Fogo Sagrado, do sepulcro de Cristo, chega ao Líbano


Foto: g1.globo.com 

O Fogo Sagrado, do túmulo de Cristo em Jerusalém, chegou às 20h15min do último sábado (4) a Beirute, carregada pelas mãos do Padre Nektarios Khairallah, a bordo de um voo da MEA, vindo de Amã. O MP Ghassan Mkheiber, diversos dignitários religiosos, e uma multidão de fiéis, estiveram no Aeroporto Internacional de Beirute, para recepcionar a chegada do fogo sagrado. 

A recepção aconteceu em meio muitas orações, que aumentaram ainda mais em manifestação de graça, quando o Padre Khairallah desembarcou, carregando a chama sagrada em mãos. O Fogo sagrado foi levado para a Catedral Ortodoxa de Saint George, no downtown de Beirute, onde ela foi designada pelo Arcebispo Metropolitano Elias Audi, a permanecer, por 21hs, antes de ser compartilhada em várias regiões  e igrejas ortodoxas libanesas.


Entendendo sobre a cerimônia do Fogo Sagrado

A cerimônia do Fogo Sagrado acontece anualmente, da mesma forma e no mesmo lugar, no dia da Páscoa Ortodoxa, desde o século IV. O milagre do Fogo Sagrado é famoso no mundo da Ortodoxia Oriental, e ocorre na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, lugar onde Cristo foi crucificado, sepultado, e onde Ele ressuscitou.

O Sepulcro de Cristo localiza-se na pequena capela de “Santo Ciborium”, no interior da Igreja da Ressurreição. Normalmente na Sexta-feira Santa, que antecede o dia do milagre, no Sábado Santo, a partir das 11h00min da manhã peregrinos e cristãos orientais cantam hinos tradicionais em voz alta. Cânticos da época da ocupação otomana de Jerusalém, no século XIII, período em que os cristãos não eram autorizados a cantá-los em qualquer lugar, apenas nas igrejas. 

As 13h, os cânticos silenciam esperando a antecipação da grande demonstração do poder de Deus, para que todos possam ver. Na sequencia, uma delegação de autoridades locais abre caminho através da multidão, representando os romanos na época de Jesus (Nos Evangelhos é dito que os romanos fecharam o túmulo de Jesus, para que seus discípulos não roubassem seu corpo e afirmassem que ele tinha ressuscitado). 



Após o Ofício das Exéquias de Cristo, as autoridades (representadas pelos israelenses), juntamente com as autoridades das outras Igrejas, se dirigem ao sepulcro, apagam todas as lamparinas da igreja, e então, entram no santo sepulcro, para verificar a existência de qualquer fonte de fogo escondida, o que tornaria o milagre uma fraude. Na sequência, eles lacram o túmulo com cera, e cada grupo coloca o seu timbre.  
No dia seguinte, antes do início da cerimônia, as autoridades israelenses vão novamente à igreja para romper o lacre, e abrir a porta do santo sepulcro, e antes que o Patriarca entre ali entre para receber o fogo santo, eles o revistam, para verificar se ele carrega consigo, algo que possa produzir fogo.


Testemunho do finado Patriarca Ortodoxo, Diódoros, de Jerusalém: 

“Eu encontro o caminho para a interior da câmara através da escuridão. Eu entro no túmulo, e me ajoelho com temor e respeito, em frente ao lugar onde os cristãos colocaram o corpo do Senhor depois de sua morte, e onde Ele ressurgiu dentre os mortos. Ali, eu digo algumas orações, que são proferidas por nós através dos séculos, e tendo-as dito, eu espero. Às vezes eu espero por alguns minutos, mas normalmente o milagre acontece imediatamente após eu ter proferido as orações. A partir do centro da grande pedra, sobre a qual o corpo de Jesus repousou, é lançada uma luz indefinida. 

Ela geralmente tem uma tonalidade azul, mas as cores podem variar. Ela não pode ser descrita em termos humanos. A luz nasce da pedra como névoa, e aumenta, parecendo um lago - como se a pedra fosse coberta por uma nuvem úmida, mas é luz. A cada ano, esta luz se manifesta de forma diferente, às vezes ela abrange apenas a pedra, em outras ela ilumina todo o sepulcro, de maneira que as pessoas que estão fora do túmulo o vejam cheio de luz. 

