Samir Geagea

Esta semana no especial quem é quem, vou contar um pouco de um político polêmico, que possui muitos amigos e inimigos, seu nome é:
Samir Geagea

Nascido em 25 de Outubro de 1952, em Ain al Rumanah, em um lar modesto de uma família maronita. Seu pai trabalhava no exército libanês, e com o auxílio de uma bolsa de estudos, ele estudou medicina na Universidade Americana de Beirute, mas interrompeu os estudos durange a guerra civil, retomando mais tarde os estudos na Universidade Saint Joseph. No entanto, Geagea nunca praticou sua profissão, e ingressou cedo na vida política, sendo um membro ativo de um partido falangista, que se tornou a maior força cristã de combate do país.

Em junho de 1978, após o assassinato de Joud el Bayeh, um líder do partido falangista, Bachir Gemayel, o então líder do grupo, ordenou que Geagea e Elie Hobeika capturassem os suspeitos de assassinar Joud el Bayeh. Nos confrontos entre os dois grupos cristãos, a falange matou quarenta pessoas, incluindo, Tony Frangieh, sua esposa, e sua filha de três anos. O incidente ficou conhecido como O Massacre de Ehden. Neste conflito, Geagea também foi atingido, e sua mão direita ficou parcialmente paralisada, e ele chegou a ser tratado na França.

Em 1980, Geagea foi nomeado Chefe das Forças Libanesas, onde comandou cerca de 1.500 homens. Com estes soldados, Geagea participou de várias lutas contra a milícia de Walid Jumbaltt (e seu partido socialista), e lutou contra os sírios e os palestinos. Ao mesmo tempo, ele se dedicou a serviços públicos nas áreas cristãs, e diminuiu os impostos a serem pagos pelos cristãos; Geagea também tentou abrir um aeroporto na região de Halat, porque o Aeroporto Internacional de Beirute estava sob o controle das forças sírias.

Em 1992, ele particiou de uma eleição para se tornar o líder da Falange Kataeb, mas perdeu para  Georges Saadeh. Após os maiores conflitos da guerra civil, o presidente Elias Hrawi, promulgou uma lei de anistia a todos os crimes e atrocidades cometidos antes de 1990, no entanto, a lei afirmava que qualquer crime comtetido após essa data, anularia o efeito da anistia. Em 27 de Fevereiro de 1994, uma bomba explodiu na Igreja de Sayyidet al Najet, matando nove fiéis e ferindo muitos outros, embora não tenha ficado claro quem teria sido o autor do atentado, Samir Geagea foi acusado pelo crime.

Em 23 de março de 1994, o governo libanês queria o fim das Forças Libanesas, e no mesmo ano, Geagea foi preso, sob a acusação de ordenar o bombardeio da igreja, de tentar minar a autoridade do governo, por instigar atos de violência, e de cometer assassinatos durante a Guerra Civil Libanesa. Ele também foi acusado dos assassinatos do ex-primeiro-ministro Rashid Karami, líder do Partido Nacional Liberal, de Dany Chamoun e sua família, do ex-membro das Forças Libanesas, Elias al Zayek, e também de tentar matar o Ministro Michel Murr. 

A Anistia Internacional criticou o julgamento e a condenação de Samir Geagea, que também negou ter cometido tais crimes. Geagea ficou preso por 11 anos numa pequena cela solitária, no subsolo do Ministério da Defesa em Yarze. Seu estado de saúde foi comprometido, e devido às condições em que vivia, ele perdeu peso drasticamente. Durante muito tempo, ele ficou privado de ter acesso aos meios de comunicação, sendo autorizado a ver somente a esposa e os parentes próximos, e suas conversas eram monitoradas. 

Em 2005 Geagea foi liberado, quando os defensores da Revolução do Cedro, ganharam as eleições parlamentares de 2005, e lutaram para que sua liberdade fosse concedida, Emil Lahoud, Presidente do Líbano na época, um cristão que não apoiava Geagea, assinou o pedido de sua libertação. Geagea, afirmou que durante o seu tempo na prisão, ele se dedicava à leitura de livros filosóficos e religiosos, e que também refletiu sobre suas atitudes do passado, durante a guerra civil. 

Em 2008, Geagea se desculpou publicamente num discurso, onde disse: "Peço desculpas por todos os erros que cometemos quando estávamos realizando nossos deveres nacionais, durante os últimos anos da guerra civil... Peço a Deus para nos perdoar, e também peço perdão para aqueles que ferimos no passado”

Atualmente, o político libanês Samir Geagea, e o Partido Forças Libanesas, são considerados os principais membros da Aliança 14 de Março, uma coalizão anti-Síria. Muitos muçulmanos não gostam de Geagea, em virtude dos conflitos ocorridos durante a guerra civil, outros o defendem, afirmando que ele agiu de forma nacionalista. Exemplos bem conhecidos são Rafic Hariri e seu filho; o pai antes de morrer se posicionava contra a libertação de Geagea, já o filho, Saad Hariri, é seu aliado. Em relação aos cristãos, Geagea tem muitos simpatizantes, mas ao mesmo tempo também possui inimigos.

A Falange foi muito criticada quando apoiou as forças israelenses no Líbano contra os palestinos, principalmente no Massacre de Sabra e Chatila, ocorridas após o assassinato de Bachir Gemayel, Presidente libanês e líder falangista, onde aproximadamente, 3.500 pessoas foram mortas, entre elas palestinos e libaneses xiitas. No entanto, os grupos que lutaram contra Geagea, também foram criticados pelos conflitos na guerra civil, e também por aceitarem, e apoiarem, a presença Síria no país. Muitos dos libaneses são contra os dois grupos, que se aliaram a outros países, esquecendo-se de colocar o Líbano em primeiro lugar, e outros ainda acreditam que as alianças com outros países levarão o Líbano para frente.

Em 4 de Abril de 2012, tiros foram ouvidos na residência de Samir Geagea, que estava caminhando em seu jardim. Foi um atentado contra sua vida que falhou. Houve muitas especulações em torno deste atentado, onde muitos afirmaram ter sido uma tentativa de assassinato realizada por grupos da Coalizão 8 de Março, que são pró-Síria. Porém, como em muitos incidentes no Líbano, nada ficou comprovado.

Veja mais do quem e quem ----> Tammam Saeb Salam

Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
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