Cônsul Geral do Brasil em Sydney é afastado pelo Itamaraty


Depois das denúncias de desvios de comportamento, o Cônsul-Geral do Brasil em Sydney, Américo Fontenelle, recebeu ordens para deixar o posto. Em portaria, publicada na edição da última quarta-feira (8), do Diário Oficial da União, a ordem é clara. “Remover Ex-Ofício, Américo Dyott Fontenelle”. 

A íntegra da portaria determinando a remoção de Fontenelle encontra-se na página da Imprensa Nacional. O Ministério das Relações Exteriores, no Itamaraty, abriu um processo administrativo disciplinar contra Fontenelle e o adjunto dele, Cesar Cidade. Os dois diplomatas foram denunciados por funcionários co Consulado, por assédio moral e sexual, homofobia, e desrespeito, com um abaixo-assinado por todos, o que na época não obteve bons resultados. Foi feito então, um segundo abaixo-assinado, e então, foi aberta uma séria e profunda investigação sobre as ocorrências no Consulado de Sydney. Começaram a surgir gravações de áudios, onde o Cônsul-Geral foi gravado chamando o Embaixador brasileiro na Austrália, Rubem Correa Barbosa, de "idiota". 

O áudio é a reação de Américo Fontenelle, durante uma reunião com os funcionários, referente ao pedido de agilidade no processo de emissão de vistos, feito por empresários australianos, que iriam ao Brasil em missão de negócios. O grupo recorreu ao Embaixador em Camberra, o que provocou a revolta do Cônsul-Geral. "Você não vai dar uma colher de chá para esses filhos da puta. Há um mês pela frente. A delegação é em Abril, a missão é em abril e, antes mesmo de submeter o visto, eles já estão fazendo pressão política. Vai tomar no cu! É um absurdo isso! Olha aqui: 14 a 22 de abril", disse Fontenelle aos servidores, que na sequência, direciona as críticas ao embaixador. “E estou muito, mas muito envergonhado dos meus colegas. Como pode? Um idiota de um Embaixador, que não faz porra nenhuma naquela embaixada, como é que ele cai em um negócio desses?", diz Fontenelle. "E você não dá (o visto antes do prazo). Você não quebra galho desses filhos da puta", ordena o Cônsul ao funcionário. Fontenelle ainda fez uma análise de sua responsabilidade diplomática, antes de encerrar a reunião.

Inicialmente, as investigações devem ocorrer em um prazo de 30 dias, mas pode haver prorrogação por mais duas semanas. As investigações serão conduzidas por três embaixadores, com experiência consular e questões administrativas, e pelo Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Ao final das apurações, os dois diplomatas podem ser condenados com uma advertência oral, ou até exonerados de suas funções. Ao Itamaraty, Fontenelle e Cidade negam as acusações. Durante a cerimônia de posse do novo Secretário-Geral, Eduardo dos Santos, o Chanceler lembrou que “não há espaço no Itamaraty” para comportamentos que “não se adéquam” ao Ministério. 

Fonte: Agencia Brasil, Terra e Difusora
Foto: isaponto.com.wordpress.com

Therese Mourad
Gazeta de Beirute

Pessoalmente, eu gostaria de parabenizar o Itamaraty pela ação enérgica, pois cargos diplomáticos devem ser respeitados com rigor, o diplomata representa o país no exterior, e deve sempre ser motivo de orgulho e não de vergonha.
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