Chucri Makari


Com grande honra, a Gazeta de Beirute, entrevistou, um homem, que sempre trabalhou, pelo Brasil, e Líbano, Chucri Makari, nascido no Norte do Líbano, no dia do trabalhador, 1º de Maio, hoje ele tem 90 anos de idade (não parece de jeito nenhum), e contou para nós como foi seu trabalho como Cônsul Honorário do Brasil no Líbano, (cargo que permaneceu durante 17 anos), como foi exonerado, e também sobre seu trabalho com o café brasileiro.

Como Cônsul Honorário:

Chucri apoiou varias atividades culturais e comerciais da Embaixada, ajudou muitos das comunidade em silêncio, também sempre apoiou atividades comerciais entre Brasil e Líbano, e foi reconhecido por vários embaixadores brasileiros que serviram no Líbano. Provando sua integridade e responsabilidade, o governo brasileiro o condecorou com a Medalha de Rio Branco.  



Em 2012, Makari ficou indignado quando recebeu uma notificação do GOVERNO LIBANÊS, dizendo que ele não era mais o cônsul honorário do Brasil e que devolvesse sua carteira consular ao ministério dos negócios estrangeiros do Líbano, e ele não recebeu nenhuma comunicação oficial do Consulado Geral do Brasil em Beirute ou da Embaixada brasileira.

PORTARIA DE 23 DE MARÇO DE 2012C- O SECRETÁRIO GERAL DAS RELAÇÕES EXTERIORES, no uso de suas atribuições e de conformidade com a Portaria de 26 de março de 2003 do Senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores, resolve: Art 1º Extinguir o Consulado Honorário em Trípoli, República do Líbano. 

Com  integridade, Makari fechou imediatamente o escritório que ele abriu  em Tripoli para atender os brasileiros. 

Na entrevista, Choucri Makari demonstra chateado, sua indignação, afinal será que a diplomacia brasileira mudou, que agora exonera as pessoas, um senhor que serviu o Brasil 17 anos, sem mesmo chamá-lo para lhe falar sobre as mudanças?

Como importador de café:


  
Chucri emigrou para o Brasil em 1945, para Cristalina, Goiás, la ele trabalhou com seu pai, e tomou o ramo de comércio geral, algodoeira e  cafeicultura, nesta  última, especializou-se na produção, classificação e degustação de café. Hoje ele é um dos maiores importadores de café. 

Senhor Chucri, nos recebeu gentilmente, e nos levou para conhecer, cada detalhe de sua empresa, onde pudemos ver logo na entrada,  um grande mapa do Brasil, a primeira máquina que seu Chucri trouxe para o Líbano, as diversas máquinas, para torrefação do café, as máquinas de café expresso, os variados tipos de café, e no depósito, ainda quando o café está em grão cru, onde pudemos sentir o cheiro do Brasil. 



E nesse clima, eu pude sentir a grande luta, de um homem, que realmente se orgulha de seu trabalho, e que tem grande amor pelo Brasil, e pelo Líbano. Sua história é longa, ele tem muito a contar. 

GB: Bom dia, senhor Chucri Makari, primeiramente gostaria de saber, como foi que o senhor chegou a ser Cônsul Honorário do Brasil no Líbano?

Chucri Makari: Bom dia, antigamente tinha um Embaixador amigo meu, e ele me perguntou se eu queria ser cônsul honorário do Brasil, no Líbano. Eu disse que para mim seria uma honra, mas eu pensei que houvesse alguém nesta posição, então ele me disse que não, e então enviamos uma carta ao Itamaraty.

No Brasil, fui recebido com a seguinte frase: “Meu respeito ao Cônsul Honorário do Líbano”. 

No entanto, demorei algum tempo para entrar nesse cargo. E eu queria entender o motivo desse atraso.

GB: Então, por qual motivo, houve essa demora?

Chucri Makari:  Eu perguntei se havia algo contra a minha pessoa, pois a minha dignidade está acima de qualquer cargo, e me disseram que absolutamente não, não havia nada contra mim, mas eu queria uma explicação por escrito, e recebi um comunicado:

Mediante a situação da guerra no Líbano, o Ministério achou por conveniência não reativar esse consulado, até se reestabelecer a situação do país, sem dúvida nenhuma esse nome: CHUCRI MAKARI, será levado em consideração. 

Em 1994, fui então denominado por um decreto presidencial, para a posição de cônsul honorário do Brasil no Líbano, em Trípoli, e fiquei muito contente.

