pratos mais representativos das Américas, com lugar de destaque no Larousse Gastronomique. 

Em São Paulo e Minas Gerais, o virado à paulista e o feijão tropeiro, são outros pratos importantes e preparados com o feijão-mulatinho. Tanto o grão, como a rama do feijão, também constituem excelente forragem para o gado. Na medicina popular, a fécula é usada no preparo de cataplasmas, e as folhas e ramas, após as colheitas, são usadas como adubo, especialmente por sua eficiência na incorporação e fixação de nitrogênio ao solo.

Fonte de proteínas: 
As proteínas vegetais que o feijão fornece, são formadas por aminoácidos chamados lisinas, as proteínas são essenciais para a saúde dos tecidos do corpo (osso, pele, órgãos e músculos). No entanto, o feijão não pode ser a única fonte de proteínas da dieta. As melhores fontes do nutriente são carnes em geral e laticínios. De acordo com a Tabela de Composição Química dos Alimentos da UNIFESP, 100g de feijão cozido, apresentam 8,6g de proteína e 100g de peito de frango cozido, possuem 31g, uma diferença e tanto! 

Ajuda a prevenir cáries: 
O casamento de arroz e feijão proporciona uma dose diária de flúor que pode ajudar no controle de cáries nos dentes, segundo um estudo da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Unicamp (SP). Os pesquisadores acreditam que esses alimentos absorvem o flúor presente na água tratada, que costumamos utilizar para o preparo, e esse mineral fica concentrado na saliva de quem consome o arroz e o feijão, aumentando a proteção dos dentes. 

Controle do peso: 
Inserir o feijão em uma dieta balanceada pode ajudar no emagrecimento.  É preciso moderação no consumo, já que o alimento é rico em carboidratos e pode engordar, 100g apresentam 22g do nutriente, semelhante à quantidade encontrada no arroz (28 gramas). Mas o feijão leva vantagem, por ter boas quantidades de fibras: 6,4g na mesma porção. Depois de ingeridas, essas fibras formam um gel, e permanecem mais tempo no estômago, aumentando a sensação de saciedade. Dessa forma, você vai demorar mais para sentir fome. 

Contra o intestino preso: 
As fibras são famosas por aumentarem o volume das fezes, dando um empurrãozinho para o intestino funcionar melhor. As fibras solúveis, presentes no feijão, servem de base para a formação de substâncias chamadas ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), eles fornecem energia para que as células do intestino desempenhem bem as suas funções.

Diabetes: 
Esta é mais uma vantagem das fibras do feijão: fazer com que a glicose presente nos alimentos, seja absorvida aos poucos, dessa forma, não há picos de hiperglicemia e o paciente de diabetes consegue manter a glicemia estável por mais tempo.

Previne câncer e doenças degenerativas: 
O feijão é fonte de compostos fenólicos, substâncias antioxidantes que ajudam a reduzir o risco de alguns tipos de câncer, doenças degenerativas e problemas cardiovasculares. As fibras do feijão ajudam a combater a obesidade, e controlar os níveis de colesterol e de glicemia do sangue - problemas que aumentam as chances de doenças crônicas. 

Fonte de minerais: 
Por ser rico em ferro, o feijão é uma das principais armas do combate à anemia ferropriva, que é a diminuição do número de células vermelhas (hemoglobina) do sangue, causada pela falta do mineral. Sem hemoglobinas, o sangue não consegue transportar oxigênio para que as células do corpo produzam energia. O grão também contém boas quantidades de zinco e magnésio. O primeiro é importante para inúmeras reações químicas que ocorrem no organismo, e a sua falta, pode causar desde problemas de memória e até convulsões. Já o magnésio, é fundamental para a saúde dos ossos, músculos, cérebro e sistema nervoso. 

Vitaminas do complexo B: 
Entre as vitaminas presentes no feijão, há destaque para o folato, também chamado de ácido fólico e vitamina B9, esse nutriente é muito importante durante a gestação para evitar deformidades no feto. A falta dessa vitamina pode causar alterações de humor, e até anemia, com sintomas parecidos ao da anemia ferropriva, como cansaço e fraqueza. Uma porção de 100g de feijão contém aproximadamente 130 microgramas de ácido fólico.

Feijão para todos os gostos: 
Existem vários tipos de feijão, que são abrangidos por esta família, alguns tipos de grãos são utilizados para cozinhar, enquanto alguns são comestíveis crus. Feijões são conhecidos por suas altas proteínas, baixo teor de gordura, e baixo colesterol. Eles também são ricos em minerais, como potássio, magnésio e ferro. São muito versáteis e utilizados em várias cozinhas de todo mundo. 

