Prevenindo a cervicobraquialgia


Sabe aquela dor que bate na região posterior do pescoço?  Esse incômodo tem nome: CERVICALGIA
E quando essa sensação penosa inventa de irradiar pelo braço, pelo antebraço e pela mão, o mal-estar vem em dobro.  Esse problema é batizado de CERVICOBRAQUIALGIA.

O nome é estranho, mas vou explicar, trata-se de uma inflamação que geralmente surge por causa da carga excessiva, e dos esforços, a que a nossa coluna cervical é submetida no dia a dia. Junto à dor, é comum aparecer fadiga muscular, e nos casos mais graves, o músculo pode se atrofiar. 

Isso são sinais que podem não ser localizados, e tanta indisposição pode se propagar pelo corpo, pois os nervos, que saem da coluna cervical, possuem ramificações que se estendem por ombros, cotovelos, antebraços, mãos, dedos e cabeça (região da nuca). 

Normalmente, o mal-estar irradia só para um membro, exceto nos casos em que há compressão intensa, como uma hérnia de disco acentuada. Isso poderá causar irradiações nos dois membros superiores, e a dor é o sinal de alarme de que o nosso corpo sofre de algum dano ou lesão. Dependendo do grau, esse incômodo pode tornar a vida limitante, e deixar a pessoa impossibilitada de realizar tarefas diárias.

Anatomia: 
A coluna é formada por 33 vértebras (ossos), que são intercaladas por discos intervertebrais. Uma das funções destes discos é manter espaço entre as vértebras, para a passagem dos nervos entre elas. 

Mas então o que é a cervicobraquialgia?

É uma dor neurológica, causada por uma inflamação na origem, ou no trajeto, do nervo. A principal causa em adultos jovens é uma herniação do disco vertebral na região cervical, que comprime a raiz nervosa. 

Em idosos, a causa mais comum é a combinação de fatores: diminuição do espaço intervertebral e artrite. Outras causas são: postura inadequada, tarefas repetitivas e sedentarismo.

Etiologia: 
A dor na coluna cervical, com ou sem irradiação para o membro superior, e outras estruturas, tem uma prevalência alta na população (entre 28% e 34% das pessoas com mais de 25 anos). 
A braquialgia é uma complicação tardia da cervicalgia, sendo sua frequência, três vezes maior nos pacientes que já sofreram dor na coluna cervical. 


 A cervicalgia e a cervicobraquialgia podem ter as seguintes causas:
- Originárias de alterações da própria coluna cervical

- Provocadas por alterações fora da coluna cervical
É interessante classificar, sindromicamente, as cervicobraquialgias agrupando-se os sinais e sintomas, levando mais em consideração sua exteriorização clínica, do que propriamente sua etiopatogenia:

Síndromes articulares: 
A dor é do tipo mecânico, e intermitente, com histórico anterior de trauma, aparecendo ou se exacerbando com os movimentos da coluna cervical. As estruturas lesadas são sensíveis à pressão exercida pelos dedos do examinador. Os pacientes com vertigens, tonturas e zumbidos devem realizar radiografias de coluna cervical.

Síndromes radiculares: 
São causadas pela compressão das raízes nervosas, por material discal herniado, ou protrudente, ou por osteófitos (pequenos fragmentos de ossos) posteriores, que invadem o orifício de conjugação, ou, ainda, por ambos. A dor é, muitas vezes, de caráter agudo, severa e agravada pelos movimentos da cabeça, sendo acompanhada de parestesias (formigamento), e eventualmente, de fraqueza muscular. As dores são intermitentes, melhoram com o repouso e com algumas posições da cabeça.

Síndromes mielopáticas: 
Os sintomas são: parestesias, fraqueza de membros inferiores, mais do que superiores, hipotrofia muscular e paraparesia espástica, pós-fadiga.

Síndrome da artéria vertebral: 
As alterações espondiloartrósicas deslocam a artéria lateralmente e, em casos graves, até posteriormente, com possíveis tonturas, ataques isquêmicos cerebrais e cerebelares, nistagmo, fraqueza, disartria e dor de cabeça, que podem ser desencadeadas pelos movimentos do pescoço.

Quais são os sintomas? 
Dor, fraqueza e parestesia (formigamento) no pescoço e/ou irradiada para o membro superior. Espasmos musculares e fasciculações podem ocorrer na região inervada, pela raiz nervosa comprimida. Outros sintomas são: fraqueza, flacidez, perda dos reflexos, falta de coordenação, perda de força no punho, dificuldade de segurar objetos, de escrever e de realizar tarefas gerais com as mãos. Dores de cabeça na parte posterior, e dores irradiadas nas costas e região escapular, também podem ocorrer.

Como é feito o diagnóstico? 
O médico usará a história clínica, fará exame físico, e avaliará um Raio X.  Se isso não for suficiente para determinar o diagnóstico, ele poderá pedir uma RNM (ressonância magnética) ou TC (tomografia computadorizada).

Tratamento: 
O tratamento depende da causa do problema, mas costuma ser de fácil resolução. O médico poderá receitar anti-inflamatório e analgésico. Além disso, ele poderá encaminhar o paciente para a fisioterapia.  
O fisioterapeuta poderá fazer uso dos aparelhos que tem função anti-inflamatória e analgésica, fazer alongamentos, exercícios para a cervical, e tração cervical, lenta e progressiva, que traz grande alívio aos pacientes. Descobrir as restrições teciduais, suas direções e parâmetros, é o que nos possibilita saber que técnica usar e de que forma. Seguindo estes preceitos básicos, torna-se muito mais rápido e eficaz o tratamento da cervicobraquialgia.

Prevenindo a cervicobraquialgia:
•Mantenha a cabeça ereta durante o trabalho em frente ao computador; 

•Deixe os ombros relaxados durante as tarefas que exigem apoio dos braços;

•Evite carregar peso;

•Procure dormir em colchão e travesseiro adequados ao seu tamanho e peso;

•Recorra a sessões de fisioterapia preventiva, principalmente se tiver uma sobrecarga de trabalho.


Lea Mansur
Gazeta de Beirute
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