GB: E como foi seu trabalho, junto à comunidade brasileira em Trípoli?

Chucri Makari:  Em primeiro lugar, quando fui nomeado, eu fiz questão de adquirir um escritório, na via principal de Trípoli, na frente do Palácio da Justiça. O que foi para mim, um grande orgulho, porque o Brasil, é um orgulho, respeito e tenho que respeitar.  Eu sou brasileiro, de fato naturalizado, minhas filhas nasceram no Brasil. E eu nunca fiz uma coisa que pudesse diminuir ou manchar, a reputação do Brasil. E acredito que fui o único cônsul honorário no Líbano, que possuiu um escritório próprio para atender os brasileiros. Eu equipei o escritório de tal maneira,  que o embaixador brasileiro em 1997, quando me visitou lá, disse brincando: Chucri quer trocar? Até a maçaneta da porta, tinha o formato do mapa do Brasil. E no escritório, tinha inclusive funcionários que eu contratei, pois eu faço questão de fazer as coisas bem feitas. Qualquer ato que ajude de alguma forma a levar o nome do Brasil, eu gosto de participar. Até mesmo no meu Café Super Brasil, o nome é Brasil, e inclusive ganhamos um prêmio de publicidade, da Cristal Gold, sempre levando o nome do Brasil, em todo trabalho que faço. 

E no meu cargo, de cônsul honorário, eu sempre fui uma pessoa simples, pois eu odeio grandeza.

GB: Havia muitos brasileiros em Trípoli?


Chucri Makari:  Sim, mas não apenas em Trípoli, em todo o Norte do Líbano.

GB: Porque o Senhor deixou o cargo de cônsul honorário, o que aconteceu?

Chucri Makari:  Eu não deixei, e o mais estranho é que fui comunicado pelo Ministério do Exterior do Líbano, que já havia sido nomeado outro cônsul honorário em meu lugar, eu fiquei triste, pois depois de tanto tempo servindo e trabalhando em meu cargo, eu não fui comunicado por um órgão brasileiro. Depois de 17 anos de trabalho, com muita honra e orgulho, e eu desafio, qualquer pessoa no mundo a apresentar qualquer coisa contra Chucri Makari. Além da falta de consideração de não ter sido comunicado,  ainda me pediram a devolução de objetos do Consulado. Eu estranhei essa audácia, de pedir objetos que nunca ninguém me deu, ao contrário, foi eu que fiz, quadros, mapas, e outros objetos e doei para a Embaixada e Consulado, o que fiz com grande alegria.


Sinceramente, eu achei que foi uma falta de consideração, o que fizeram comigo. Essa minha revolta, não e porque eu tenho ambição por esse cargo, era um orgulho para mim, mas me custava bastante também, eu tinha funcionários, e uma propriedade que comprei para isso. Mas não houve nenhum comunicado dos diplomatas para mim. Como isso é possível? Eu fui nomeado pelo Brasil e não pelo Líbano. Diplomatas com cargos altos no Itamaraty não poderiam agir de maneira errada e desrespeitosa.

Até  mesmo vários amigos, alguns diplomatas, se revoltaram com isso.

GB: Depois desse desabafo, o que o Senhor pensa sobre o trabalho da atual, cônsul honorária, Siham Hirati, o senhor a conhece?

Chucri Makari:  Eu sou brasileiro, com orgulho, e apesar de eu não a conhecer bem, é humilhante que o Consulado Honorário tenha serviços prestados em uma residência, por essa razão, eu me revolto novamente, é bastante humilhante, eu tinha um escritório para os brasileiros. Agora não sei qual a justificativa, de como ela chegou a ser cônsul, e deixaram Chucri Makari de lado, sem eu ter feito nada, eu não entendi porque, e o pior não me deram uma satisfação. 

GB: Como o Senhor avalia o trabalho do Consulado Geral do Brasil, em Beirute?

Chucri Makari: Eu nao tenho ido muito para lá, apenas fui para renovação do passaporte.

GB: Senhor Chucri, voce sempre trabalhou com o Brasil e Líbano, me fale então, um pouco sobre seu trabalho com o café.
  

Chucri Makari:  Bom a minha historia com o café, é antiga. Tinha um homem, que disputava comigo sobre o café, inclusive esse homem recebia o apoio do líder do senado, foi então que eu pedi, a um amigo deputado, uma encontro com o Senador(Pedro Simão). Eu disse: Senador deixa eu falar com você, com um pouco de liberdade, essa pessoa que o senhor deu apoio não e brasileiro, não conhece o Brasil, não fala português. Quem esta falando com o senhor, fala português, é brasileiro, tem filhos brasileiros, trabalha no Líbano exclusivamente com o Brasil, com o Café Super Brasil, tem cabimento o senhor apoiar outra pessoa? Então eu passei a ter todo o apoio.

