Indústria do cinema no Líbano


A Indústria do cinema no Líbano existe desde 1920, e o país já produziu mais de 500 filmes. Os primeiros filmes libaneses foram “The Adventures of Elias Mabruk” (1929), e “In the Ruins of Baalbeck” (1936), sucessos de público e bilheteria. Após o Líbano obter sua independência da França em 1941, os cineastas começaram a abordar temas locais, como a vida rural e o folclore, e então foram produzidos nesta época, alguns filmes nessa temática. 

Em geral, comédias e dramas românticos, uma opção alternativa de produção, em relação às produções egípcias, que eram o centro do cinema nos países de língua árabe. Além de o Líbano ter a melhor tecnologia da região para as produções nesta época. Durante a primeira metade do século XX, o cinema libanês estava muito intimamente associado com o cinema egípcio; além de exportar numerosos atores e atrizes libaneses, dançarinas do ventre, e produtores. 

Coproduções com o Egito e a Síria eram comuns neste período, considerado a idade de ouro da indústria cinematográfica libanesa. Além disso, os produtores do Líbano, de 1945 até 1951, desempenharam um papel influente nos primeiros estágios da produção cinematográfica iraquiana.  O primeiro filme libanês a representar o Líbano no Festival de filmes de Cannes, foi o “Illa Ayn?“, de Georges Nasser, em 1958.

A indústria cinematográfica continuou a prosperar nos anos 60, com Beirute rivalizando o domínio do cinema do Cairo. No entanto, os filmes produzidos na década de 60, em sua maioria, não tinham um senso de identidade nacional, eram filmes comerciais, que visavam o público pan-árabe.  Os musicais dos irmãos Rahbani, que estrelaram Fairuz, foram, no entanto, uma exceção. Os filmes retratavam temas nostálgicos da vida das aldeias do Monte Líbano. E enquanto muitas produções eram filmadas no dialeto egípcio, para atender o grande mercado egípcio, os filmes dos irmãos Rahbani foram filmados no dialeto libanês. Um dos filmes, “Safar Barlik”, de 1912, representando a luta do Líbano contra a ocupação otomana, se tornou um grampo reprise da televisão libanesa, especialmente no Dia da Independência.

O Líbano também foi palco de várias produções internacionais, que usaram a capital Beirute, bem como o Casino Du Liban como cenário (“Where the spies are”, “24hs to Kill”, “Fire Ball Secret Agent” - filmados em Beirute, em 1965 e “La Grande Sauterelle” - filmado em Beirute, em 1967, e “Rebus”, filmado no Casino Du Liban, em 1969). “The Man with the Golden Gun”, foi parcialmente gravado em Beirute, porém os produtores interromperam as gravações na capital libanesa, devido aos problemas políticos crescentes. 

Na década de 70 o Cinema libanês, foi o que mais teve audiência entre os países de língua árabe, cujos temas concentravam-se em torno dos conflitos políticos que o país estava passando. Os filmes deste período são caracterizados pela falta de finalização, reflexo da guerra interminável na época. 

O Líbano produziu vários filmes sexualmente indulgentes, como “Cats of Hamra Street” e “The Guitar of Love”, em 1973. Sendo este último, estrelado por Georgina Rizk, a rainha da beleza libanesa, vencedora do Concurso Miss Universo 1971. Também em 1971, Beirute sediou o primeiro Festival Internacional de Cinema no Mundo Árabe. Um dos diretores mais importantes, surgido durante este período, foi Maroun Baghdadi, considerado a pedra angular do cinema libanês. Maroun Baghdadi gravou “Little Wars” com ajuda do cineasta norte-americano, Francis Coppola, o filme foi exibido na seção “Un Certain Regard”, no Festival de Cannes, e também exibido no New York Film Festival. 

