Pintura Orientalista


Foto: rceliamendonca.wordpress (Pintura de Edwin Lord Weeks)

Pintura orientalista refere-se às obras de muitos artistas do século XIX, que se especializaram em representar o Oriente, muitos deles, após suas viagens ao Norte da África e Ásia ocidental, no intuito de retratar naquele contexto, os povos do oriente, considerados atrasados, selvagens e à margem da civilização, por serem diferentes dos ocidentais. Usados como alívio, para o estresse e pressões sofridos durante o desenvolvimento acelerado das cidades, os povos orientais, foram descritos de acordo com a visão ocidental, onde na maioria das vezes, eles não foram retratados de acordo com a realidade em que viviam, mas representados através de um ilusionismo fictício criado na imaginação de seus autores. A Pintura orientalista vendeu o suficiente para estimular uma  produção farta, porém de menor qualidade. 

O Oriente era visto e descrito, como o lugar que a Europa não podia ter, em contraste com todo o materialismo da cultura ocidental, o que deu origem a um modismo oriental, aumentando o turismo na região, narrativas sobre viagens e tema nas artes e na cultura europeia, com sutis mudanças de estilo, abordagem e formato, porém com o mesmo conteúdo. O Ocidente era o símbolo da civilização, do desenvolvimento e da modernidade, e sempre representado por uma figura masculina, em contra partida, o Oriente, era o seu oposto, onde o homem da cidade poderia experimentar tudo aquilo que estivesse fora do seu contexto, e ironicamente, era representado pelo feminino, onde a mulher, se tornou símbolo da fertilidade, da fartura, e da disponibilidade, o oásis exótico, e perfeito para o repouso e prazer do viajante.

“Mouros”, “turcos” islâmicos (a forma como os muçulmanos do norte da África e da Ásia Ocidental eram referidos), tapetes orientais, palácios, mulheres seminuas ou nuas, crianças, frutas e paisagens paradisíacas, derivadas do interesse pelo oriente, eram muito comuns nessas obras, desde a época medieval, passando pela renascentista e chegando ao barroco. Muitos orientalistas pintaram minuciosamente aquilo que viram em suas viagens, porém, outros retrataram aquilo que imaginaram.

Embora os rostos das mulheres orientais retratadas nas pinturas, nada se assemelhassem as mulheres do oriente, milhares de orientalistas, insistiram em retratar as mulheres orientais, como eles as imaginaram, e não como de fato elas eram; se baseando nos traços de mulheres ocidentais. Nos grandes harém e palácios, existiam mulheres de diversas regiões, porém todas elas apresentavam os mesmos traços, comprovando assim, que muitos orientalistas jamais estiveram em contato com elas, e pintaram apenas o que fantasiavam, ou já haviam lido sobre elas. 
Para dar veracidade na sua imaginação, o artista buscava da técnica de se detalhar minuciosamente, rostos, objetos, tecidos, paisagens, tudo o que distraísse o espectador e encobrisse a realidade do tema.
Muitos pintaram odaliscas nuas, e seminuas, para impressionar e dar asas a imaginação do que poderia ser encontrado no Oriente ao ter contato com as mulheres orientais, porém, por se tratar de uma fantasia retratada e não experimentada, esses orientalistas, se esqueceram de atentar a certos fatos, antes de tentarem iludir a culta e moderna sociedade urbana. 

O termo odalisca vem da expressão turca, “uadahlik”, que significa criada de quarto, e que dentro da hierarquia dos haréns, era a casta mais baixa existente entre os criados do palácio, e constituída por escravas muito jovens, provenientes de mercados de escravos, capturadas em guerras, sequestradas, e ou ainda, vendidas por suas famílias pobres. Quando essas “uadahliks” chegavam aos palácios, elas recebiam treinamentos em diversas áreas, que iam desde modos e etiqueta, até artesanato, artes, música, dança e leitura do Alcorão, visto que não havia como saber quais delas seriam belas e “úteis”, na idade fértil. 

Elas passavam o dia todo ocupadas em suas atividades e treinamentos, e obviamente aprendiam com o tempo, que desenvolver seus talentos e receber reconhecimento, fariam com que elas se destacassem, e chamassem a atenção do sultão, para se tornar sua concubina, que certamente, era uma posição bem acima e bem melhor, do que ser uma criada de quarto. Portanto, a ambição e a competição entre tantas mulheres belas e talentosas, fazia parte dos sonhos de cada uma delas, que almejavam desesperadamente subirem na hierarquia do harém para enfim, desfrutarem de uma boa posição e exercer poder perante as demais. 

Concluindo, todas as obras orientalistas, que retratavam mulheres nuas ou seminuas, ingênuas, deitadas, passivas e submissas, a disposição ou espera de alguém (um homem civilizado da cidade recém-chegado de viagem, por exemplo), faziam parte do fetiche dos artistas que as retrataram, mas não tinham absolutamente nada a ver com a realidade. Porém, no final do século XIX, os impressionistas começaram a dominar a vanguarda das artes, por meio da abstração, fazendo com que a pintura orientalista ficasse fora de moda, logo no inicio dos anos 30, os preços das obras despencaram, o gênero se marginalizou, se desvalorizou e muitos museus e membros da sociedade venderam suas coleções, substituindo-as por outras mais “modernas”.

Alguns comparativos entre as pinturas orientalistas, de acordo com os países europeus:

Pintura Orientalista Francesa: se baseou na invasão mal sucedida de Napoleão no Egito e na Síria, em 1798-1801, e estimulou o interesse do público por egiptologia. Algumas das primeiras pinturas eram explícitas propagandas, a favor do imperialismo francês, que retratava o Oriente, como um lugar atrasado, de ilegalidade e barbárie; sempre domados, pelo domínio francês, que também retrataram o Oriente como exótico, colorido, sensual, e estereotipado; com ênfase na cultura islâmica, conforme a França se engajava cada vez mais no Norte da África.  

Pintura Orientalista Britânica: As origens se devem mais à religião do que a conquista militar, ou a busca de locais plausível para mulheres nuas. 

Pintura Orientalista Alemã: Retratava uma espécie de autoridade sobre o Oriente, no interior da cultura ocidental.

Pintura Orientalista Austríaca: Seguiu a linha de Napoleão, porém com temas influenciados mais como um estilo da época, onde o Oriente entrava no repertório de um artista, muitas vezes depois de uma viagem oriental, ou seja, de uma experiência pessoal. A escolha temática do Orientalismo Austríaco maduro era mais realista, do que as cenas escapistas francesas, e retratos voyeurs de um Orientalismo imaginado. Os austríacos estavam mais interessados em paisagens, cidades e pessoas do que em lendas fantasiosas, e suas configurações atribuídas ao palco Oriental. A pintura orientalista austríaca não é excepcional no contexto europeu do Orientalismo, entretanto, os pintores austríacos foram os mesmos pintores, viajantes, da França e da Grã-Bretanha, com temas semelhantes.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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