GB: O senhor é o maior importador de café do Brasil no Líbano?
  

Chucri Makari: Eu não sei se sou o maior, mas sou um dos grandes importadores do café e de maquinas de café, e para vender um café de qualidade, eu comprei um escritório no Palácio do Café, em Vitoria (Espírto Santo), esse escritório, está equipado, com máquinas para torrefação, e lá também avaliamos o café. Eu também adotei um sistema com meus funcionários de degustação do café. É muito importante, que o café seja puro, tenha um bom aroma, e espessura exata. Dificilmente os importadores do café cuidam desses detalhes. Acredito que eu sou a pessoa mais detalhista sobre café, no Oriente Médio, pois nós sempre provamos o café. Diariamente amostras, são torradas, moídas e experimentadas, e faço questão do nosso café estar sempre igual.

Nessa hora, Chucri pediu para um funcionário servir para nós um café, que estava realmente delicioso. E continuou...

Uma vez um amigo meu do Brasil, chamado Tadeu, mandou 80 amostras de café, de Vitória. Então os rapazes torraram, e eu disse que nenhuma amostra estava boa. O café, só e aceito se estiver de acordo com a minha degustação, caso contrário não, pois sou muito exigente. 

Um dia me perguntaram:

Sr. Chucri porque o senhor prova o café com açúcar e sem açúcar? Porque me coloco no lugar de cada um, respondi.

GB: E o café Super Brasil, está tendo um grande número de vendas no mercado?

Chucri Makari:  Nós ainda nao investimos muito em propaganda como o café Najjar, mas somos um dos primeiros. 

GB: O senhor tem mais algum trabalho aqui no Líbano, sem ser com café?

Chucri Makari:  Tenho um sitio que produz frutas para vender no mercado com o nome "Sitio", sempre em português os meus produtos. São 60 mil metros de terra, para o cultivo dessas frutas.

GB: E me diga uma coisa, o senhor gosta mais do Brasil ou do Líbano?

Chucri Makari:  Eu tenho conflitos comigo mesmo sobre isso, ás vezes penso que o Brasil é o melhor pais do mundo, e ás vezes penso que pela vida social e parentes, o Líbano seja melhor, então fico sempre em dúvida, cheguei a conclusão que não posso preferir um ou outro.

GB: Agora, sobre o Centro Cultural do Brasil no Líbano, o que o senhor acha?

Chucri Makari:  Eu quase não tenho ido para lá, me desculpe em dizer, eu fui um dos maiores contribuintes para essa realização. Assim como diversos trabalhos de brasileiros, eu sempre gosto de apoiar.

GB: E para terminar, o que o senhor tem a dizer do nosso trabalho, na Gazeta de Beirute?

Chucri Makari: Parabéns a vocês, continuem, com coragem, com esse 
trabalho. Eu agradeço a vocês todos. A vinda do pessoal da gazeta aqui é muito importante, para eu poder desabafar um pouco.

GB: Nós que agradecemos pela entrevista, e por sua luta em ajudar os brasileiros no Líbano, durante todo esse tempo. Temos certeza de que cada trabalho de brasileiros no Líbano, conta com o apoio de Chucri Makari.

Chadia Kobeissi- Fotos-Muhammad Tohmaz
Gazeta de Beirute
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

3 comments:

  1. Senhor Chucri, e um exemplo, e deve ser homenageado por servir a tanto tempo, os dois paises.

    ResponderExcluir
  2. Chucri para mim, neto de libanes, que veio ao Brasil, no Espírito Santo, em 1883, vindo de Alma Zgharta, representa a identidade libanesa na sua essencia, longe das questões religiosas, políticas e ideológicas. Ele representa a nossa alma. É por isto que fiz uma frase. LÍBANO, MINHA ALMA VEIO DE LÁ.
    Parabens para gazetadebeirute.com que faz o elo Líbano-Brasil e mantendo acesa os nossos sonhos de paz, solidariedade e fraternidade.
    Adiante.

    ResponderExcluir
  3. Como pode, um funcionario permanecer, tanto tempo ajudando o Brasil e o Libano, e ser trocado dessa maneira, VERGONHOSO!

    ResponderExcluir