Nos anos 80, uma onda de documentários gravados por diversos cineastas, como Jocelyn Saab, Jean Chamoun, Randa Chahal, além de Maroun Baghadadi, sempre com cunho jornalístico, foram um sucesso que contribuiu para o desenvolvimento da produção cinematográfica durante este período, porem muitos tiveram que se radicar na França, em virtudes do prolongado conflito no país. Muitos filmes de imitação de filmes de ação no estilo B, também eram característicos nessa época. O premiado “Beirut the Last Home Movie”, gravado na Mansão Bustros, contou a história de uma das famílias mais ricas do Líbano, e recebeu o Prêmio Excelência em Cinematografia, além do Grande Premio de melhor documentário, no Sundance Film Festival de 1988.

Após a guerra, Beirute ressurgiu como um dos centros de produção de mídia em massa no mundo árabe. A produção de mídia se concentrou em torno da TV, embora tenha havido tentativas de reanimar a indústria cinematográfica no país, especialmente pelos recém-formados estudantes de cinema no Líbano. As universidades de Cinema, já eram raridade nessa região nos anos 90, mas seis universidades de Beirute já ofereciam curso acadêmico de cinema e TV, o que atraiu um afluxo de estudantes dos países árabes a estudar parcial ou integralmente no Líbano. 

O financiamento de produções cinematográficas no Líbano neste período dependia de apoio externo, tanto a nível europeu, como da própria diáspora libanesa. Muitos filmes, nesta época, se basearam na temática do pós-guerra, e ganharam prêmios em festivais internacionais. Entretanto, os telespectadores libaneses não estavam atraídos por esse tema, mas uma exceção foi aberta para o filme “West Beirut”, que se tornou um sucesso não apenas internacional, mas local também, e o primeiro filme em árabe, a ter um lançamento oficial nos EUA. Em 1997, o filme francês “Destiny”, produzido por Youssef Chahine, foi totalmente rodado no Líbano, incluindo na histórica cidade de Beiteddine. 

Já após a virada do século XXI, um misto de questões locais e estética ocidental, se tornaram temáticas típicas nas produções libanesas, e obtiveram sucesso nacional, e também competiram com filmes estrangeiros, embora seus financiamentos tenham continuado dependentes de organizações europeias.  “Bosta”, o filme de Philippe Aractingi foi um dos poucos filmes, completamente financiados no país. 

Mas até 2004 as produções estiveram em crescimento lento, com o lançamento de quatro ficções e dois documentários, e novos temas não necessariamente ligados à temática guerra ou pós-guerra, começaram a surgir, é o caso do filme “In the Battlefields”, em 2005, de Danielle Arbid, que criticava a sociedade patriarcal. Na mesma época, produções de curta-metragem, feitas por alunos das universidades locais, tiveram um crescimento no país, e receberam atenção internacional, é o caso de “After Shave” de Hany Tamba, que ganhou o prêmio César, de melhor curta-metragem em 2006. Um ano de grande importância para o cinema libanês, certamente foi 2007, quando duas diretoras femininas, Nadine Labaki e Danielle Arbid, apresentaram suas produções no Festival de Cannes, Labaki com “Caramel”, e Arbid com “A Lost Man”, um dos filmes mais graficamente sexual, produzido por um diretor árabe, no caso, uma diretora. Lançamento desfrutou de seu lançamento internacional nos EUA, Reino Unido, França e Argentina.

Em 2011, Nadine Labaki voltou à cena, com o aclamadíssimo filme “Where Do We Go Now?”, que ganhou o Premio Franois Chalais em Cannes, além de ter sido o filme escolhido pelo povo no Toronto International Film Festival, bem como o prêmio do público para os filmes do Festival do Sul em Oslo, Noruega. A Sony Pictures Classics ainda adquiriu os direitos americanos para o filme, que foi escolhido pelos libaneses para competir na categoria do Oscar na “Best Foreign-Language Film”. E não parou por ai, o filme ganhou também o Prêmio de Byarad d’Or no Festival Internacional Du Film Francophone de Namur na Bélgica e o Prêmio de Melhor Narrativa do Doha Tribeca Film Festival. 

A indústria cinematográfica do Líbano vem crescendo e consagrando 
internacionalmente nomes já consagrados no Líbano, e certamente, 
apresentando novos jovens talentos no mundo das telonas.


Claudinha Rahme
Gazeta da Beirute
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