Veja a seguir alguns dos tipos de feijão e informações resumidas sobre cada tipo:

Feijão Azuki: 
São cultivados, extensivamente, nos países orientais como Japão e China. Estes grãos são pequenos no tamanho, na cor vermelha, de forma redonda com sabor doce. Devido ao seu sabor doce, esses grãos são usados para fazer pasta doce de feijão. Arroz de feijão vermelho, a lua-bolos e baozi, são algumas das cozinhas asiáticas que utilizam feijão azuki. Esses grãos são uma boa fonte de nutrientes, como potássio, ferro, fibra, cobre e a vitamina B3. Eles são pobres em gorduras e sódio, e consequentemente, ajudam a manter os níveis normais da pressão arterial.

Feijão Preto: 
Esses grãos são uma parte da dieta básica dos latino-americanos e caribenhos.  São redutores naturais de colesterol, e uma boa opção para incluir na dieta de pacientes diabéticos. São muito consumidos pelos brasileiros, principalmente na feijoada.

Favas: 
São considerados uns dos legumes mais antigos cultivados. Conhecido também com outros nomes como, feijão pombo e feijão Windsor. Estes grãos têm sabor único, com textura suave e cremosa, após o cozimento. Estes grãos são também chamados de favas, pois eles podem causar favismo (uma deficiência da enzima causada devido à exposição a fava). Pode ser consumido cru, e é muito consumido pelos Libaneses.

Feijão de bico: 
Conhecido como grão de bico, também são chamados de ervilha indiana, ervilha, ou Ceci, e são nativos do Oriente Médio, constituindo um dos tipos de grãos comestíveis, e muito rico em proteínas. Também é considerado um dos legumes mais antigos do mundo. Eles têm uma textura firme, e seu sabor semelhante às castanhas ou nozes. Hommos, curries, falafel, são algumas das receitas, onde o grão de bico é usado.

Feijão branco: 
Com grãos de tamanho grande, é a variedade ideal para o preparo de saladas ou pratos mais elaborados, como o Cassoulet e a dobradinha brasileira.

Feijão vermelho: 
De coloração vermelha escura e grãos longos, é uma variedade mais indicada no preparo de saladas, porque depois de cozidos, os grãos se mantêm íntegros. Os franceses chamam-no Flageolet, e fazem dele um complemento para os assados, com salsa picada e manteiga.  

Ervilhas: 
Feijão lima, feijão manteiga, feijão Pallar, feijão Haba, feijão Madagascar, feijão açúcar, etc. São sementes de uma leguminosa chamada Phaseolus lunatus. Os grãos de lima são planos, com sombra verde branco. Eles são nomeados como feijão manteiga, devido à sua manteiga, com sabor e textura, macia e cremosa. Estes grãos são encontrados em grandes e pequenas variedades, e são usados para preparar uma série de receitas.

Feijão Rosinha: 
Pequeno e rosado, ele absorve os temperos, e ficam ótimos usados em farofas, ensopados e cozidos.

Feijão jacinto: 
Feijão indiano, feijão egípcio, bulay, são alguns nomes do feijão jacinto, que é cultivado em regiões tropicais, como, Índia, Indonésia e África. O feijoeiro cresce como uma trepadeira, e tem vagens que são roxa escura. Não só o feijão, mas as folhas e flores desta planta, também são comestíveis.

Feijão Carioca: 
O mais consumido no Brasil, e ideal para cozidos, seu tamanho médio e as listras de um marrom mais forte, são sua "marca registrada".

Feijão de corda: 
Parceiro do arroz, no prato nordestino baião de dois, e no acarajé.

Feijão Mulatinho: 
Perfeito para o preparo do feijão-tropeiro.

Feijão Jalo: 
Os grãos são grandes e amarelados, depois de cozidos, formam um caldo encorpado, de coloração marrom avermelhada. É muito consumido em Minas Gerais, e na região central do Brasil, e serve de base para o preparo de Tutus e Virados.

Feijão Fradinho: 
Também conhecido como feijão macassar, ou feijão de corda, é com ele que se prepara o acarajé. Possui coloração clara, e um "olho" preto. Seja qual for a receita escolhida, ela, com certeza, ficará mais saborosa se o feijão estiver novo. 

Para quem mora no campo, próximo às lavouras, fica mais fácil saber se o feijão está novo, quando foi colhido. Mas e para quem mora nas cidades? 

O feijão comercializado a granel, em feiras livres, costuma ser mais novo do que o feijão vendido já embalado. Observe se os grãos estão brilhantes e graúdos, um sinal de que não perderam sua umidade natural. Para tirar a dúvida, uma boa dica é dar uma mordidinha no grão: se ceder sem quebrar, o feijão é novo.

Lea Mansur
Gazeta de Beirute
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