A Descoberta da Dança do Ventre


Foto: bellydance.org

As Origens da Dança do ventre se perdem no tempo. Alguns historiadores apontam entre 7.000 e 5.000 A.C.. Acredita-se que ela era praticada nas antigas civilizações como a suméria, Acádia, babilônica e egípcia. No Egito a dança era realizada por sacerdotisas treinadas desde meninas para servirem como canal da Deusa nos rituais religiosos. Nos rituais antigos eram oferecidas flores de lótus, incensos, essências, água e frutas. Enquanto os sacerdotes e sumo sacerdotes preparavam a cerimônia, as sacerdotisas eram as responsáveis pela abertura de um canal para o plano espiritual através do cântico e da dança, para que a energia divina se manifestasse. Sem a presença delas, nenhum ritual poderia realizar-se. Cantavam e dançavam, envoltas por um véu e ao retira-lo demonstravam que o mistério do universo seria revelado.

Homenageando também aos Deuses os imitavam em suas posturas. Sentindo a harmonia cósmica alcançavam um estado de êxtase profundo. Com a prática constante desta arte sagrada, elas ampliavam a intuição, percepção e desenvolviam poderes, evoluindo espiritualmente. A Dança do Ventre era realizada somente em templos, mas com o passar do tempo começou a fazer parte de grandes solenidades públicas nos palácios, o que fez com que ela se popularizasse. Os ensinamentos da dança e do ritual eram transmitidos de geração a geração até a queda do império egípcio, quando perdeu o seu conteúdo original e recebeu influências de outros povos. Com a invasão árabe muçulmana no século VII, ocorreu uma miscigenação de culturas e a dança se espalhou pelo resto do mundo através dos viajantes e mercadores. A arte teve grande crescimento na XVIII Dinastia onde Akhenaton quis retratar a vida e não somente a vida após a morte como seus antepassados. Quis retratar o rei em festas no palácio com diversos artistas contratados inclusive dançarinas populares, pois naquele momento da história do Egito, os cultos a outros Deuses estavam proibidos, visto a nova religião monoteísta. 

As sacerdotisas teriam novamente o papel como mensageiras de HATHOR com seu sucessor e filho Tutancâmon. Encontramos relatos assim em documentos televisionados, papiros antigos e nas ruínas de Tel Armana onde Akhenaton (o primeiro monoteísta que se tem notícia) construiu sua cidade ao Deus Sol. Houve uma época no Egito em que quase todos foram sacerdotes ou sacerdotisas. As pessoas eram recrutadas para cumprirem um estágio no templo de um mês a cada quadrimestre. Assim todas as classes poderiam se sentir mais próximos dos Deuses e evoluindo assim em sua vida espiritual e terrena. Daí surgiu os diferentes tipos de danças, como a dos Sete Véus (usada como um propósito místico), a Cigana Árabe (dançada em volta do fogo) e a Folclórica (com alegorias de cada país). No começo, todas as mulheres de famílias nobres, queriam aprender os tais movimentos sinuosos que viravam a cabeça dos homens, principalmente porque quem fizesse melhor tinha um dote maior na hora de casar. Depois a história mudou. Com a escravidão das mulheres e a formação dos haréns, naquela época só as prostitutas eram vistas dançando. O Ocidente só veio conhecer essa dança árabe depois do fim das guerras mundiais, pelas telas de Hollywood, nos filmes das Mil e Uma Noites. Foi aí que a dança se carregou de fantasias e ganhou o definitivo nome de Dança do Ventre.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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