Aceita um Cafezinho?


Para muita gente um café quente na parte da manhã é um dos prazeres do dia. Milhões de pessoas tomam café pelas mesmas razões, mas nem imaginam que a bebida também ajuda a aliviar as dores musculares, além de melhorar a memória e ajudar a prevenir o câncer de pele e de fígado. Mesmo sendo uma das bebidas mais consumidas em todo mundo, o café provoca muita polêmica em relação aos seus efeitos na saúde.  Não importando em qual momento do dia ou ocasião, se você adora aquele cafezinho, vale a pena guardar alguns minutos para ler este artigo.

Novas pesquisas garantem: o café sai do papel de vilão para encarar um mocinho aliado da sua saúde. Mas antes de brindar a notícia, encontre a medida que pode beneficiar o seu organismo.
Apreciado mundialmente, amplamente consumido, saboreado de várias maneiras, o café não somente faz parte da alimentação brasileira como da libanesa. 

Mesmo quem não toma, costuma apreciar seu cheirinho agradável. E quem toma normalmente o faz diariamente. Puro, com leite, de manhã, de tarde, de noite, com sorvete, quente, morno, frio, com bebida alcoólica, com chantilly.  O café está no topo dos alimentos mais consumidos. No mundo todo, só as plantas para fazer refrigerantes de cola e o chá ficam no mesmo patamar do café em termos de vegetais campeões de consumo. Assim, nada mais útil do que entender um pouco aquelas xícaras esfumaçadas e cheirosas e saber quais são suas propriedades e efeitos para a saúde.

 “Café não é remédio, mas a comunidade médico-científico já considera a planta como funcional (que previne doença) ou mesmo nutracêutica (nutricional e farmacêutica). Isso porque o café não possui apenas cafeína, mas também outros componentes”. A cafeína é o ingrediente ativo do café, mas pode estar presente em muitas comidas e bebidas. Essa substância pertence ao grupo de compostos das metilxantinas, onde se inclui também o chá. As xantinas são substâncias capazes de estimular o seu sistema nervoso, produzindo certo estado de alerta de curta duração.

Além da cafeína, potássio, zinco, ferro, vitamina B3(niacina), magnésio e diversos outros minerais estão presentes no grão, embora em pequenas quantidades. Aminoácidos, proteínas, lipídios, além de açúcares e polissacarídeos também o compõem. Mas nem todas essas substâncias permanecem nas mesmas quantidades quando o café passa pelo processo de torrefação. Alguns deles chegam até mesmo a ser destruídos por completo se os grãos são torrados excessivamente. Conta, também, com uma enorme quantidade de polifenóis antioxidantes, chamados ácidos clorogênicos. Durante a torra do café, esses ácidos clorogênicos, formam novos compostos bioativos, os Quinídeos. 

É nessa etapa que as proteínas, aminoácidos, lipídeos e açúcares formam os quase mil compostos voláteis responsáveis pelo aroma característico do café. Toda essa composição que faz do café uma bebida natural e saudável. Uma xícara comum de café contém cerca de 50 a 150 miligramas de cafeína, enquanto uma xícara de chá ou de refrigerantes a base de cola tem entre 35 a 50 miligramas. 

O café coado (consumido no Brasil) tem menos teor de cafeína que o café árabe (consumido no Líbano), que não se filtra. Já o café expresso (sob pressão de vapor) tem maior proporção de cafeína e, consequentemente, gera um maior estado energético.

Os benefícios:
O café melhora o estado de alerta e concentração. Chamado de alimento funcional, o café favorece a prevenção de alguns tipos de câncer como fígado, mama, cólon, reto e ajuda ao bom funcionamento da vesícula. Pessoas com casos leves de asma passam a apresentar menos crises ao ingerir a bebida: resultado do efeito bronco dilatador da cafeína. O consumo de café (4 ou mais chávenas/dia) pode diminuir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. O café diminui a absorção de glicose (açúcar) no intestino podendo ajudar a controlar o peso.

Ele é quente. Beber líquidos quentes, como café ou chá, especialmente na parte da manhã, é muitas vezes sugerido para aliviar a constipação. O café ajuda a prevenir a cirrose alcoólica, doença crônica do fígado causada pelo alcoolismo. Os sintomas do Mal de Parkinson e de Alzheimer também podem ser minimizados com 2 a 3 xícaras (80 ml cada) por dia. A ingestão crônica de café pode reduzir o risco de demência. "A revista médica norte-americana Neurology indicou que a cafeína pode, ainda, retardar a deterioração mental em idosas. O efeito foi observado em mulheres com mais de 65 anos que consumiam mais de três xícaras de café por dia. A substância não teve o mesmo resultado nos homens. Os efeitos benéficos da bebida, sobre a memória de portadores de doenças degenerativas, ocorrem, porque a cafeína age no sistema nervoso central como um estímulo".