A luz não queima, eu nunca tive a minha barba queimada durante os dezesseis anos que sou Patriarca de Jerusalém, e de ter recebido o Fogo Sagrado. A luz é de uma consistência diferente do fogo normal, que arde em uma lamparina de azeite. Em um momento, a luz aumenta, e forma uma coluna, na qual o fogo é de uma natureza diferente, e eu posso acender minhas velas nele. Quando recebo a chama nas velas que trago nas mãos, eu saio e passo o fogo santo primeiro ao Patriarca Armênio, e depois para o Patriarca Copta, depois passo a o fogo sagrado à todas as pessoas presentes na Igreja".

Por trinta e três minutos, desde sua manifestação, se o fogo sagrado tocar a face, ou a boca, ou mesmo as mãos dos peregrinos, ele não queima, provando que sua origem é de fato, divina e sobrenatural. O fogo sagrado aparece apenas pela invocação de um Arcebispo Ortodoxo, e somente na Páscoa Ortodoxa. A pessoa que experimenta o milagre de perto, de ter o fogo sobre a vela, ou de ver a luz azul, geralmente deixa Jerusalém transformada. E para todos que assistem a cerimônia, há sempre um "antes e depois", do milagre do Fogo Sagrado em Jerusalém.

O primeiro registro conhecido, sobre o Fogo Sagrado, é datado do século IV, mas esses acontecimentos se deram já no século I. São João Damasceno e São Gregório de Nissa, narram o modo como o apóstolo Pedro viu o Fogo Sagrado, no Santo Sepulcro de Cristo, depois da ressurreição. A cerimônia do "Milagre do Fogo Sagrado" pode ser a mais antiga cerimônia cristã no mundo, uma vez que, ele é registrado a partir do quarto século depois de Cristo, até os nossos dias. 

Sempre que outras Igrejas tentaram obter o Fogo Sagrado, elas falharam, três destas tentativas são conhecidas, onde duas ocorreram no século XII, quando religiosos da Igreja Ocidental, tentaram conseguir o milagre por si mesmos, e as tentativas terminaram com castigo de Deus. O evento mais espantoso aconteceu em 1.579, quando Deus claramente testemunhou a quem somente poderia ser concedido diretamente o milagre. Quando religiosos de uma das Igrejas Orientais pagaram aos otomanos (que ocupavam a terra santa), para obter permissão para que seu Patriarca entrasse no Santo Sepulcro, o Patriarca Ortodoxo se colocou triste com os seus fiéis, à saída da igreja, perto da coluna da esquerda. O Fogo Sagrado se acendeu perto do Patriarca Ortodoxo, rompendo aquela coluna verticalmente. Hoje, quem visita o Santo Sepulcro pode verificar isso, vendo por si mesmo a coluna rachada.
 Com especial permissão, autoridades religiosas ortodoxas de países como Grécia, Rússia, Chipre e Líbano, recebem a chama do fogo santo, e a transportam para suas Igrejas, para que as lamparinas dos altares, apagadas na Sexta-Feira da Paixão, sejam acesas com esta chama na festa da Páscoa, como é costume em muitas Igrejas Ortodoxas. Desde 2.005 um grupo de Sacerdotes ortodoxos trás a chama do fogo santo para o Líbano e Síria, de avião, passando pela Jordânia, através do Arcebispado de Amã. 
A Cia aérea libanesa, Middle East Airlines, permite que um sacerdote, que se apresente de batina e estola, embarque, transportando nas mãos, a lamparina acesa com a chama do fogo santo. 

No aeroporto de Beirute o sacerdote é sempre aguardado pelos Arcebispos, Bispos e Padres, para receber o fogo sagrado, e passá-lo a todas as paróquias ortodoxas do país, para que as velas na Páscoa Ortodoxa sejam acesas no fogo sagrado, e assim, todos recebam a benção do sepulcro de Cristo.

No início da cerimônia de “Hajme” (Ofício da Ressurreição), o Arcebispo, ou um Sacerdote, convida os fiéis com as palavras: “Vinde, tomai luz, da Luz sem o caso e glorificai o Cristo ressuscitado dentre os mortos”

Acender as velas neste momento simboliza exatamente receber a chama do fogo santo, que vem do Santo Sepulcro. Os fiéis aguardam esse momento com emoção, e esse é um novo costume na Igreja Ortodoxa no Líbano, quando todos se saúdam com alegria, dizendo: “Meu irmão, Cristo ressuscitou!”.




Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute 
Fonte da pesquisa: catedral ortodoxa 
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