Ilha Fiscal – Rio de Janeiro



A Ilha Fiscal  está localizada no interior da Baía de Guanabara, e faz fronteira com o centro histórico do Rio de Janeiro. Inicialmente a Ilha era chamada pelos europeus de ilha dos Ratos, o seu atual nome provém do fato de ali ter funcionado o posto da Guarda Fiscal, que atendia o porto da então capital do Império, no século XIX. A ilha ficou famosa por ter abrigado o famoso Baile da Ilha Fiscal, que de fato, foi a última grande festa do Império antes da Proclamação da República. Atualmente a Ilha Fiscal abriga um museu histórico-cultural, mantido pela Marinha do Brasil, e foi transferida pelo Ministério da Fazenda, em 1914, e recebe cerca de 300 mil visitantes por ano. 

A Ilha é parte do Complexo Cultural do Serviço de Documentação da Marinha, e continua sendo um elo entre o presente e o passado. Décadas se passaram e o castelo em estilo neogótico, que testemunhou vários fatos históricos, é uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro. De longe a vista é imponente, mas de perto, a construção impressiona pelo trabalho artesanal feito pelos escravos, na resistente pedra gnaisse, cujos blocos eram retirados da região, onde hoje ocupa o shopping Rio Sul, em Botafogo. Foram necessários sete anos para concluir a obra, que foi inaugurada com pompa pelo imperador Dom Pedro II, em 1889.  

Imitando a arquitetura medieval da região de Provence, na França, a construção possui 7 mil metros quadrados de área construída, posicionada estrategicamente em frente ao cais da Praça XV. A Ilha abrigava os funcionários da alfândega, que além de dormirem, trabalhavam ali, na inspeção das cargas que chegavam ao Rio. A função dos trabalhadores acabou definindo o seu novo nome: Ilha Fiscal. O castelinho também guiava os navegadores, funcionando como uma bússola, que aponta os pontos cardeais, além da sua fachada estar na direção exata do Polo Sul. A torre mais alta exibe em seus quatro lados um relógio que, em outros tempos, fornecia a hora correta aos atracados no porto. 

Os vitrais do castelinho, trazido da Inglaterra, são ornamentados com desenhos e símbolos da monarquia, com homenagens a Dom Pedro II, que estampa uma janela, e a Princesa Isabel, desenhada em outra janela, em frente a janela ocupada pelo imperador. De tão perfeitas, as pinturas parecem estar em alto relevo, e o cenário fica ainda mais sofisticado com as luminárias, pintadas com pó de ouro. Certamente uma das atrações decorativas da construção. Ao subir uma escadaria de 38 degraus simetricamente talhados na pedra, chega-se ao segundo andar, que continua conservado com a mobília da época. A direita do salão encontra-se a sacada do castelinho, que fica de frente para a Baía da Guanabara, oferecendo uma visão total e magnífica da região. 

Dizem que era o local favorito de Dom Pedro II, que ficava ali horas apreciando a paisagem e bebendo água de coco retirada dos coqueiros da Ilha.  

Acima do portal de entrada, uma bela obra de arte apresenta o maior brasão produzido na época do império, desenhado pelo renomado pintor francês Jean-Baptiste Debret e esculpido por um escravo. O brasão quase foi destruído após a queda da monarquia, pelos republicanos que queriam apagar os registros do governo anterior, porém ele foi salvo por Adolpho Del Vecchio, o engenheiro responsável pela construção do castelo. A Ilha é ligada a terra, mas os visitantes chegam até ela, a bordo da charmosa escuna Nogueira da Gama, que fica ancorada próximo à Praça XV. 