O café melhora a memória quando existe deterioração cognitiva devido a alguma doença subjacente.Além disso, pesquisadores do Centro de Transtornos Motores, ligado ao Centro Médico da Duke University da Carolina do Norte (EUA), afirmaram que membros de famílias afetadas pelo Mal de Parkinson que fumam e bebem café em grandes quantidades têm menos probabilidades de desenvolver a doença, apesar de correrem outros riscos ao adotar esses hábitos. 

O consumo de café (4 xícaras/dia ) pode diminuir o risco de desenvolver gota em 40%.Recente descoberta indica o favorecimento do café no combate à AIDS. A multiplicação do vírus tem como uma das causas, a enzima chamada integrase, inibida, entre outros fatores, por ácidos presentes no café.
Estudos mostram que o risco cardiovascular pode diminuir com o consumo de café. Após acompanhar, por 15 anos, mais de 27 mil mulheres com idades entre 55 e 69 anos, pesquisadores noruegueses descobriram que as mulheres que bebiam de uma a três xícaras de café ao dia reduziam o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em 24% em relação àquelas que não bebiam café.

No entanto, à medida que a quantidade de ingestão do café aumentava, o benefício decrescia. Com mais de seis xícaras ao dia, o risco não era reduzido de forma significativa. Ainda sim, depois de um filtro de controle por idade, consumo de cigarros e de álcool, as mulheres que bebiam de uma a cinco xícaras ao dia reduziram o risco de morte por qualquer uma das causas em 19%.

Pessoas que consomem quantidades elevadas de café, costumam ficar mais resistentes ao efeito de anestésicos, que possuem a cafeína em sua formulação, e podem também apresentar dores de cabeça, entre outros sintomas, quando retiram abruptamente a cafeína da rotina alimentar. Esta dor é chamada de sintoma sentinela. Ele é caracterizado por fortes dores de cabeça, logo pela manhã, e ocorre quando há uma queda no nível dessa substância na corrente sanguínea, causada tanto por não ingerir a bebida, como por substituir o café comum por outro tipo, como o descafeinado.

Consumo diário adequado: 
Até 10 anos: de 100 a 200 ml (20 g de pó ou 200 mg de cafeína)*
De 11 a 15 anos: de 200 a 350 ml (35 g de pó ou 350 mg de cafeína)*
De 16 a 20 anos: de 400 a 450 ml (45 g de pó ou 450 mg de cafeína)*
De 21 a 60 anos: de 400 a 500 ml (50 g de pó ou 500 mg de cafeína)*
Acima de 60 anos: de 200 a 300 ml (30 g de pó ou 300 mg de cafeína)*

* Máximo recomendado por dia, dividido em quatro doses consumidas até o meio da tarde. Não é aconselhável o consumo à noite. Para crianças e idosos, é melhor servir com leite. Mas essa vantagem pode se transformar em dano quando a intenção é ficar acordado durante a noite para estudar ou trabalhar. O café é uma bebida diurna. Tomá-la à noite com esse intuito pode prejudicar a atenção e a concentração no dia seguinte. E a consolidação da memória ocorre justamente durante o sono. 
Entretanto, por mais benefícios que a cafeína possa trazer tudo em excesso faz mal, ela pode causar arritmia, ansiedade, estresse, insônia, dor de cabeça, irritabilidade, tremores e diarreia.  Quem sofre de estresse, problemas psiquiátricos, gástricos ou cardíacos deve ter cautela, assim como pessoas com osteoporose e gestantes. 

A cafeína aumenta a eliminação de cálcio e, em altas doses, pode levar a abortos. Mas para causar a morte de um homem adulto, seriam necessárias, de 5g  a 10 g de cafeína (50 a 100 xícaras), algo que ninguém aguentaria tomar. Colocando na balança, o impacto positivo do café parece superar os eventuais impactos negativos, o que nos anima a continuar saboreando a bebida!

Curiosidades:

O DIAMANTE DOS CAFÉS: Pode parecer piada, mas não é!
O café tido como o mais saboroso e raro do mundo é colhido das fezes de um animal. Sim, o Kopi Luwak ou Café Civeta é proveniente da Indonésia. O animal, chamado civeta e com aparência que lembra uma doninha, faz o que as melhores tecnologias de produção de café fazem, com um diferencial, separa o grão da polpa dentro do corpo adicionando substâncias excepcionais. 

O civeta colhe minuciosamente os frutos mais doces e coloridos do café. Depois de engoli-los, os frutos permanecem no sistema digestório do animal, onde bactérias específicas fermentam a polpa, unidas à ação de enzimas digestivas. Ao defecar, os grãos saem intactos, porém acrescidos de características inigualáveis (também, pudera). 

É então, que entra a mão do homem, literalmente recolhendo das fezes do civeta os grãos de café. Segundo relatos, o café preparado com o Kopi Luwak tem aroma intensamente agradável e sabor parecido com o de chocolate. São produzidos apenas 230 quilos por ano. Ah! Além de ser o mais saboroso e raro do mundo, obviamente também é o mais caro. O quilo sai por cerca de R$ 1.500.


Lea Mansur
Gazeta de Beirute
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