O passeio, com duração de 15 minutos, circunda toda a Ilha Fiscal, oferecendo aos visitantes, que são acompanhados por um guia, a espetacular paisagem com vista para o Pão de Açúcar, para a Ponte Rio Niterói, e o aeroporto. Ao término do passeio, outras atrações aguardam os visitantes, como os dois canhões holandeses de 1634, e a belíssima galeota imperial, esculpida em madeira nobre e folheada a ouro (presente de Dom João Sexto, que foi construída na Bahia, e entregue ao rei em 1818). A galeota foi usada por ele para chegar ao navio que o levou embora do país, quando ele deixou o poder, e também foi usada pelos convidados do grande e famoso baile ocorrido na Ilha. Ela passou por restauração em 2008, e voltou a exibir o dourado brilhante da época do império real.

Outras atrações da Ilha Fiscal:

Nau: Reproduz as embarcações portuguesas usadas para desbravar o mundo no século XVI, e construída para as comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil. Ela passou por reforma em 2000 e também em 2010, quando foi ancorada na Praça XV. O Nau possui capacidade para transportar até 100 pessoas, e dentro dele, é possível visualizar a recriação dos ambientes de época, como o camarote do comandante e a cozinha insalubre. 
Submarino: Entrando pela aposentada arma de guerra, o visitante pode percorrer todo o seu claustrofóbico comprimento entre fios e torpedos, e passar pela sala do torpedo, o quarto do comandante, e a sala de controle. Construído nos anos 70, o submarino que comportava até 60 pessoas, alcançava a velocidade de 40 Km/h e podia atravessar o oceano Atlântico sem submergir. Ele foi usado para treinamento na costa até 1997, tornando-se depois uma peça de museu.   
Programação Infantil: Permanentemente em cartaz, a peça "De volta para o passado", aborda para as crianças de forma divertida e com temas históricos, como se deu o Descobrimento do Brasil e quem era a Monarquia, os guias fazem passeios especiais com as crianças, e realizam oficinas de arte, onde elas podem desenhar e fazer origamis; porém, a programação deve ser agendada com antecedência.

Construído para ser uma joia da coroa, a Ilha Fiscal simbolizou a ostentação da monarquia e foi o palco principal do famoso baile da Ilha Fiscal, um evento em homenagem à tripulação do couraçado chileno, do Almirante Cochrane, no intuito de reforçar os laços de amizade com o Chile, além de reerguer o prestigio da monarquia, que se encontrava bastante abalada pela propaganda republicana. O maior baile da História do Brasil, foi realizado em 9 de Novembro de 1889, pouco tempo após a inauguração da Ilha, e contou com cerca de 3 a 5 mil convidados. Para o baile trabalharam 50 cozinheiros e 150 copeiros, e foram servidos 20 mil sanduíches, 10 mil litros de cerveja, 188 caixas de vinho e 80 de caixas de champanhe. Na pista de dança, todos se apertavam no espaço exíguo para dançar valsa, polca e o hit da época: Chiquinha Gonzaga. 

O comportamento dos participantes foi largamente explorado pela imprensa da época, que noticiou inclusive, que peças íntimas foram encontradas na ilha após a festa, que foi a última da família real. Enquanto os monarquistas se divertiam, os militares tramavam um golpe, que foi executado seis dias depois, onde eles tomaram o poder e instauraram a era republicana no país, levando Dom Pedro II, e a corte, a partir para o exílio. Em 1893, a ilha foi marcada por outro fato histórico: a Revolta da Armada, onde violentos combates entre rebelados e o governo de Floriano Peixoto, destruíram as vidraças do castelo.

Saídas: Espaço Cultural da Marinha, Av. Alfredo Agache s/n, próximo à Praça XV, Centro, RJ. 
Visitação: de 5a feira a domingo. Horários: 12h30, 14h e 15h30.
Obs.: O embarque inicia 15 minutos antes do horário da saída da embarcação.
Valores: R$ 15,00 - adultos/ R$ 7,00 - estudantes, crianças até 12 anos, e adultos com mais de 60 anos.

Fonte: Jlorenco e centro cultural da marinha.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comments:

Postar um comentário